Quase foi a leilão por engano: quadro esquecido do século 17 é resgatado na Espanha e revela segredo de Caravaggio avaliado em milhões

Quadro que retrata Jesus com uma coroa de espinhos era atribuído a um pintor espanhol desconhecido até especialistas levantarem uma hipótese surpreendente sobre sua verdadeira autoria

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A tela foi retirada de um leilão na Espanha e, anos depois, reapareceu no Museu do Prado, em Madri, cercada pelo mistério de sua trajetória (Foto: Michelangelo Merisi da Caravaggio/ Wikimedia Commons)

A tela foi retirada de um leilão na Espanha e, anos depois, reapareceu no Museu do Prado, em Madri, cercada pelo mistério de sua trajetória (Foto: Michelangelo Merisi da Caravaggio, Wikimedia Commons)

Por alguns instantes, ela parecia ser apenas mais uma pintura antiga esperando por um comprador. Ninguém imaginava que, escondida naquela tela, poderia estar a assinatura de um dos maiores nomes da história da arte.

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Em 2021, uma obra que seria levada a leilão na Espanha chamou a atenção de especialistas. Até então, ela era atribuída a um pintor espanhol desconhecido do século 17.

O que aconteceu depois transformou completamente a história do quadro.

A tela que quase passou despercebida

A pintura, conhecida como Ecce Homo, retrata Jesus Cristo usando uma coroa de espinhos, em uma cena marcada pelo sofrimento.

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À primeira vista, não parecia haver nada que pudesse mudar radicalmente o destino daquela obra.

Mas especialistas levantaram uma possibilidade surpreendente: e se aquela pintura tivesse sido feita por Caravaggio?

A suspeita foi suficiente para que a Espanha impedisse o leilão da tela em 2021.

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O motivo era simples: se a atribuição estivesse correta, o quadro não seria apenas uma pintura antiga. Seria uma obra de um dos artistas mais importantes do barroco italiano.

Uma história escondida atrás da pintura

A investigação começou a reconstruir o caminho percorrido pela tela.

A professora de história da arte Maria Cristina Terzaghi conseguiu rastrear a obra até antigos proprietários ligados à família do político espanhol Evaristo Perez de Castro.

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Esse detalhe ajudou a conectar a pintura a uma trajetória muito mais antiga do que se imaginava.

A obra teria sido realizada entre 1605 e 1609, período próximo aos últimos anos da vida de Caravaggio, que morreu em 1610.

E havia ainda outro detalhe capaz de tornar aquela descoberta ainda mais intrigante.

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Acredita-se que Ecce Homo tenha pertencido ao rei Filipe 4º da Espanha.

O jeito de pintar que entregava pistas

Caravaggio tinha uma maneira muito particular de construir suas cenas.

Em suas pinturas, a luz não aparece apenas para iluminar os personagens. Ela cria contrastes intensos com as áreas escuras e conduz o olhar de quem observa a tela.

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É o famoso claro-escuro, uma das marcas associadas ao artista.

Em Ecce Homo, essa iluminação dramática ajuda a criar uma atmosfera de sofrimento e tensão.

Foi justamente esse tipo de característica, entre outros elementos analisados pelos especialistas, que ajudou a colocar novamente o nome de Caravaggio no centro da discussão.

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De quadro desconhecido a obra disputada

O contraste é quase cinematográfico.

De um lado, uma pintura que estava sendo tratada como obra de um artista espanhol desconhecido do século 17.

Do outro, a possibilidade de que a mesma tela tivesse saído das mãos de Michelangelo Merisi da Caravaggio.

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O valor histórico e artístico mudaria completamente.

Por isso, o leilão foi interrompido enquanto a autoria era investigada.

A tela, que poderia ter seguido para uma coleção particular sem grande repercussão, acabou se tornando objeto de uma investigação que chamou a atenção do mundo da arte.

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O reencontro com o público

Em maio de 2024, chegou o momento de mostrar a obra novamente.

O Museu do Prado, em Madri, apresentou Ecce Homo à imprensa antes de sua exibição ao público.

A instituição descreveu a descoberta como uma das maiores da história da arte.

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Para quem acompanha a trajetória de Caravaggio, o episódio tinha algo de extraordinário: uma pintura que durante décadas não era reconhecida como sua agora estava diante do público como uma obra atribuída ao mestre italiano.

A nova vida de Ecce Homo

Depois de permanecer longe dos holofotes por tanto tempo, a pintura ganhou uma nova oportunidade de ser vista.

O quadro passou a ser exibido no Prado após um acordo com seu novo proprietário, um colecionador internacional de arte sediado na Espanha.

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A permanência inicialmente prevista poderia ser prorrogada, enquanto o proprietário manifestava a intenção de manter a obra em exibição permanente.

E é justamente aí que a história de Ecce Homo ganha seu capítulo mais curioso.

Durante anos, ela foi vista como uma pintura de autoria desconhecida. Em seguida, uma investigação fez com que especialistas enxergassem nela algo que poderia ter passado despercebido por gerações.

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Uma tela que quase seguiu silenciosamente para um leilão acabou voltando aos olhos do mundo, agora carregando o nome de Caravaggio.

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