Aos 50 anos, Ivo Padilha vive uma rotina dividida entre duas realidades: durante o dia, trabalha como auxiliar de serviços gerais no shopping Via Catarina em Palhoça, na Grande Florianópolis; à noite, transforma-se em um artista plástico cujas obras já chegaram ao Carrossel do Louvre, espaço próximo ao famoso museu parisiense, que recebe eventos artísticos internacionais.
Natural de Canoinhas, no Norte de Santa Catarina, Ivo Padilha começou a pintar na infância, inspirado pelo programa Sítio do Pica Pau Amarelo e pela música Aquarela, de Toquinho. Ele aprendeu a pintar sozinho, com pinceladas livres, e logo o realismo de suas obras chamou a atenção.
— Quando eu ouvi o Toquinho cantar aquela musica, aquela letra entrou dentro da minha alma, como se eu tivesse olhando pro céu e vendo anjos cantando. “Um pinguinho de tinga cai em um pedacinho azul do papel” não sai da minha cabeça o tempo todo — contou o pintor, à NSC TV.
A partir de 1997, Ivo começou a ministrar cursos, workshops e oficinas. Ele chegou a expor obras na Argentina e no Chile antes de ir a Paris.
A tela que o levou à França é inspirada em um personagem marcante do final da Segunda Guerra Mundial, o ativista francês Coronel Henri Rol Tanguy. Padilha fez a pintura simulando a entrada do coronel em Paris, trazendo refugiados de volta para casa em 1944 e marchando junto ao Arco do Triunfo. O trabalho chamou a atenção de uma galerista do Rio de Janeiro e a obra seguiu para Paris, em 2019.
— Minha arte, com muito esforço, foi parar em Paris. Eu chorava muito na época, por poder estar tendo um sonho realizado de muitos artistas. De estar dentro do Louvre não para visitar, mas expor o seu trabalho.
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“Onde o sonho me levar”
Ao longo da vida, Ivo nunca abandonou a arte, mesmo conciliando-a com outros trabalhos. Enquanto trabalha no shopping, Ivo mantém a rotina de pintar em casa, onde improvisa um ateliê.
— (O trabalho no shopping é de onde) vem meu sustento, que vem os valores para comprar meu material — explica o artista.
Agora, ele quer levar o talento para onde o universo permitir:
— Onde o sonho me levar, de olhos fechados, vou deixar Deus me conduzir.
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