Joselito Geraldo de Sousa, o Lito Sousa, morreu nesta quinta-feira (1º), aos 59 anos, em decorrência da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Conhecido pelo canal Aviões e Músicas, ele se tornou a principal referência em divulgação de aviação no Brasil. Ganhou o público ao explicar turbulência, manutenção, segurança de voo e acidentes aéreos numa linguagem que qualquer pessoa entende.
Nas redes sociais, o nome aparece muitas vezes como “Lito Souza”, mas a grafia que ele usava é Lito Sousa.
Dos hangares para a internet
Antes da fama, Lito construiu a carreira nos hangares. O primeiro emprego no setor foi na Varig, na manutenção de aviões comerciais. Ao longo de 36 anos na aviação, passou também pela Transbrasil e pela United Airlines. Desse tempo, 27 anos foram dedicados à área técnica, como mecânico de aeronaves.
Essa experiência prática virou a marca do trabalho dele. Lito não falava de aviões como observador: falava como quem tinha passado décadas com a mão na máquina.
O nascimento do Aviões e Músicas
O projeto começou como um blog dedicado a explicar temas de aviação e chegou ao YouTube em 2010. Com o tempo, Lito percebeu que uma das maiores dúvidas do público era o medo de voar, e esse virou um dos temas centrais do canal.
O crescimento foi tão grande que, em 2021, ele deixou a aviação para se dedicar só ao conteúdo. A virada veio quando percebeu que tinha mais seguidores do que a página da companhia aérea em que trabalhava.
Hoje, o Aviões e Músicas tem mais de 3,7 milhões de inscritos no YouTube. Em redações de todo o país, Lito era uma das primeiras fontes consultadas quando havia um acidente ou incidente aéreo.
Livros, cursos e empresas
Além do canal, Lito foi palestrante, escritor e empresário. Escreveu dois livros:
- “Onde Morrem os Aviões”, com histórias da carreira internacional como mecânico de aeronaves
- “Medo de Avião Nunca Mais”, lançado junto com um curso para ajudar pessoas a superarem o medo de voar
Ao lado da esposa, criou a Lito Academy (Lito Aviation Academy), com cursos de formação em manutenção de aeronaves, segurança operacional e gestão de riscos. Os negócios formam o Lito Group.
Família
Lito era casado com Mila Seidl, parceira dele também no trabalho e braço direito no canal. O casal tem um filho, Malone, de 7 anos.
Foi Mila quem tornou público o diagnóstico de DCJ, em agosto, e quem conduziu a mobilização por um tratamento experimental. Foi também ela quem confirmou a morte, numa despedida que remete à aviação: “até o próximo voo”.
Os últimos meses
Em 2026, Lito revelou um câncer de próstata em estágio inicial. Enquanto se preparava para o tratamento, começou a ter dormência no braço esquerdo e perda dos movimentos finos. Em julho, foi internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Em agosto, veio o diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob, rara, sem cura e de evolução rápida.
No mesmo dia em que recebeu a notícia, gravou um vídeo enquanto ainda preservava a cognição. Disse que não tinha medo de morrer, porque tinha vivido uma vida boa, e que sua maior angústia era como contar ao filho.
A comunidade da aviação se mobilizou: houve apelos de seguidores e homenagens de pilotos. Um deles, o brasileiro Enderson Rafael, desenhou o nome de Lito no céu do Texas, nos Estados Unidos. Em setembro, com autorização excepcional da Anvisa, Lito se tornou o primeiro ser humano a receber o medicamento experimental ALN-6457.
O legado
Lito Sousa ajudou a popularizar no Brasil a discussão sobre segurança aérea e mostrou ao público leigo como funciona a aviação comercial. Para milhões de pessoas, foi a voz que tornou o avião menos assustador.