O ator Caio Blat revelou detalhes sobre o tratamento do primo Ricardo Blat, que enfrenta uma leucemia e passou por um transplante de medula óssea. Em participação no programa Sem Censura, da TV Cultura, o artista contou que o veterano recebeu a doação de uma jovem do interior de São Paulo, cuja identidade não é conhecida pela família.
“Ele agradece a todas as pessoas que doaram sangue, plaquetas e medula. Ele recebeu uma doação de medula de uma menina de 20 e poucos anos, do interior de São Paulo, que ele não sabe quem é. Ele pediu para dizer que essa menina salvou a vida dele”, afirmou Caio.
O diagnóstico de Ricardo aconteceu em 2025. A doença também fez com que Caio acelerasse um antigo desejo de trabalhar ao lado do primo no teatro. Os dois estrearam em março deste ano em Subversão Kafka, espetáculo dirigido por Caio e adaptado pelo dramaturgo Rogério Blat, irmão de Ricardo.
Os ensaios precisaram ser adaptados à rotina de tratamento. “Às vezes, os ensaios eram no hospital, com ele internado; às vezes, em casa”, contou Caio. Após receber alta, Ricardo conseguiu participar da estreia em São Paulo. A temporada terminou em abril, no Sesc Bom Retiro, e a montagem posteriormente seguiu para outros palcos.
Atualmente, a peça está no Rio de Janeiro com Caio e Pedro Henrique Müller, enquanto Ricardo permanece afastado para concluir o tratamento.
Como funciona o tratamento para leucemia
Após um transplante de medula óssea para tratar leucemias, uma das etapas mais importantes é a chamada “pega” da nova medula, segundo o médico Antonio Brandão, da clínica Sartor Medicina Integrada. Nesse período, as células recebidas começam a se estabelecer no organismo e a produzir novas células sanguíneas. O processo costuma acontecer entre 10 e 30 dias após a infusão, embora o tempo possa variar.
Enquanto isso, o paciente passa por acompanhamento médico intenso, com exames frequentes para verificar a recuperação dos leucócitos, hemácias e plaquetas. Também podem ser necessárias transfusões e medicamentos para prevenir ou tratar infecções, já que o sistema imunológico fica bastante comprometido durante o tratamento.
Outro cuidado é a prevenção da doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH), uma possível complicação em que células do doador atacam tecidos do receptor. Por isso, medicamentos imunossupressores podem ser utilizados e o paciente permanece sob acompanhamento médico constante.
A recuperação não termina quando a medula começa a funcionar. O paciente precisa continuar realizando consultas e exames e, posteriormente, pode precisar reconstruir a proteção imunológica por meio da vacinação.
