Quase três décadas depois de virar um dos rostos mais reconhecidos da televisão brasileira, Suzana Alves revistou o auge de seu personagem Tiazinha. A atriz expõe como a imagem pública criou feridas nos bastidores e apagou sua própria identidade.
“A personagem ficou muito maior do que eu”, resumiu Suzana em entrevista ao Sensacional, da RedeTV! A personagem ganhou projeção no Programa H, atração da Band voltada ao público jovem masculino, no qual ela participava de jogos com os rapazes.
Suzana contou que deixou de sentir que tinha voz sobre a própria imagem e carreira. Em vez de ser reconhecida pelo nome, passou a ser abordada pelo apelido e pelo estereótipo construído na televisão.
O mesmo processo atingiu suas relações. Ela afirmou ter percebido interesses ao redor da fama, confiado em contratos e se sentido manipulada. A diversão imaginada no início deu lugar ao isolamento e à dificuldade de distinguir vínculos sinceros.
A ferida nos bastidores
O episódio mais delicado ocorreu com a chegada da Feiticeira, interpretada por Joana Prado. Suzana relatou que soube da estreia no camarim, cerca de cinco minutos antes da entrada ao vivo. A forma como a decisão foi comunicada a fez chorar.

A atriz deixou claro que a mágoa não era dirigida a Joana. O sentimento de traição, segundo ela, estava ligado à direção do Programa H e a Luciano Huck, então apresentador. O incômodo vinha menos da nova personagem e mais da ausência de diálogo.
Suzana negou que as duas tenham protagonizado uma briga. Elas não mantinham proximidade, mas tampouco discutiram. “A mídia criou essa rivalidade”, afirmou na mesma entrevista, ao separar o conflito produzido para o público do que teria ocorrido entre elas.

O tamanho do fenômeno
O Programa H estreou em 1996 e a Tiazinha se tornou um dos símbolos da fase comandada por Huck, enquanto Feiticeira foi apresentada como sua “amiga” dentro da atração.
O alcance ultrapassou o estúdio. Suzana lançou o álbum Tiazinha Faz a Festa, que vendeu mais de 250 mil cópias, e estrelou a série As Aventuras de Tiazinha, exibida até março de 2000.

Por isso, afastar-se não significou apenas trocar de trabalho. Suzana precisou reconstruir uma identidade pública absorvida por uma marca. O relato atual mostra que o êxito comercial coexistiu com uma sensação íntima de apagamento.
Vida além da máscara
A entrevista também divulgou a autobiografia Por Trás da Máscara, lançada em abril de 2026. Na obra e em aparições recentes, Suzana revisita a fase da Tiazinha sem negar sua importância, mas recusando que ela resuma toda a trajetória.
Hoje, ela trabalha como escritora e palestrante, estuda Psicologia e produz conteúdo cristão. A personagem deixa de falar por ela e passa a ser um capítulo contado com sua própria voz.







