Toy Story 5 reinventa a franquia e abre debate sobre hiperexposição tecnológica e adultização de crianças, entrando em sinergia com estudos sobre o tema

Conflito entre Lilypad e os brinquedos mostra o dilema da exposição tecnológica infantil em crianças em nuances tanto positivas quanto negativas

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A luta entre brinquedos e dispositivos é uma materialização do debate sobre telas na infância (Foto: Divulgação / IMDb)

Em Toy Story 5, Woody, Buzz Lightyear e Jessie enfrentam uma adversária diferente: Lilypad, um tablet inteligente que passa a concentrar a atenção de Bonnie. Apesar de a animação ser infantil, ela trata de um dos temas mais caros da atualidade: crianças e telas.

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Nova entrada da Disney-Pixar explora as nuances da hiperxposição tecnológica inserida na vida de uma criança, desde aspectos cognitivos até socialização. Tema esse que, recentemente, foi objeto de diversos estudos.

O que a ciência encontrou sobre as telas?

Diversos trabalhos foram desenvolvidos sobre o tema e, para sintetizá-los, foi realizada uma revisão sistemática e meta-análise, publicada em 2024 na revista JAMA Pediatrics. Ela reuniu cerca de 100 pesquisas com mais de 176 mil crianças menores de 6 anos.

Os pesquisadores analisaram diversos fatores associados ao uso de tecnologia:

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  • Tempo de exposição às telas
  • Tipo de conteúdo assistido
  • Uso acompanhado de adultos
  • Televisão ligada ao fundo
  • Presença de celulares em ambiente familiar

Dentre os resultados negativos mais relevantes estavam danos às habilidades cognitivas devido à exposição frequente a vídeos e televisão de fundo. Dentre as habilidades testadas estavam : linguagem, funções executivas e desempenho acadêmico inicial.

Além da cognição, resultados psicossociais negativos também foram registrados em crianças expostas a conteúdos inadequados para a sua idade, como conteúdo com cunho sexual ou violento. 

Porém, nem todos os resultados foram negativos; o uso compartilhado de redes entre crianças e cuidadores demonstrou resultados positivos de desenvolvimento cognitivo e de habilidades socioafetivas. 

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Os autores destacam como o uso compartilhado e direcionado pode ser utilizado de maneira positiva, em vez de apenas ceder a tecnologia e deixar a criança “à deriva”.

Socialização nesse cenário

Uma criança desenvolve habilidades sociais ao participar de interações que exigem resposta. Ela observa expressões, aguarda a própria vez, percebe mudanças no tom de voz e adapta seu comportamento conforme a reação do outro.

O risco aumenta quando o aparelho deixa de complementar as relações e passa a substituí-las. Nesse cenário, a criança recebe estímulos constantes, mas encontra menos oportunidades para escutar, argumentar ou lidar com pequenas frustrações.

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“O uso excessivo das mídias digitais está associado ao aumento de sintomas de ansiedade, depressão, estresse, irritabilidade, sensação de solidão e isolamento.”

Cristiane Von Werne Baes, psiquiatra da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, resumiu ao Jornal do Campus

A cognição reúne processos usados para prestar atenção, lembrar informações, compreender palavras, planejar ações e resolver problemas. Durante a infância, essas capacidades se desenvolvem principalmente por meio da prática.

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Uma brincadeira simples exige que a criança imagine uma situação, escolha objetos, mantenha uma sequência de acontecimentos e mude o plano quando algo não funciona. Ela precisa atuar, não apenas acompanhar imagens prontas.