A turnê de Ed Sheeran ganhou uma nova reviravolta nesta terça-feira (15), quando Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga anunciaram que não participarão mais dos próximos shows da “Loop Tour”. A decisão veio um dia depois de Macklemore ser retirado da programação, após manifestações do rapper em apoio aos palestinos.
Entre os artistas que deixaram a turnê está Finneas, que estava escalado para abrir os shows de Ed Sheeran em São Paulo, marcados para os dias 5 e 6 de dezembro. A banda Beoga também tinha uma participação, já que, além da abertura, acompanhava o cantor em alguns momentos do show.
“Artistas não devem ser silenciados quando se manifestam em defesa dos oprimidos. Decidi deixar as próximas datas da minha turnê com Ed Sheeran.
Estou ao lado da Palestina e de seu povo.“
— Finneas
A saída dos quatro artistas aconteceu depois que os organizadores anunciaram que Macklemore não faria mais parte das próximas apresentações. O rapper participaria de oito dos dez shows restantes da etapa norte-americana, mas, segundo os promotores, alguns locais informaram que não receberiam as apresentações caso ele continuasse na programação.
Artistas se manifestam contra decisão
Ao explicar a decisão, Finneas afirmou nas redes sociais que artistas não deveriam ser silenciados por se manifestarem contra a opressão e declarou apoio à Palestina. O cantor Aaron Rowe disse que não conseguiria continuar na turnê depois do que aconteceu com Macklemore, apesar da relação de amizade e da importância de Ed Sheeran em sua carreira.
Lukas Graham também anunciou a saída e defendeu o direito de artistas se manifestarem sobre guerras e mortes de civis. A banda agradeceu pela oportunidade de participar da turnê, mas decidiu não seguir com as apresentações.
O caso envolvendo Macklemore começou após os shows do rapper no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos dias 4 e 5 de setembro. Durante uma das apresentações, ele falou em apoio aos palestinos, exibiu imagens relacionadas à guerra e apresentou Hind’s Hall, música de protesto lançada por ele.
Na segunda-feira (14), os promotores comunicaram a saída do artista e afirmaram que sua permanência poderia levar ao cancelamento de algumas das próximas apresentações. Nesta terça-feira, Ed Sheeran se pronunciou e disse que a decisão de retirar Macklemore partiu dos promotores, e não dele.
“Fico chocado com o conflito entre Israel e Palestina. O sofrimento e a dor causados por ambos os lados são uma tragédia humana. Há muitas guerras ao redor do mundo causando dor imensurável, nenhuma das quais deveria ser tolerada.
O Macklemore pediu para entrar na minha turnê no ano passado e eu concordei, porque o respeito como artista. Como acontece com todos os meus atos de abertura, concordo que eles toquem o repertório que escolherem.
Após as performances de Macklemore nos meus shows em Nova Jersey, os locais das minhas próximas datas de turnê comunicaram que cancelariam os shows se ele continuasse participando como ato de apoio. Fui informado de que essa postura era baseada em como Macklemore transmitiu parte de sua mensagem durante sua apresentação, e não em tudo o que foi dito. Conversei longamente com os locais durante toda a semana para tentar construir uma ponte. Uma dessas pessoas foi Robert Kraft. Também estive envolvido em conversas diretas com promotores, juntamente com ativistas de ambos os lados, para tentar encontrar uma resolução mútua para todos, mas a decisão do local e do promotor foi final.
A saída do Macklemore da turnê foi uma decisão do promotor, não minha. O contrato do Macklemore para a turnê era com o promotor, não comigo. Eu nunca decepcionaria os fãs que fizeram planos, nem abandonaria a equipe de turnê e os outros artistas de apoio e músicos que dependem de mim para trabalhar e ganhar a vida.
Sempre usei minha plataforma e música para unir pessoas de todas as origens e culturas, e isso nunca vai mudar. Quem já foi a um dos meus shows sabe que eles são sobre união, alegria, escapismo, amor e um lugar onde todos se sintam bem-vindos.
Não sou cúmplice. Tenho minhas opiniões pessoais sobre este conflito devastador. Só porque escolho não falar publicamente, não significa que não as tenha, e não significa que não me importe. Nem significa que eu não apoie causas à minha própria maneira pessoal.
Há um motivo pelo qual não uso minha plataforma profissional para a política — meu público inclui jovens, frequentemente crianças, de todas as origens. Quem vai aos meus shows não espera um fórum político. Respeito a força de propósito do Macklemore de se levantar e gritar pelo que ele acredita. No entanto, há espaço para múltiplas abordagens para o mesmo fim: a paz. Escolho usar minha fama e plataforma para ser um lugar de segurança e santuário, para manter a diplomacia e manter as conversas abertas, não fechadas. Se focarmos apenas em gritar o mais alto possível, nada jamais mudará. Existem diferentes abordagens para ser um defensor da mudança.
Passei esta semana tentando construir pontes, encontrar uma solução e, infelizmente, não consegui fazê-lo. Sei quem sou, tanto como pessoa quanto como artista, e aqueles que conhecem meu coração conhecem meus valores também.“
Ed
