Warner engavetou filme pronto para economizar impostos; 3 anos depois, ele vira um dos mais elogiados de 2026 

Coyote vs. Acme custou cerca de US$ 70 milhões, quase desapareceu sem chegar ao público e agora estreia nos cinemas cercado de elogios

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Coiote leva a Acme aos tribunais depois de anos sofrendo com produtos defeituosos usados nas tentativas de capturar o Papa-Léguas (Foto: Divulgação/Warner Bros./Ketchup Entertainment)

Coiote leva a Acme aos tribunais depois de anos sofrendo com produtos defeituosos usados nas tentativas de capturar o Papa-Léguas (Foto: Divulgação/Warner Bros./Ketchup Entertainment)

Em novembro de 2023, Coyote vs. Acme já estava pronto quando recebeu um destino pouco comum até para os padrões de Hollywood. A Warner Bros. Discovery decidiu que o filme não seria lançado e pretendia contabilizar a produção como uma baixa fiscal, apesar dos cerca de US$ 70 milhões investidos e das avaliações positivas obtidas em sessões de teste.

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O anúncio provocou reação imediata dentro e fora do estúdio. Profissionais da indústria criticaram a possibilidade de um longa finalizado simplesmente desaparecer, enquanto o diretor Dave Green contou publicamente que havia trabalhado durante três anos na produção e destacou a boa resposta recebida nas exibições experimentais.

Por algum tempo, parecia que o público jamais descobriria se aquela confiança fazia sentido. A Warner voltou atrás parcialmente, autorizou a busca por compradores, mas as primeiras negociações terminaram sem acordo e deixaram o filme novamente sem previsão de chegar aos cinemas.

Quase três anos depois, a situação é outra. Coyote vs. Acme estreia no Brasil nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, distribuído pela Paris Filmes, depois de ter sido adquirido internacionalmente pela Ketchup Entertainment.

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As primeiras críticas ainda acrescentaram um capítulo inesperado ao caso. Nesta terça-feira, 25 de agosto, o longa aparece com 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, a partir de 93 avaliações, índice que o coloca entre os lançamentos mais bem recebidos do período.

O Hollywood Reporter foi além e classificou a produção como uma das melhores combinações de animação e live-action, elogiando principalmente o humor e o componente emocional da história. A recepção não é unânime, mas está muito distante da trajetória de um filme que, três anos antes, corria o risco de nunca ser mostrado ao público.

Coiote vai ao tribunal

A premissa aproveita décadas de perseguições frustradas ao Papa-Léguas para fazer uma pergunta que os desenhos nunca levaram tão a sério: e se o problema não fosse o Coiote, mas os produtos que ele comprava?

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Depois de acumular explosões, quedas, engenhocas quebradas e armadilhas que se voltam contra ele, Wile E. Coyote decide responsabilizar a fabricante Acme pelos equipamentos defeituosos usados em suas tentativas de capturar o rival.

Para enfrentar a empresa, ele procura Kevin Avery, advogado vivido por Will Forte. O profissional também atravessa uma fase ruim na carreira e acaba diante de um adversário conhecido quando descobre que a Acme será representada por Buddy Crane, personagem de John Cena.

Lana Condor, Tone Bell, P.J. Byrne e Luis Guzmán também aparecem no elenco. Além do Coiote e do Papa-Léguas, outros personagens dos Looney Tunes passam pela história, incluindo Pernalonga, Patolino, Piu-Piu e Gaguinho.

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Uma piada antiga

A história não nasceu diretamente para o cinema. Sua principal inspiração é “Coyote v. Acme”, texto satírico publicado por Ian Frazier na revista The New Yorker em 1990, que tratava com linguagem jurídica as inúmeras lesões sofridas pelo Coiote ao usar produtos da companhia fictícia.

O desenvolvimento de uma adaptação começou formalmente na Warner em 2018. Dave Green assumiu posteriormente a direção, enquanto Samy Burch ficou responsável pelo roteiro, a partir de uma história desenvolvida com James Gunn e Jeremy Slater.

A proposta cresceu para além de uma sequência de piadas dos desenhos. O processo contra a Acme permitia aproximar o humor físico dos Looney Tunes de uma comédia de tribunal, ao mesmo tempo em que o vínculo entre Coiote e seu advogado dava espaço para uma história mais emocional.

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O resultado mistura personagens animados com atores reais, fórmula que imediatamente lembra produções como Uma Cilada para Roger Rabbit. A própria estrutura jurídica também aproxima o longa de dramas sobre pessoas comuns enfrentando grandes corporações.

Warner desiste do filme

As filmagens com atores aconteceram em 2022, no Novo México, e a produção chegou à fase final com orçamento estimado em aproximadamente US$ 70 milhões. O lançamento, porém, foi atingido pelas mudanças de estratégia realizadas dentro da Warner Bros. Discovery.

Em novembro de 2023, veio a decisão de não lançar Coyote vs. Acme. A empresa pretendia aproveitar benefícios fiscais ao contabilizar o projeto como perda, estratégia que já havia colocado outras produções concluídas, como Batgirl e Scoob! Holiday Haunt, em situação semelhante.

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O caso ganhou repercussão justamente porque o filme estava terminado. Não se tratava de um projeto interrompido no roteiro ou durante as filmagens, mas de uma produção praticamente pronta que já havia passado por sessões de teste.

Diante da reação, a Warner permitiu que o longa fosse oferecido a outras empresas. Netflix, Amazon e Paramount estiveram entre as interessadas, segundo o TheWrap, mas nenhum acordo foi fechado naquele momento. A publicação informou que a Warner buscava algo entre US$ 75 milhões e US$ 80 milhões pelos direitos.

Resgate veio em 2025

O cenário só mudou de forma definitiva no ano seguinte. Em março de 2025, a Ketchup Entertainment avançou sobre os direitos de distribuição, em um negócio estimado em cerca de US$ 50 milhões.

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A empresa já tinha uma relação recente com os Looney Tunes. Pouco antes, havia distribuído The Day the Earth Blew Up: A Looney Tunes Movie, outra produção ligada à Warner que havia buscado uma nova distribuidora.

Com a aquisição, Coyote vs. Acme deixou de ser um filme sem destino para ganhar lançamento internacional nos cinemas. Nos Estados Unidos, a estreia foi marcada para 28 de agosto; no Brasil, a Paris Filmes confirmou a chegada um dia antes, em 27 de agosto.

Crítica abraçou o Coiote

As avaliações começaram a circular antes da estreia norte-americana e mudaram novamente a percepção sobre o projeto. O Rotten Tomatoes registra atualmente 96% de aprovação entre os críticos, com 93 textos contabilizados.

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Entre as avaliações mais entusiasmadas está a do Hollywood Reporter, que destacou a combinação entre comédia e emoção e colocou o filme entre os melhores híbridos de live-action e animação. O Financial Times deu quatro estrelas e também elogiou a maneira como a produção aproveita o histórico dos personagens.

Nem todas as análises seguiram nessa direção. A Variety, por exemplo, considerou que o longa não reproduz completamente a energia caótica dos desenhos clássicos, embora reconheça qualidades na comédia e nas participações dos personagens.

Ainda assim, o conjunto das avaliações cria um contraste difícil de ignorar com a decisão tomada em 2023. A produção que poderia ter desaparecido sem lançamento comercial chega aos cinemas com uma das maiores notas de aprovação entre os títulos desta reta final de agosto.

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História encontrou o filme

Há ainda uma coincidência difícil de separar da experiência de assistir ao longa. Dentro de Coyote vs. Acme, um personagem acostumado a perder decide enfrentar judicialmente uma grande empresa depois de anos sofrendo com seus produtos.

Nos bastidores, uma produção concluída também ficou presa a uma decisão corporativa, passou meses sem destino e precisou encontrar outra empresa para conseguir chegar ao público.

Dave Green e integrantes da equipe passaram esse período defendendo que o filme merecia ser visto. Agora, com a estreia brasileira marcada para 27 de agosto, o público finalmente poderá avaliar a produção que quase terminou sua trajetória dentro dos arquivos da Warner.