O câncer de mama ainda é a primeira causa de morte por câncer entre as mulheres brasileiras, com cerca de 18 mil óbitos por ano, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Quando descoberta cedo, a doença tem alta chance de cura, muitas vezes acima de 90%. É por isso que, todo mês de outubro, ruas, prédios e monumentos de todo o país se iluminam de rosa, e as redes sociais e os espaços de comunicação recebem mensagens sobre a saúde feminina. Durante o Outubro Rosa, esses simbolismos fortalecem mensagens sobre autocuidado, prevenção e tratamento.
Iniciada no país em 2002, a campanha ganhou espaço ao longo das últimas duas décadas e ajudou a ampliar o debate sobre a doença. Com o passar dos anos, o rosa passou a representar uma mobilização permanente em torno da saúde das mulheres.
A mastologista Clarissa Amaral, médica cooperada que atua no Hospital da Unimed Grande Florianópolis, explica a evolução alcançada desde a chegada da campanha ao Brasil. Segundo ela, a maior visibilidade da campanha de prevenção ao câncer de mama contribuiu para ampliar o conhecimento sobre a doença.
Esse acompanhamento, segundo ela, envolve diferentes etapas. Desde o rastreamento, realizado em mulheres sem sintomas para identificar sinais iniciais da doença, até o diagnóstico e o tratamento, as informações contribuem para que mais mulheres busquem atendimento médico.
Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura
Entre os principais avanços médicos das últimas décadas, está a possibilidade de identificar tumores cada vez menores. Segundo a mastologista, lesões que atualmente são detectadas em exames poderiam passar despercebidas há cerca de 25 anos. A identificação precoce muda o prognóstico e contribui para a redução da mortalidade, especialmente entre mulheres de 40 a 49 anos.
— É certo que demos grandes passos e isso é muito importante. Porém, ainda temos desafios grandes a vencer, como o medo e a negação. Muitas mulheres adiam a mamografia, não por falta de informação, mas porque têm receio do que o exame pode mostrar — avalia Clarissa.
A médica também explica que ainda há dificuldades relacionadas ao acesso aos exames no sistema público de saúde. Ainda de acordo com ela, muitas pacientes enfrentam a demora entre a identificação de uma suspeita e o início do tratamento.
Entre as mulheres que passam por mais obstáculos no diagnóstico, estão aquelas que trabalham e têm dificuldade para se ausentar, mães sobrecarregadas que colocam a família em primeiro lugar e mulheres com menor escolaridade ou em situação de vulnerabilidade. A falta de rede de apoio e de transporte também pode dificultar a chegada aos serviços de saúde. passado da idade de se cuidar.
— Também vejo muita dificuldade entre mulheres mais velhas, que acham que já passaram da idade de se cuidar, e é justamente nessa fase que o risco aumenta. Por isso, a mensagem precisa ser acolhedora: se cuidar não é egoísmo, é amor pela própria vida e pela família —, afirma.
Quando identificado precocemente, o câncer de mama apresenta altas taxas de cura, que podem superar 90% em determinados casos. Por isso, é muito importante que as mulheres conheçam cada vez mais sobre diagnóstico, tratamento e prevenção.
— O que mata não é o câncer, é a demora. Então, se você está lendo isto, pergunte a si mesma quando foi a última vez que você se cuidou? Marque sua consulta, faça sua mamografia, escute seu corpo. Seu autocuidado é o presente mais valioso que você pode dar a você e a quem te ama. Neste Outubro, não espere o sintoma aparecer. Cuide-se hoje — orienta a médica.
Autocuidado também faz parte da prevenção
O Outubro Rosa está entre as principais ações no calendário da Unimed Grande Florianópolis. A cooperativa médica foca parte das iniciativas na prevenção, com estímulo a hábitos saudáveis e à atenção com a própria saúde.
Para o presidente da Unimed Grande Florianópolis, Dr. Ademar Paes Junior, a evolução no combate ao câncer de mama demonstra a importância da atuação conjunta em diferentes etapas do cuidado.
— A evolução no combate ao câncer de mama nas últimas décadas tem muito a nos ensinar e motivar, pois é a demonstração do que se pode fazer quando nos unimos em benefício da saúde, desde o cuidado para o diagnóstico precoce até o acolhimento das pacientes em tratamento. É nisso que acreditamos e queremos multiplicar como lideranças no ecossistema da saúde — afirma.
Dados mostram a necessidade de atenção
Segundo o INCA, o Brasil deve registrar cerca de 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2026-2028. Em Santa Catarina, a estimativa é de aproximadamente 4,4 mil novos casos anuais. O Estado possui uma das maiores taxas de incidência da doença no país.
Outro ponto de atenção é a ocorrência da doença entre mulheres mais jovens. Segundo os dados apresentados pela especialista, uma em cada três pacientes diagnosticadas tem menos de 50 anos.
— Em mulheres jovens, o câncer de mama tende a ser biologicamente mais agressivo, justamente porque o tecido mamário é mais denso e o diagnóstico costuma chegar mais tarde. Isso não significa pânico, mas pede atenção. A mulher jovem não pode ignorar um nódulo porque é nova demais para ter câncer — explica Clarissa.
Qualquer alteração nas mamas, independentemente da idade, deve ser avaliada por um profissional de saúde. Mulheres com histórico familiar importante de câncer de mama ou de ovário também podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo, de acordo com a avaliação do mastologista.
Hábitos ajudam a reduzir os riscos
Não existe uma forma de prevenir 100% dos casos de câncer de mama. No entanto, alguns hábitos podem contribuir para reduzir os riscos, o que faz parte da prevenção de risco.
Entre as principais recomendações, estão:
- manter uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras e fibras;
- praticar atividade física regularmente;
- manter o peso adequado e evitar a obesidade, principalmente após a menopausa;
- evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
- não fumar;
- conhecer o próprio corpo e procurar atendimento diante de alterações nas mamas.
O rastreamento também tem papel importante na identificação precoce da doença e deve seguir a orientação médica e as recomendações adotadas para cada faixa etária e perfil de risco.
Tratamento evoluiu nas últimas décadas
Além do diagnóstico, os tratamentos disponíveis para o câncer de mama também passaram por mudanças importantes. De acordo com Clarissa, atualmente, muitas pacientes conseguem controlar a doença por longos períodos, com qualidade de vida durante e depois do tratamento.
— Há 25 anos, tínhamos basicamente cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Hoje, temos uma medicina muito mais precisa e com resultados muito melhores — afirma.
Hoje, conforme explica a médica, as cirurgias são cada vez menos invasivas e preservam a mama sempre que possível. As terapias-alvo e a imunoterapia atacam especificamente as células do tumor, com menos efeitos colaterais. Os tratamentos neoadjuvantes, que reduzem o tumor antes da operação, permitem cirurgias menores. Ainda, estão disponíveis testes genéticos e moleculares, que ajudam a escolher a melhor terapia para cada caso.
Quando procurar um mastologista
Manter um acompanhamento com um especialista pode ajudar a identificar alterações e definir a melhor estratégia de investigação ou rastreamento. O mastologista é responsável por avaliar as condições das mamas, interpretar exames e indicar a necessidade de outros procedimentos quando houver alguma suspeita.
A recomendação é procurar atendimento diante de alterações como nódulos, secreção pelo mamilo, mudanças na pele ou no formato da mama. Mulheres com histórico familiar de câncer de mama ou ovário também devem conversar com um especialista para avaliar o risco individual e definir quando iniciar o acompanhamento. Ainda, mulheres que desejam orientação ou têm dúvidas também podem buscar esse profissional.
Para Clarissa, o ideal é que o mastologista faça parte do acompanhamento regular da saúde das mamas, e não seja procurado somente diante de um problema.
— O ideal é que a mulher tenha o mastologista como médico de referência para a saúde das mamas, e não apenas como alguém a quem se recorre quando já existe um problema — afirma.
Diante de qualquer dúvida ou alteração, a orientação é procurar atendimento. O diagnóstico precoce é uma das principais ferramentas para aumentar as chances de tratamento bem-sucedido.
