Uma parceria entre a Prefeitura de Florianópolis e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) está ampliando a coleta de resíduos orgânicos de bares e restaurantes do Centro da Capital. Desde o início da operação, que iniciou em 14 de abril, até julho deste ano, foram recolhidas mais de 26 toneladas de restos de alimentos, que receberam destinação para compostagem. A iniciativa reúne 52 estabelecimentos e foi estendida ao Centro Oeste em 17 de agosto.
O projeto surgiu de uma articulação entre o Núcleo Centro Histórico da CDL Florianópolis e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, com o objetivo de facilitar a separação e a destinação adequada dos resíduos produzidos pelos estabelecimentos comerciais.
O volume recolhido apresentou crescimento mês a mês. Em abril, foram coletadas 3,65 toneladas, passando para 4,83 toneladas em maio e 8,24 toneladas em junho. Em julho, a operação alcançou 9,33 toneladas, um aumento de aproximadamente 13% em relação ao mês anterior e o maior volume mensal registrado até então.
Ao todo, foram recolhidas 26,05 toneladas nos quatro primeiros meses da iniciativa. O resultado corresponde aos dados disponíveis até julho e não inclui os volumes posteriores à ampliação para o Centro Oeste.
Como funciona a coleta de resíduos orgânicos
Os bares e restaurantes participantes são responsáveis por separar os restos de alimentos gerados durante suas atividades e armazená-los em recipientes adequados até a passagem das equipes de coleta.
O recolhimento ocorre três vezes por semana, às terças, quintas e sábados, em uma operação específica para os resíduos orgânicos. Um dos principais desafios identificados no início do projeto foi a dificuldade dos estabelecimentos em armazenar corretamente o material até o momento da coleta.
Para solucionar o problema, o Núcleo Centro Histórico da CDL organizou uma compra coletiva de bombonas com tampas herméticas. A medida permitiu reduzir os custos para os empresários e garantir recipientes adequados, que ajudam a evitar vazamentos e odores.
Com a ampliação para o Centro Oeste, o projeto passou a contemplar uma área maior da região central. A nova etapa segue o modelo implantado no Centro Leste, com cadastramento dos estabelecimentos, orientações sobre a separação dos resíduos e organização da rotina de recolhimento.
A iniciativa também prevê ações de educação ambiental para orientar os empresários sobre o armazenamento e a destinação correta dos restos de alimentos.
Restos de alimentos são transformados em adubo
Após o recolhimento, os resíduos orgânicos são encaminhados ao Centro de Valorização de Resíduos (CVR), no Itacorubi, onde passam pelo processo de compostagem. Nesse procedimento, os restos de alimentos são transformados em composto orgânico, material que pode ser utilizado para melhorar as condições do solo e contribuir para o desenvolvimento de plantas e árvores.
A proposta é que o adubo produzido a partir dos resíduos dos estabelecimentos comerciais retorne à região central de Florianópolis, sendo utilizado no plantio e na manutenção da vegetação.
A iniciativa permite aproveitar materiais que, sem a separação adequada, poderiam ser encaminhados ao aterro sanitário, além de contribuir para a redução da quantidade de resíduos destinados à disposição final.
Adubo deverá ser utilizado na arborização do Centro Leste
O composto orgânico produzido também deverá contribuir para o projeto Viva a Cidade Arborizada, desenvolvido pela CDL Florianópolis e executado pela Arboran. A iniciativa busca ampliar a arborização do Centro Leste, melhorar as condições ambientais dos espaços públicos e contribuir para a redução das ilhas de calor, fenômeno associado à concentração de superfícies impermeáveis e à pouca presença de vegetação em áreas urbanas.
O projeto já foi lançado e teve sua primeira árvore plantada no Calçadão João Pinto. A continuidade dos plantios, no entanto, depende da conclusão de análises técnicas pelos órgãos municipais.
Após avaliação da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), a proposta foi encaminhada ao Serviço do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural do Município (Sephan), já que o Centro Leste integra uma área de preservação histórica de Florianópolis.
A análise deverá estabelecer as adequações necessárias para intervenções nas calçadas, meios-fios e paralelepípedos antes da realização dos próximos plantios.
Com o avanço dessa etapa, o composto orgânico poderá ser incorporado ao solo e reaplicado periodicamente, auxiliando no desenvolvimento das árvores e dos jardins.
A integração entre a coleta de resíduos e o projeto de arborização busca criar um ciclo de reaproveitamento dentro da própria região: os restos de alimentos produzidos pelos estabelecimentos comerciais são destinados à compostagem e poderão retornar ao Centro na forma de adubo para os espaços públicos.
Conforme Lei nº 10.199, a Prefeitura informa que a produção deste conteúdo não teve custo e sua veiculação custou em média R$ 2.550,00.
