Santa Catarina vive um momento histórico no setor imobiliário. Em 2025, o estado se consolidou como o segundo maior mercado do país e o que mais cresce no Brasil, com aumento de 94% nos lançamentos de imóveis desde 2021, segundo estudo da Brain para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Quatro das cinco cidades mais valorizadas do país (Balneário Camboriú, Itapema, Itajaí e Florianópolis) são catarinenses, de acordo com o índice FipeZap. No primeiro trimestre de 2025, os lançamentos estaduais representaram 73,5% de toda a região Sul.
Apesar dos números positivos, o crescimento acelerado traz desafios para o mercado imobiliário. O Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (CRECI-SC) alerta que, sem qualificação, fiscalização robusta e mudanças na lei, o mercado corre risco de golpes e insegurança jurídica.
— Estamos diante de um momento histórico. O mercado catarinense nunca foi tão relevante e isso exige respostas imediatas. Não basta comemorar os números: precisamos de mecanismos de proteção para o consumidor e de valorização da profissão — afirma Marcelo Brognoli, presidente do CRECI-SC.
Instituição atua para combater clandestinos
Para alertar sobre os riscos da presença de clandestinos, atuando sem registro profissional em Santa Catarina, o Conselho lançou a campanha “O mercado imobiliário que mais cresce no Brasil exige excelência profissional: corretor de imóveis”. O movimento pede a aprovação do PL 3614/2015, que transforma em crime o exercício ilegal da profissão.
Atualmente, a atividade sem registro é considerada apenas contravenção penal, com punições brandas que não refletem os danos financeiros causados por corretores clandestinos. Desde 2022, o CRECI-SC autuou mais de 5 mil contraventores, mas os índices de reincidência continuam altos devido à falta de penalidades efetivas.
— Na medicina, o exercício ilegal é crime porque oferece riscos severos à sociedade. Na corretagem, embora não haja risco físico, estamos falando do patrimônio de uma vida, das economias de famílias. Um corretor clandestino pode vender imóveis inexistentes, forjar documentos ou conduzir transações fraudulentas, causando perdas irreparáveis — comenta o presidente da instituição.
Segundo ele, o objetivo da criminalização é proteger cidadãos e fortalecer a confiança no setor. Corretores credenciados oferecem segurança por estarem sob fiscalização, seguir código de ética e estarem sujeitos a processos disciplinares, enquanto profissionais ilegais atuam na informalidade, sem responsabilidade ou punição.
Com VGV de R$ 41,9 bilhões em 2024, um aumento de 108% sobre 2021, Santa Catarina atrai investimentos e movimenta bilhões na economia local. Segundo a instituição, aumentar a fiscalização para evitar o exercício ilegal da profissão fortalece a confiança pública e garantindo que investidores e compradores negociem com profissionais habilitados.
Além disso, a medida também promove estabilidade econômica, gera empregos e assegura concorrência justa para os corretores legais.
— A criminalização não visa punir a categoria, mas valorizar a profissão, reconhecer seu papel essencial no mercado e proteger a sociedade. É hora de atualizar a lei e oferecer um ambiente seguro para todos — reforça Brognoli.
Investimento em qualificação
Para acompanhar o crescimento do mercado, o CRECI-SC também foca em valorizar a qualificação profissional. Hoje, cerca de 60% dos corretores possuem curso superior – 10% em Gestão de Negócios Imobiliários e 50% em outras áreas. Por isso, a gestão atual lançou a primeira pós-graduação voltada para corretores, em parceria com o UNICESUSC, com aulas a partir de setembro.
Além disso, o CRECI-SC também oferta 13 cursos gratuitos EAD, palestras e uma Imersão Imobiliária, que acontece em Itajaí e é destinada à capacitação de novos profissionais.
Segundo o Conselho, a educação continuada é estratégica para ampliar oportunidades, fortalecer a atuação no mercado e elevar o padrão de qualidade dos serviços prestados. A Junta de Conciliação (JUCON), composta por corretores experientes, também foi criada para mediar conflitos de forma ágil e preventiva.
Fiscalização estratégica
O CRECI-SC investe em fiscalização e inteligência de dados para identificar padrões e antecipar riscos. Desde 2022, a equipe de fiscais cresceu de 9 para 17 profissionais, o que permitiu o acompanhamento de mais de 100 mil pessoas em três anos. Ao crescer os investimentos, a instituição garantiu um aumento de 342% nas ações de fiscalização. A frota de veículos foi também foi renovada, para que o órgão atue em todas as regiões do estado.
Além disso, a organização focou em estabelecer parcerias com o CRECI-PR, PROCON-SC e o Ministério Público, em Itapema, para atuar de forma integrada na prevenção de fraudes e na proteção do consumidor. As iniciativas visam promover fiscalização, orientação e campanhas de conscientização.
Foco é orientar os consumidores
Além de promover ações que direcionem a atenção pública para a importância de fiscalizar o mercado, a gestão atual do CRECI-SC também tem investido em capacitar os consumidores. Já foi criado,por exemplo, o Guia Prático, um manual com dicas para negociações imobiliárias, disponível no site do CRECI-SC.
Ainda, o Conselho disponibiliza aos corretores o Clube de Benefícios, uma medida que ampliou as vantagens oferecidas para os profissionais que estão registrados junto ao órgão. Dezenas, dos mais de 300 parceiros, são instituições de ensino que oferecem descontos em cursos de capacitação.
