Como é o jeito catarinense de morar? Arquitetos da CASACOR SC revelam suas inspirações 

Projetos premiados na edição de 30 anos da mostra traduzem memórias, paisagens, tradições e hábitos de Santa Catarina em ambientes contemporâneos

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Profissionais premiados na CASACOR SC 2026 reunidos durante a cerimônia de entrega dos reconhecimentos da mostra. Os projetos destacam diferentes interpretações do morar contemporâneo, valorizando identidade, memória, inovação e design catarinense. (Foto: Lio Simas.)

A arquitetura tem o poder de materializar sentimentos, memórias e modos de viver. Em Santa Catarina, onde natureza, tradição e contemporaneidade convivem em harmonia, esse olhar ganha ainda mais significado. Na edição que celebra os 30 anos da CASACOR SC, os ambientes premiados pelo Prêmio CASACOR SC | Univali 2026 revelam diferentes interpretações sobre a identidade catarinense e as características que moldam a forma de habitar no Estado. 

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Realizado durante a CASACOR SC Florianópolis 2026, o prêmio avaliou os projetos a partir do tema nacional da mostra, “Mente e Coração”, reconhecendo ambientes capazes de ir além da estética e promover bem-estar, acolhimento, conexão emocional e sustentabilidade. 

Para entender como a arquitetura pode refletir a cultura local, o NSC Total conversou com profissionais que tiveram seus trabalhos reconhecidos nesta edição.

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Memória e pertencimento inspirados pela Serra Catarinense

Grande vencedor da premiação, o arquiteto Leonardo Simões, autor do ambiente Living Raízes da Serra, buscou na Serra Catarinense uma das principais referências para construir seu projeto. 

Mais do que reproduzir elementos típicos da região, a proposta foi traduzir sensações associadas ao território catarinense, como acolhimento, contemplação da natureza e pertencimento. 

A madeira escura, a pedra natural em tons profundos de verde, os revestimentos claros e a iluminação quente criam uma atmosfera acolhedora e sofisticada, inspirada nas paisagens, texturas e memórias afetivas da serra. O projeto busca trazer essa referência de maneira contemporânea, sem recorrer à representação literal. 

O pinhão, símbolo da serra e presente no imaginário afetivo de muitos catarinenses, surge como um dos protagonistas do espaço, representando origem, memória, transformação e continuidade: uma semente que carrega em si o potencial de uma nova vida.   

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Além disso, materiais naturais, iluminação acolhedora e uma composição que equilibra racionalidade e emoção ajudam a construir a narrativa do ambiente.

O valor do design brasileiro 

No segundo lugar da premiação, o ambiente Limiar Deca, assinado por Mariana Maïsonnave, propõe uma reflexão sobre a forma como os brasileiros e, especialmente, os catarinenses se relacionam com os espaços que habitam. 

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O projeto valoriza matérias-primas naturais, a incidência da luz e a presença de peças icônicas do design nacional. 

Entre sombra e luz, obra autoral e design brasileiro, o Limiar Deca propõe uma experiência de passagem. Um olhar contemporâneo que reúne o melhor do design brasileiro, trazendo peças ícones modernistas com peças atuais, em uma composição harmônica. A nova proposta preserva a sensibilidade que tornou reconhecível o trabalho do escritório. Cada escolha convida a olhar com mais atenção para a luz, para a origem dos materiais e para o tempo que se dedica a habitar.   

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A casa como extensão da identidade 

Terceiro colocado na avaliação, o Living Manifesto, assinado por Arantxa Severo, apresenta uma casa construída a partir das memórias, experiências e coleções de sua moradora fictícia. 

O projeto explora uma característica fortemente presente na cultura catarinense: a valorização da história familiar e dos objetos que carregam significado afetivo. 

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Livros, obras de arte, peças colecionáveis e materiais naturais criam uma narrativa que transforma o espaço em uma verdadeira extensão da identidade de quem o habita. Dessa maneira, a arquitetura surge como ferramenta para preservar histórias e fortalecer laços emocionais com o ambiente doméstico.

A pausa como novo luxo

Premiado pela equipe da CASACOR SC na categoria de cumprimento de prazos, o ambiente Café Entre Respiros Guararapes, de Nicole Oliveira e Alessandra Bragagnolo, convida o visitante a desacelerar. 

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Inspirado pelas pequenas alegrias do cotidiano, o projeto valoriza experiências simples, como um café compartilhado, uma conversa prolongada ou um momento de contemplação. 

A proposta responde ao tema “Mente e Coração” pela via do corpo: não se desacelera por decisão, desacelera-se por estímulo. O projeto organiza uma sequência de pequenos acontecimentos sensoriais: os nichos em tom ametista, que mudam de leitura conforme a hora do dia, o verde oliva que puxa o olhar para fora, a temperatura do porcelanato de efeito pedra sob os pés, a pátina do balcão em efeito corten, o vapor e o aroma da extração. São micro alegrias: prazeres de escala mínima e efeito longo. 

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Entre áreas internas e espaços conectados à natureza, o ambiente reforça a ideia de que o verdadeiro luxo contemporâneo está em ter tempo para estar presente. 

Tradição artesanal e conexão emocional

Reconhecido com uma menção honrosa, o ambiente O Bordado Modernista, da arquiteta Natália Xavier, estabelece um encontro entre o rigor das formas modernistas e a delicadeza do trabalho artesanal. 

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A inspiração no bordado remete a tradições familiares, saberes transmitidos entre gerações e à valorização do feito à mão, características presentes em diversas regiões catarinenses. 

Além da experiência visual, o projeto incorpora estímulos ligados ao tato, ao olfato, à audição e ao paladar, criando uma experiência imersiva que reforça a relação emocional entre as pessoas e os espaços.

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A casa como ponto de encontro 

Também homenageado pelo júri, o ambiente Sem Cerimônia – Bar de Vinhos, do escritório Bi.Ju Arquitetura, tem como ponto de partida um hábito profundamente ligado à cultura do Sul do Brasil: reunir pessoas ao redor da mesa. 

Inspirado pela produção vinícola e pelas relações familiares, o espaço valoriza encontros espontâneos, conversas sem pressa e momentos compartilhados. 

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Fotografias antigas, objetos afetivos e referências à convivência cotidiana reforçam a ideia de que a arquitetura também pode ser uma ferramenta para celebrar vínculos e criar memórias. 

“Cada detalhe do Sem Cerimônia foi pensado para remeter ao momento que você chega em casa, retira os sapatos e abre um vinho para conversar com alguém que ama. Acreditamos que nesse momento nos despimos dos protocolos e assumimos nossa melhor versão”. Arquitetas Bia Crippa e Julia Appel.   

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Arquitetura que traduz o jeito catarinense de viver 

Embora apresentem linguagens distintas, os ambientes premiados compartilham características que ajudam a definir o morar em Santa Catarina: a conexão com a natureza, a valorização das memórias, o cuidado com os detalhes, a busca por bem-estar e a importância dos espaços de convivência. 

Mais do que tendências estéticas, os projetos mostram como a arquitetura contemporânea pode interpretar aspectos culturais, emocionais e territoriais, transformando-os em experiências que dialogam diretamente com a vida das pessoas. 

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Na edição comemorativa dos 30 anos da CASACOR SC, os ambientes premiados representam diferentes olhares sobre um mesmo tema: a construção de espaços capazes de acolher histórias, sentimentos e a identidade de quem os habita.