A construção civil está entre os setores que mais consomem recursos naturais e geram resíduos no mundo. Apenas no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), são geradas mais de 48 toneladas de entulho nos canteiros de obras. Em Santa Catarina, um empreendimento imobiliário tem mostrado que é possível fazer diferente: o La Esmeralda Beach Village, do Grupo OAD Incorporações, opera um dos maiores canteiros de obras com compromisso Lixo Zero do Brasil.
Localizado no bairro Morro das Pedras, em Florianópolis, o projeto adota um modelo de gestão de resíduos que prioriza redução na geração de materiais descartados, reaproveitamento e reciclagem. Toda a operação conta com controle técnico e rastreabilidade dos resíduos produzidos ao longo da obra, com foco na redução.
— A operação Lixo Zero no canteiro representa uma transformação dentro da obra, envolvendo equipes treinadas, fornecedores alinhados e processos pensados para minimizar desperdícios desde a origem. Esse modelo não apenas reduz impactos ambientais diretos, como também eleva o padrão de gestão, segurança e organização do canteiro, refletindo diretamente na qualidade final do empreendimento — explica o CEO do Grupo OAD, Alexandre Groeler.
Desde o início da construção, o canteiro de obras do empreendimento operou com um sistema estruturado de separação e destinação correta de resíduos. Materiais como madeira, metal, plástico, papel, resíduos orgânicos e entulho seguem fluxos específicos de tratamento, com acompanhamento técnico e controle periódico de indicadores ambientais.

Metas ambientais e gestão de resíduos
Para poder ser reconhecido como um canteiro Lixo Zero, o La Esmeralda Beach Village precisou adotar métricas para a redução de descarte. Todo o projeto segue princípios que priorizam a não geração de resíduos e o desvio mínimo de 90% do material de aterros sanitários.
Segundo Pamela Nolasco, gerente geral do Grupo OAD, o empreendimento estabeleceu metas progressivas, com base em diagnóstico técnico dos fluxos de resíduos da obra. O acompanhamento é feito mensalmente, de acordo com as etapas construtivas, e considera diferentes tipologias de materiais.
Entre as práticas adotadas, estão a reciclagem de bitucas de cigarro, compostagem de resíduos orgânicos e encaminhamento de recicláveis para cooperativas e associações de catadores. Ainda, o principal indicador utilizado pela construtora é o percentual de desvio de aterro, calculado a partir da relação entre o volume total de resíduos gerados e o volume reutilizado ou reciclado.
Planejamento técnico e mudança de cultura
A implementação do modelo Lixo Zero exigiu mudanças operacionais dentro da obra. A decisão foi definida como diretriz estratégica do Grupo OAD, que passou a integrar a sustentabilidade aos processos de gestão dos empreendimentos.
— O compromisso Lixo Zero no canteiro do La Esmeralda aconteceu a partir de um planejamento estratégico do Grupo OAD, que teve como prioridade consolidar práticas construtivas alinhadas a critérios avançados de sustentabilidade e responsabilidade territorial — explica Pamela.
Ela conta que, para implementar o novo modelo, a empresa se baseou em um planejamento técnico detalhado, que teve diversos passos. Entre eles, houve a definição de fluxos operacionais, a homologação de parceiros especializados e a capacitação das equipes de obra.
Ainda, de acordo com a profissional, os maiores desafios enfrentados foram a adaptação das equipes ao novo modelo de trabalho, a organização logística para segregação adequada de resíduos e a garantia de empresas qualificadas para destinação ambientalmente correta dos recursos.
Sistema acompanha resíduos desde a origem
O modelo adotado no empreendimento La Esmeralda conta com um sistema de rastreabilidade, que acompanha os resíduos desde a geração até a destinação final. Esse processo começa desde a origem, com identificação padronizada por tipologia de resíduo e acondicionamento adequado. Na saída dos resíduos do canteiro, é feito o controle de pesagem ou volumetria, o que permite quantificar de forma precisa o material destinado.
— Todo esse processo aplicado pelo Grupo OAD permite a rastreabilidade integral de todos os resíduos. Além disso, fazemos o acompanhamento constante dos indicadores de desempenho, para garantir a sustentabilidade na obra — afirma Pamela.
A gestão também prevê a emissão do Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), documento que assegura a conformidade legal de cada material que sai do canteiro, além da elaboração de relatórios mensais detalhados.
Experiência já foi aplicada em outros empreendimentos
Segundo Pamela, a experiência do La Esmeralda faz parte de uma estratégia mais ampla do Grupo OAD voltada à incorporação de práticas sustentáveis na construção civil.
— Todos os empreendimentos do Grupo OAD são pautados pela sustentabilidade. Tivemos o primeiro canteiro de obras com compromisso Lixo Zero do Estado de Santa Catarina no empreendimento Natura e o maior canteiro de obras com esse compromisso no Makai Beachfront — conta.
A experiência do La Esmeralda, ainda, pode ser replicada em outros projetos do grupo, com adaptação às características de cada obra e continuidade do monitoramento ambiental.
