El Niño: Rio Tavares tem novo trecho limpo pela primeira vez em 41 anos

O desassoreamento integra ações preventivas e busca ampliar a vazão do canal em região com histórico de alagamentos

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O trecho a ser limpo, no canal artificial de drenagem do Rio Tavares, totaliza 4 quilômetros de extensão (Foto: Divulgação/PMF)

Um novo trecho do canal artificial de drenagem da bacia do Rio Tavares, no Sul da Ilha, passou pela primeira limpeza desde que a estrutura foi construída, em 1985. A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, concluiu o desassoreamento como parte do pacote de ações de preparação da cidade para os efeitos do El Niño. O trecho fica a montante da SC-405 e integra um canal com cerca de quatro quilômetros de extensão. Nesta etapa, aproximadamente um quilômetro foi desassoreado.

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Segundo informações da Prefeitura, em 2023, foi limpo pela primeira vez o canal do Rio Tavares desde a sua construção, em 1985. Agora, os trabalhos avançaram para um trecho que também nunca havia sido tocado. A diferença é que desta vez a Prefeitura está se antecipando, pois sabendo da vinda do El Niño, foram avaliados os pontos críticos e priorizados, para que a chuva não vire um problema dentro da casa das pessoas.

Desassoreamento ampliou espaço para passagem da água

A intervenção consistiu na retirada dos sedimentos acumulados no fundo do canal ao longo das últimas décadas. Como o sistema funciona por gravidade, sem utilização de bombeamento, o acúmulo de materiais pode reduzir a profundidade e interferir na velocidade do escoamento.

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Segundo a Subsecretaria de Saneamento Básico, o canal é um sistema de drenagem que depende de gravidade, pois não tem nenhum tipo de bombeamento. A água escoa apenas pelo desnível, assim como a água que corre numa calha inclinada. Conforme o sedimento se acumula no fundo, esse desnível diminui e a água perde velocidade. Com o desassoreamento, foi devolvido o espaço para o escoamento livre da água.

Dessa forma, a expectativa é de que a intervenção restabeleça a vazão adequada do trecho e melhore as condições de drenagem em uma região que possui histórico de alagamentos durante períodos de chuva intensa.

Escavadeira trabalhou sobre a água

As características do local exigiram uma operação diferente da utilizada em áreas onde máquinas conseguem chegar pelas margens. O trecho está em uma área úmida e de difícil acesso terrestre.

Por isso, uma escavadeira hidráulica foi instalada sobre um pontão flutuante, estrutura semelhante a uma balsa, que permitiu que o equipamento avançasse pela própria lâmina d’água enquanto retirava o material depositado no fundo do canal.

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Nos pontos onde tinha acesso para veículos, os sedimentos retirados foram transportados em caçambas basculantes. Nos demais, o material foi disposto nas margens. Uma equipe em solo deu suporte ao trabalho.

A utilização do pontão também buscou reduzir os impactos da intervenção no entorno. Como o maquinário chegou pelo próprio canal, não foi necessário abrir novos acessos ou realizar supressão de vegetação nas margens, localizadas em uma região de transição entre áreas de Mata Atlântica, restinga e mangue.

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Mais de 100 pontos já receberam limpeza

A manutenção do Rio Tavares faz parte do trabalho de limpeza hidrográfica realizado diariamente em diferentes regiões de Florianópolis. A atuação foi intensificada nos últimos meses e integra as medidas previstas no decreto de Estado de Alerta Climático publicado pelo município em 11 de junho.

Até o momento, mais de 106 pontos da rede hidrográfica já tiveram os serviços concluídos. Outros 129 estão programados para receber intervenções até outubro. A meta é alcançar 65 quilômetros de cursos d’água desobstruídos nesse período.

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A estratégia combina a manutenção contínua da rede hidrográfica com intervenções em pontos considerados críticos, buscando ampliar a capacidade de escoamento antes dos períodos de maior volume de chuva associados ao El Niño.

Conforme Lei nº 10.199, a Prefeitura informa que a produção deste conteúdo não teve custo e sua veiculação custou em média R$ 2.550,00.

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