Apenas 32% dos trabalhadores brasileiros estão engajados com o trabalho, segundo dados mais recentes da Gallup. O cenário coloca um desafio para as empresas que precisam, ao mesmo tempo, atrair bons profissionais, desenvolver equipes e reduzir a perda de talentos.
O impacto não é apenas comportamental. De acordo com estimativa da Robert Half, a substituição de um profissional pode representar um custo de aproximadamente 1,5 a 2 vezes o seu salário anual, considerando fatores como recrutamento, treinamento, adaptação e perda de produtividade.
Diante desse cenário, acompanhar as pessoas antes que os problemas se transformem em desligamentos passou a ganhar espaço na agenda das empresas. Mas como fazer isso de maneira prática?
Foi tentando responder a essa pergunta que uma empresa catarinense acabou criando uma nova plataforma de gestão de pessoas.
Uma solução criada primeiro para dentro de casa
À medida que a Getel Tecnologia crescia, o desafio de acompanhar e desenvolver o próprio time também aumentava.
A empresa precisava estruturar avaliações de desempenho, criar uma rotina de conversas entre gestores e colaboradores, acompanhar planos de desenvolvimento e entender melhor o clima interno.
A primeira alternativa foi buscar uma solução já disponível no mercado, porque o excel não suportava mais.
O problema apareceu durante a procura: muitas das plataformas avaliadas tinham custos considerados altos para a realidade da empresa, processos de implantação complexos e uma quantidade grande de funcionalidades que, na prática, poderia dificultar a utilização pelos gestores e colaboradores.
A decisão, então, foi diferente.
Em vez de adaptar a rotina da empresa a uma ferramenta, a Getel decidiu criar uma solução que se adaptasse à rotina de quem precisava utilizá-la.
Nascia, inicialmente para uso interno, o People GT.
— A gente percebeu que não adiantava ter uma ferramenta completa se ela fosse difícil de usar. Queríamos algo que os gestores realmente conseguissem incorporar na rotina e que ajudasse a empresa a acompanhar as pessoas de forma contínua — explica Júlio Bússolo, CEO da Getel Tecnologia.
O que começou como uma solução interna, porém, chamou a atenção de outras empresas que conheceram a ferramenta.
A partir desses contatos e da percepção de que outras organizações enfrentavam uma dificuldade semelhante, a Getel decidiu transformar o projeto em um novo produto da empresa.
Da avaliação anual para o acompanhamento durante todo o ano
Uma das questões que o People GT busca enfrentar é a distância entre avaliar um profissional e, de fato, acompanhar seu desenvolvimento.
Uma pesquisa da Gartner mostra que 76% das organizações que utilizam avaliações de desempenho ainda realizam a avaliação formal uma vez por ano.
O modelo tradicional, porém, pode criar um intervalo grande entre a identificação de um problema e a oportunidade de agir sobre ele.
A proposta do People GT é transformar a gestão de desempenho em um processo contínuo.
Um dos casos conhecidos internacionalmente é o da Adobe, que substituiu as tradicionais avaliações anuais por um modelo baseado em conversas contínuas entre gestores e colaboradores.
Segundo estudo da Deloitte sobre o caso, após a mudança a empresa registrou uma redução de 30% no turnover voluntário.
O caso mostra uma mudança de lógica: em vez de esperar o momento formal da avaliação para conversar sobre desempenho e desenvolvimento, uma gestão organizada passa a acontecer ao longo do ano, sem ser mais em planilhas.
Por que acompanhar pessoas pode ser uma questão financeira
A relação entre gestão de pessoas e resultado financeiro também aparece quando se observa o impacto do desengajamento e da rotatividade.
Segundo a 3ª edição do Engaja S/A, estudo realizado pela Flash em parceria com a FGV EAESP, o desengajamento dos trabalhadores representa um impacto estimado de R$ 77 bilhões por ano para a economia brasileira.
Outra pesquisa da Robert Half aponta que 40% dos responsáveis por recrutamento entrevistados identificaram a falta de oportunidades de crescimento como um dos motivos para a saída voluntária de profissionais.
Os dados ajudam a explicar por que o desenvolvimento deixou de ser uma pauta restrita ao departamento de Recursos Humanos.
Quando uma empresa perde um profissional, perde também conhecimento, tempo de treinamento, produtividade e recursos investidos na contratação e adaptação de uma nova pessoa.
Por isso, a proposta de acompanhar desempenho, desenvolvimento e clima não está relacionada apenas a criar uma experiência melhor para o colaborador. Também pode contribuir para que a empresa identifique problemas mais cedo e tome decisões com mais informação.
Tecnologia para empresas que crescem
O People GT foi desenvolvido inicialmente para atender empresas com equipes entre 30 e 300 colaboradores.
É um momento em que muitas organizações começam a perceber que a gestão de pessoas não pode depender apenas de planilhas, reuniões isoladas ou da memória dos gestores.
Ao mesmo tempo, essas empresas nem sempre precisam — ou conseguem aproveitar — plataformas extremamente complexas.
A proposta do People GT é ocupar esse espaço: oferecer uma estrutura para que a empresa consiga acompanhar seus profissionais de maneira simples, organizada e recorrente.
Para a Getel, a experiência interna foi justamente o ponto de partida para esse posicionamento.
A empresa não começou desenvolvendo uma plataforma para vender ao mercado. Primeiro, identificou uma dificuldade própria, procurou alternativas, não encontrou uma solução que considerasse adequada e decidiu construir uma ferramenta para resolver o problema.
Depois de utilizada internamente e apresentada a outras empresas, a solução ganhou um novo caminho.
Da dor interna a um novo produto
O lançamento do People GT marca uma nova etapa para o estado, que passa a carregar uma ferramenta importante desenvolvida a partir de uma necessidade vivida pela própria organização.
Mais do que automatizar processos de Recursos Humanos, a proposta é criar uma rotina de acompanhamento.
Avaliar. Conversar. Desenvolver. Ouvir. Acompanhar.
Para a empresa, a tecnologia só cumpre seu papel quando consegue ser incorporada à rotina de quem está na operação.
E essa foi justamente a premissa que deu origem ao People GT: criar uma ferramenta que não tornasse a gestão de pessoas mais complexa, mas que ajudasse as empresas a fazer aquilo que muitas vezes fica para depois — acompanhar de verdade quem faz parte do negócio.
