Florianópolis é palco, entre os dias 1º e 7 de setembro, da terceira edição do Festival Street Art Tour. Com o tema “Conexões Lusófonas”, a programação deste ano propõe um olhar sobre a língua portuguesa não como símbolo de unidade pacífica, mas como resultado de encontros, migrações e misturas culturais que atravessam Angola, Portugal, Cabo Verde e o Brasil. Ao todo, mais de 100 artistas participam da programação, que terá shows de Criolo, Amaro e Dino, Melly, Stefanie, Makalister e DJ Belton com convidados e MC Versa com Green Tea.
Além das apresentações musicais, o evento conta com murais, oficinas e exposições espalhados pelo centro histórico de Florianópolis. Os artistas que participam do festival são de Santa Catarina, de diferentes regiões do Brasil e de países lusófonos.
Nesta edição, uma das grandes novidades é que as ações não serão exclusivas em Florianópolis. Pela primeira vez, um mural em empena será realizado em Blumenau, como parte das ações que contemplam a programação.
A maior parte dos eventos acontece na Arena do Largo da Alfândega, que receberá torneio de crews, tour guiado, oficinas de arte, mercado de arte, shows e exposições.

Como nasceu o Street Art Tour
A história do Festival Street Art Tour começou em 2018, a partir da parceria entre o Studio de Ideias Produtora Cultural, dos sócios Arturo Valle Junior e Marina Tavares, com o artista urbano Rodrigo Rizo. Desde então, o projeto já realizou obras como um mural em homenagem ao poeta Cruz e Sousa, assinado por Rizo, além de “Viva Cidade Viva”, de Cris Pagnoncelli e Tio Trampo, “Eterna”, do Acidum Project, e “Fritz e Rosa”, do artista Ignore Por Favor.
Rodrigo Rizo, curador do festival, explica que a escolha do tema deste ano partiu de uma experiência pessoal. Em 2014 durante uma viagem, ele pôde se aproximar da cultura lusófona.
— Tive a oportunidade de conhecer Cabo Verde durante um intercâmbio artístico para participar do festival de arte urbana SCAW, a convite das produtoras culturais portuguesas MGA e ORB Creative Lab, que desenvolvem projetos no contexto da Lusofonia em diálogo com a CPLP. Naquela viagem, visitei também Portugal pela primeira vez, e foi, portanto, minha primeira experiência concreta com esse universo lusófono para além do Brasil — comenta.
Rizo conta que, a partir da experiência, percebeu que os países lusófonos compartilham a mesma língua e muitos atravessamentos históricos, mas que há uma diversidade cultural grande entre cada um desses territórios. Foi aí que ele resolveu trazer um pouco da vivência para o festival, que tem como objetivo mostrar a língua portuguesa como um território vivo de troca, identidade e transformação.
Marina Tavares, coordenadora do Street Art Tour, comenta o significado da edição deste ano. Segundo ela, além de valorizar a pluralidade da lusofonia como identidade de transformação, o evento também reforça a potência da arte urbana.

— Esse é o propósito que construímos para Florianópolis: ao abrir espaços para a arte, fortalecemos o pertencimento das pessoas com o espaço urbano e transformamos nossas áreas públicas em lugares vivos de encontro, cultura e conhecimento — explica.
Já Arturo Valle Junior, também coordenador do festival, reforça a proposta de integração entre arte e cidade. Ele conta que o objetivo do evento sempre foi fazer a arte conversar com a população, e neste ano, o propósito se fortalece.
— Nesta edição, com o tema Conexões Lusófonas, a gente quis dar um passo a mais e transformar Floripa em um grande ponto de encontro entre sotaques, visões e histórias de diferentes países que compartilham a nossa língua. O festival não é só sobre pintar murais gigantes e mudar o visual das ruas, embora isso já transforme totalmente a energia da cidade. O projeto ganha vida de verdade quando a gente conecta todas as pontas: as pinturas acontecendo ao vivo, as oficinas de experimentações com a comunidade e a galera jovem, as discussões e conversas sobre o papel da arte urbana e os passeios guiados que convidam as pessoas a caminhar e redescobrir a própria cidade — comenta.
O Festival Street Art Tour é viabilizado parcialmente pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet (nº 8.313/91) e da Lei nº 17.942, de 12 de maio de 2020. Têm patrocínio Armacell e Hennings, incentivo de Bistek Supermercados, Condor S/A e C.Pack, apoio de Tintas Coral e MTN, além da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes e da Prefeitura Municipal de Florianópolis.
Programação completa de exposições de murais
A programação de exposições abre em 2 de setembro, às 19h, com “Língua Viva”, da artista paranaense Cris Pagnoncelli, na Galeria Berlin, na Rua Vítor Konder, no Centro, com visitação de terça a sábado, das 13h30 às 23h e entrada gratuita. No dia 04, das 14h30 às 18h30, a artista também ministra o workshop “Entre Lábios Letras”, no próprio espaço, com ingressos limitados pelo Pensanoevento.
Já no dia 5 de setembro, é a vez de “É Apenas o Começo”, do artista Wagner Wagz, com curadoria de Arturo Valle Junior, Kamilla Nunes e Marina Tavares, na Galeria Municipal Paulo Vichetti, na Praça XV de Novembro, aberta das 10h às 16h.
Entre os murais previstos, estão uma homenagem ao artista Victor Meirelles, três pinturas no Centro de Florianópolis, duas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), um mural no Córrego Grande, uma pintura coletiva no mesmo bairro, uma pintura coletiva no Estreito, um mural no Centro Cultural Anastácia e as galerias coletivas Viva, no Largo da Alfândega, e Mariquinha.
O Tour Guiado com o guia Manezinho Rodrigo Stupp, que já é tradicional do evento, passa pela região central da cidade nos dias 5 e 6 de setembro, com acesso gratuito e horários a confirmar no perfil do Festival nas redes sociais.
Ao todo, o Mercado de Arte terá a presença de 17 artistas de diferentes regiões do Brasil na área do Largo da Alfândega, que também recebe as Oficinas de Spray em Tapume, Ateliê da Paris do Brasil, Lambe-Lambe (parceria com o Festival Lambe Floripa) e Customização com Posca, com a artista Ianna. No mesmo espaço, 10 artistas realizam performances de live painting a partir de uma intervenção temporária no mural Galeria Viva.
Programação de shows no sábado
Os shows ocupam o Largo da Alfândega no fim de semana de 5 e 6 de setembro. No sábado, MC Versa se apresenta ao lado da banda Green Tea, formada exclusivamente por mulheres. As músicas ganham novos arranjos, passeando pelo soul, R&B e MPB, em um show marcado pelo groove e pela improvisação, com autonomia, relações afetivas, desejo e protagonismo feminino como temas centrais.
Catarinense e cria da batalha das Minas, MC Versa conta com mais de 20 mil seguidores nas redes sociais e mais de 300 mil plays nas músicas. Já participou do projeto Camping das Minas, selo Xaolin Records, de MC Hariel, e dividiu palco com Matuê, MC Marechal, Black Alien e Djonga. Vencedora do Prêmio Profissionais da Música 2023, na categoria hip hop feminino, é também CEO da Braba Music, selo voltado a fortalecer mulheres na música urbana.
O mesmo show, ainda contará com participação especial da cantora Mari Ribeiro, do oeste catarinense, que encontra na composição um espaço profundo de expressão e escuta. Sua música nasce de vivências pessoais e transita entre o pop e influências da música brasileira em uma grande mistura de ritmos.
Já a banda Green Tea é um quarteto que homenageia grandes intérpretes e compositoras clássicas e contemporâneas, com o objetivo de incentivar outras mulheres a ocupar mais espaço no cenário musical.
Ainda no sábado, Makalister sobe ao palco com DJ Belton e as participações de Alka, Negro Rudhy e Gustavo Menor. Os sucessos do álbum “DSQVDVQE” se somam a clássicos da carreira, embalados por boombaps pesados, traps experimentais e uma levada de UK drill.
Para completar a noite, sobe ao palco Melly, uma cantora e compositora baiana que construiu a própria identidade sonora a partir do R&B com força da afrobaianidade. Eleita Artista Revelação no Prêmio Multishow e indicada ao Grammy Latino 2024 (categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa), ela já se apresentou em festivais como Afropunk Bahia, MITA e Rock The Mountain. É autora dos álbuns “Amaríssima” e “Amaríssima V2”, com colaborações de Karol Conká, Duda Beat, Liniker e Russo Passapusso, e, mais recentemente, “Mais Forte Que a Dúvida”, com participações de Anitta, Léo Santana, Luedji Luna e Liniker. A cantora participa, ainda,da faixa “Ternura”, do álbum “Equilibrivm”, de Anitta.

Shows de domingo
No domingo, a principal atração é o encontro entre Criolo, Amaro Freitas e Dino D’Santiago. Esse projeto nasceu em Lisboa, quando Criolo e Dino D’Santiago trabalhavam juntos e receberam a visita do pianista Amaro Freitas. Do encontro nasceu “Esperança”, canção indicada ao Latin Grammy que deu origem a um álbum inteiro, que transita entre rap, MPB, jazz, morna e funaná.
Criolo, nome artístico de Kleber Cavalcante Gomes, é rapper, cantor e compositor nascido em 1975 na periferia de São Paulo. Ele ganhou projeção nacional com o disco “Nó na Orelha” (2011) e segue como um dos nomes mais importantes do hip-hop brasileiro, reconhecido por letras de forte crítica social, com trabalhos como “Convoque Seu Buda” (2014), “Espiral de Ilusão” (2017) e “Sobre Viver” (2022).
Dino D’Santiago, algarvio de ascendência cabo-verdiana, é uma das vozes mais proeminentes da música portuguesa atual, reconhecido por reconfigurar o lugar do batuku e do funaná dentro da esfera pop europeia. Já Amaro Freitas é um dos pianistas mais inovadores do jazz atual, já que ele redesenhou o instrumento a partir das tradições rítmicas de Pernambuco, com os ritmos maracatu, frevo e baião.
Outra apresentação do Festival é a cantora Stefanie que, após 21 anos na cultura hip-hop, lança o primeiro álbum solo, “BUNMI”, aprovado no edital Natura Musical, com produção de Grou e Daniel Ganjaman. No palco, ela se apresenta ao lado de Ieda Hills, pioneira do rap nacional, e do DJ Negrito. MC, rapper e compositora com mais de 20 anos de trajetória, ela já abriu shows de De La Soul, Talib Kweli e Pharoahe Monch, e já colaborou com Emicida, IZA, Rashid, Luedji Luna, Kamau, MV Bill, Drik Barbosa e Tássia Reis.
Confira todos os detalhes:
- O quê: 3ª edição do Festival Street Art Tour – Conexões Lusófonas
- Quando: de 1º a 7 de setembro de 2026
- Onde: diferentes pontos de Florianópolis, com programação principal na Arena do Largo da Alfândega
- Shows: sábado (5) e domingo (6), no Largo da Alfândega
- Tour guiado: sábado (5) e domingo (6), na região central de Florianópolis. Gratuito. Datas, horários e informações serão divulgados no perfil do festival.
- Mercado de Arte: Arena do Largo da Alfândega, com 17 artistas
- Oficinas: spray em tapume, Ateliê da Paris do Brasil, lambe-lambe com o Festival Lambe Floripa e customização com Posca
- Exposição Língua Viva: Cris Pagnoncelli
Abertura: 2 de setembro, às 19h
Local: Galeria BERLIN – Rua Vitor Konder, 409, Centro
Visitação: terça a sábado, das 13h30 às 23h
Oficina Entre Lábios Letras: 4 de setembro, das 14h30 às 18h30, com vagas limitadas - Exposição É Apenas o Começo: Wagner Wagz
Abertura: 5 de setembro, às 10h
Local: Galeria Municipal Paulo Vichetti — Praça XV de Novembro, Centro
Visitação: Segunda a sexta, das 12h às 18h, até dia 02 de outubro. - Programação musical – sábado (5): MC Versa convida Green Tea; Makalister e DJ Belton convidam Alka, Negro Rudhy e Gustavo Menor; Melly.
- Programação musical – domingo (6): DJ Erick Jay; Criolo, Amaro e Dino; Stefanie.
- Entrada: gratuita nas atividades indicadas pelo festival.
