Florianópolis aposta em tecnologia para agir antes dos alagamentos

Sistema mapeia redes subterrâneas e identifica obstruções e danos para orientar ações preventivas diante dos efeitos do El Niño

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Capital passa a ter uma espécie de “raio X” das redes subterrâneas (Foto: Divulgação/PMF)

O que acontece embaixo do asfalto pode ajudar Florianópolis a antecipar problemas que aparecem na superfície durante períodos de chuva intensa. Como parte das ações de preparação para os efeitos do El Niño, a Prefeitura está utilizando tecnologia para mapear e inspecionar as redes de drenagem urbana e esgotamento sanitário da Capital.

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O trabalho é realizado pela Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em parceria com a Sanapp – Gestão Inteligente de Ativos de Saneamento, empresa criada em Florianópolis. A plataforma permite fazer o cadastro georreferenciado de bocas de lobo, poços de visita e outras estruturas, além da vídeo inspeção das tubulações.

Na prática, o município passa a ter uma espécie de “raio X” das redes subterrâneas. Com as informações, as equipes conseguem identificar obstruções, rachaduras, trechos danificados e outras falhas, além de conhecer com precisão a localização, o tamanho e o material das tubulações. Os dados ajudam a direcionar manutenções e reduzir o tempo de resposta diante de problemas no escoamento da água.

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— Antes de uma cidade ser inteligente, ela precisa ter dados. Ainda são poucas as cidades brasileiras que conhecem, de forma estruturada e georreferenciada, suas redes de saneamento. Queremos ajudar Florianópolis a ser referência nesse caminho, transformando dados em diagnósticos e análises preditivas que apoiem decisões mais precisas e ações preventivas — afirma o CEO da Sanapp, Igor Puff Floriano.

Problema localizado sem quebrar trechos inteiros de asfalto

Um exemplo da aplicação da tecnologia ocorreu no Centro de Valorização de Resíduos (CVR), no Itacorubi. Em períodos de chuva forte, uma obstrução na rede de microdrenagem provocava alagamentos na entrada do espaço. O problema estava sob o asfalto e não havia precisão sobre o ponto em que seria necessário realizar o reparo. Após o mapeamento, a equipe conseguiu localizar a obstrução e atuar diretamente no trecho afetado. 

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Florianópolis, o conhecimento exato do ponto obstruído permitiu a execução precisa do serviço de manutenção, sem quebra excessiva de asfalto e sem a necessidade de busca pelo local do reparo. 

A iniciativa integra o pacote de ações adotado pelo município diante dos efeitos esperados do El Niño. O mapeamento complementa trabalhos preventivos já realizados na cidade, como a limpeza diária de rios, córregos, canais e valas.

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Robô percorre tubulações e identifica ligações irregulares

A tecnologia também está sendo utilizada para localizar ligações irregulares de esgoto nas galerias pluviais. Uma das ferramentas empregadas é o robô Bizu, equipamento que percorre o interior das tubulações e transmite imagens em tempo real.

Com quatro rodas, iluminação e câmera de alta resolução, o robô é operado remotamente com o auxílio de óculos de realidade virtual. O equipamento consegue avançar até 70 metros pelas tubulações, alcançando locais que seriam de difícil acesso para uma inspeção convencional.

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As imagens permitem identificar a origem de ligações irregulares, além de problemas estruturais nas redes. A proposta é tornar o diagnóstico mais rápido e reduzir intervenções desnecessárias na superfície para encontrar a origem das falhas.

Tecnologia desenvolvida na Capital

A parceria também conecta a gestão do saneamento ao ecossistema de inovação de Florianópolis. O desenvolvimento da Sanapp contou com editais de incentivo, entre eles o Programa de Incentivo à Inovação de Florianópolis.

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A empresa também participou do Living Lab 5G, iniciativa que possibilita a implantação e o teste de soluções tecnológicas em ambiente urbano real. A proposta é aproximar empresas inovadoras de situações concretas da cidade para validar novas ferramentas e aplicações.

Monitoramento em tempo real está entre próximos passos

Uma das possibilidades estudadas para a continuidade da parceria é integrar à plataforma sensores de monitoramento hidrológico. A tecnologia permitiria acompanhar em tempo real os níveis de água e outros indicadores da rede de drenagem em pontos estratégicos.

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A ferramenta ainda está em estudo, mas, caso seja implementada, poderá fornecer dados para identificar alterações no comportamento da rede e apoiar decisões antes ou durante episódios de chuvas intensas.

A expectativa é avançar de um modelo baseado principalmente na resposta aos problemas para uma gestão cada vez mais preventiva. Com o cruzamento entre mapeamento, inspeções e, futuramente, dados em tempo real, o município busca ampliar a capacidade de antecipar pontos de risco e direcionar equipes e equipamentos onde a intervenção for necessária.

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Conforme Lei nº 10.199, a Prefeitura informa que a produção deste conteúdo não teve custo e sua veiculação custou em média R$ 2.550,00.

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