A inteligência artificial já está presente na rotina escolar de muitos jovens. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, citada em um guia oficial do Governo Federal, 65% das crianças e adolescentes brasileiros que usam a internet já experimentaram IA generativa. Entre os usos declarados, 59% recorreram à tecnologia para pesquisas escolares ou estudos.
O desafio, portanto, não é apenas permitir ou proibir. É aprender a diferenciar uma ferramenta que ajuda a compreender um conteúdo de um atalho que entrega uma atividade pronta sem aprendizado.
O tema também interessa diretamente às famílias e escolas. Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, mais de 80% dos brasileiros acreditam que estudantes e professores devem aprender a utilizar IA de maneira consciente e responsável. Porém, 64% dos professores afirmam não ter os conhecimentos necessários para ensinar com essa tecnologia, enquanto 60% dizem que suas escolas ainda não possuem infraestrutura adequada.
Veja como os jovens podem usar a IA para estudar sem deixar de pensar.
1. Faça uma primeira tentativa antes de abrir a ferramenta
Antes de pedir ajuda, escreva o que já sabe, tente resolver o primeiro passo ou identifique exatamente onde surgiu a dúvida.
Em vez de enviar apenas “resolva esta questão”, experimente:
“Tentei resolver desta forma, mas não entendi a passagem entre estas duas etapas. Explique apenas esse ponto.”
Assim, a IA entra para esclarecer uma dificuldade, e não para substituir todo o raciocínio.
2. Peça pistas, não respostas prontas
É possível orientar a ferramenta para atuar como uma espécie de tutora.
Um comando útil seria:
“Não dê a resposta. Faça uma pergunta por vez para me ajudar a chegar à solução.”
Outras opções:
- “Mostre apenas o primeiro passo.”
- “Dê uma dica sem resolver.”
- “Crie uma questão semelhante para eu praticar.”
- “Aponte onde meu raciocínio começou a dar errado.”
3. Transforme resumos em exercícios
Em vez de pedir um resumo pronto, use suas próprias anotações para criar uma revisão ativa:
“Com base nestas anotações, crie cinco perguntas sem mostrar as respostas. Depois que eu responder, corrija e explique meus erros.”
Responder, errar e corrigir exige mais participação do estudante do que apenas reler um texto.
4. Use o teste da explicação
Depois de receber uma explicação, feche a ferramenta e tente apresentar o assunto com suas próprias palavras.
Você realmente aprendeu quando consegue:
- explicar o conceito sem copiar;
- dar um exemplo diferente;
- resolver uma questão parecida;
- relacionar o tema a outro conteúdo.
Quando isso não acontece, vale voltar à dúvida específica em vez de solicitar outra resposta completa.
5. Confira informações e referências
Ferramentas de IA podem apresentar dados incompletos, interpretações equivocadas e até referências que não existem. Por isso, nomes, datas, fórmulas, citações e fatos históricos devem ser comparados com o material da escola e fontes confiáveis.
Uma estratégia é pedir que a IA apresente as fontes e, depois, abrir cada uma delas para confirmar se realmente sustenta a informação. O Guia do Governo Federal para o uso de IA na infância e adolescência destaca pensamento crítico, privacidade e proteção de dados entre os cuidados necessários.
6. Na redação, peça avaliação — não um texto pronto
A IA pode ajudar sem assumir a autoria. Depois de escrever, o jovem pode solicitar:
“Aponte trechos pouco claros e argumentos que precisam de evidências, mas não reescreva meu texto.”
Também pode pedir perguntas para aprofundar o tema, identificar repetições ou verificar se a estrutura está compreensível. A versão final, porém, deve continuar sendo produzida e revisada pelo estudante.
7. Não compartilhe dados pessoais
Evite inserir nome completo, documentos, senhas, endereço, localização, fotos pessoais, informações médicas ou dados de colegas e professores.
Também é importante conferir a classificação etária da ferramenta, conversar com responsáveis e seguir as regras estabelecidas pela escola. O Governo Federal lançou, em outubro de 2026, um guia específico para orientar crianças, adolescentes, famílias e educadores sobre segurança, privacidade e uso responsável da IA.
IA deve ampliar o aprendizado, não fazer o estudante desaparecer
A Unesco propõe que os jovens aprendam a avaliar sistemas de IA criticamente, compreender questões éticas e utilizar a tecnologia de maneira responsável e centrada nas pessoas.
Usar IA para aprender não significa aceitar tudo o que ela produz. Significa perguntar melhor, conferir informações, exercitar o próprio raciocínio e manter a autoria.
