Durante muito tempo, o Melato de Bracatinga esteve longe de ser considerado um produto nobre no Brasil.
Sua cor escura e seu sabor mais intenso faziam com que muitos consumidores preferissem os méis florais mais claros e doces. Para parte dos produtores, o melato chegou a ser pouco valorizado comercialmente, apesar de ser produzido naturalmente em regiões do Sul do país.
A história começou a mudar quando o produto chegou à Alemanha.
A partir dos anos 2000, amostras do Melato de Bracatinga despertaram o interesse de um mercado que já possuía tradição no consumo de méis de melato. O que durante anos havia sido visto como um mel escuro e diferente passou a ser reconhecido como uma especialidade.
Hoje, grande parte da produção do Planalto Sul Brasileiro segue para o mercado internacional, especialmente para a Europa.
É dessa trajetória de valorização que surgiu a associação do Melato de Bracatinga ao apelido de “ouro negro” da apicultura brasileira.
Mas o que torna esse mel tão especial?
O que é o Melato de Bracatinga?
Para entender esse produto, é preciso esquecer por um momento a imagem tradicional das abelhas visitando flores em busca de néctar.
O Melato de Bracatinga não nasce diretamente do néctar das flores.
Sua origem está em um ciclo natural que envolve a Bracatinga (Mimosa scabrella), árvore típica das regiões mais frias do Sul do Brasil, e pequenos insetos que se alimentam da seiva da planta.
Esses insetos produzem uma substância açucarada conhecida como melato. As abelhas coletam essa substância e a levam para a colmeia, onde ela passa por transformações naturais até dar origem ao Melato de Bracatinga.
É justamente essa origem que diferencia o produto de um mel floral convencional.
O resultado é um mel de coloração escura, textura encorpada e sabor marcante, geralmente com menor dulçor do que muitos méis florais. Seu perfil pode apresentar notas que lembram malte, madeira, caramelo e melaço.
Na Ultramel, o produto é comercializado sem adição de açúcar, xaropes, conservantes, corantes ou outros ingredientes artificiais.
Para conhecer outras variedades de mel produzidas no Brasil e entender o que diferencia cada uma delas, o guia “Tipos de mel: guia completo para escolher o certo para você” reúne mais informações sobre o assunto.

Qual é a diferença entre Melato de Bracatinga e Mel de Flores de Bracatinga?
Apesar de terem relação com a mesma árvore e nomes semelhantes, o Melato de Bracatinga e o Mel de Flores de Bracatinga são produtos diferentes, com origens e perfis sensoriais próprios.
O Mel de Flores de Bracatinga, também conhecido como Dark Honey, é um mel floral. As abelhas visitam as flores da Bracatinga e coletam o néctar, que posteriormente é transformado em mel.
Já o Melato de Bracatinga não vem das flores. Ele é produzido a partir do melato, uma substância açucarada relacionada ao ciclo natural da Bracatinga com pequenos insetos. As abelhas coletam essa substância e, a partir dela, produzem o Melato.
Essa diferença de origem também resulta em uma experiência sensorial bastante diferente.
O Mel de Flores de Bracatinga costuma apresentar sabor intenso e características próprias. Já o Melato de Bracatinga, embora também tenha um perfil profundo e encorpado, apresenta um dulçor mais equilibrado e notas que podem lembrar malte, madeira, caramelo e melaço.
Por isso, mesmo tendo a Bracatinga em comum, são dois produtos com características bastante diferentes.
Por que o Melato de Bracatinga é tão particular?
A resposta está no território.
A Bracatinga é uma árvore característica do Sul do Brasil, encontrada principalmente em áreas de altitude do Planalto Sul. Seu desenvolvimento está associado a condições específicas de clima, altitude e vegetação da região.
Mas a presença da árvore, sozinha, não é suficiente.
A produção do Melato depende de um ciclo natural que envolve a Bracatinga, os insetos que participam desse processo, as condições ambientais e as abelhas responsáveis pela coleta.
Sem a combinação desses elementos, esse ciclo não acontece da mesma forma.
É essa relação entre natureza, território e apicultura que está por trás da identidade do Melato.
O produto do Planalto Sul Brasileiro recebeu reconhecimento de Indicação Geográfica, reforçando a relação entre suas características e a região onde é produzido.
A área produtora envolve municípios de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, onde as condições naturais favorecem o desenvolvimento da Bracatinga e todo o ciclo que dá origem ao melato.
Isso ajuda a explicar por que o Melato de Bracatinga não é simplesmente um produto que pode ser reproduzido em qualquer lugar.
É um mel que carrega características do território onde nasce.
O que há de diferente na composição?
A valorização do Melato não aconteceu apenas por causa de sua história ou de seu sabor.
Sua composição também chama atenção.
Estudos apontam diferenças importantes entre o Melato de Bracatinga e muitos méis florais, incluindo a presença de minerais como potássio, cálcio, magnésio e ferro, além de compostos fenólicos e outros componentes naturais.
Pesquisas realizadas com amostras do produto também identificaram sais minerais e outros compostos naturais que ajudam a explicar seu perfil diferenciado.
O Melato apresenta ainda compostos fenólicos e flavonoides, componentes naturais encontrados em diversos alimentos e estudados por suas propriedades antioxidantes.
Mais do que um mel de sabor diferente, ele reúne características naturais que o tornam singular dentro do universo dos produtos da apicultura.
Para saber mais sobre o que a ciência já documentou sobre os méis brasileiros, vale conferir o guia “Benefícios do mel: o guia completo sobre o que a ciência já descobriu”.
Por que o Melato de Bracatinga conquistou a Europa?
A história do Melato de Bracatinga é especialmente curiosa porque sua valorização aconteceu, em grande parte, fora do Brasil.
A cor escura e o sabor mais intenso, características que durante muito tempo dificultaram sua aceitação entre consumidores brasileiros, eram familiares aos europeus, especialmente aos alemães, que já possuíam tradição no consumo de méis de melato.
Quando as primeiras amostras brasileiras chegaram ao mercado europeu, a reação foi diferente.
O produto chamou a atenção por suas características próprias e passou a despertar o interesse de importadores. O que antes tinha pouca valorização comercial no Brasil começou a ganhar espaço no mercado internacional.
Hoje, documentos relacionados à Indicação Geográfica apontam que grande parte da produção do Mel de Melato de Bracatinga do Planalto Sul Brasileiro é destinada ao mercado europeu, com destaque para a Alemanha.
É uma história curiosa: um produto genuinamente brasileiro precisou conquistar o consumidor europeu para ganhar ainda mais reconhecimento em seu próprio país.

Como consumir o Melato de Bracatinga?
Uma das maneiras de conhecer o Melato de Bracatinga é experimentá-lo puro.
Seu sabor mais intenso e seu dulçor equilibrado também permitem combinações que vão além do uso tradicional do mel.
Ele pode acompanhar pães, queijos, iogurtes e castanhas. Também combina com cafés, chocolates de sabor mais intenso e diferentes preparações doces e salgadas.
Com queijos de sabor marcante, seu perfil pode criar um contraste interessante. Com cafés e chocolates, suas notas mais profundas complementam sabores tostados e intensos.
A textura encorpada também ajuda o produto a permanecer sobre os alimentos, tornando-o interessante para diferentes experiências gastronômicas.
Como outros tipos de mel, o Melato deve fazer parte de uma alimentação equilibrada. O artigo “Mel na dieta: como incluir, quanto consumir e o que a ciência diz” traz mais informações sobre o assunto.
Como conservar?
A conservação do Melato de Bracatinga é simples.
Depois de aberto, o produto deve ser mantido em recipiente bem fechado, em local fresco, seco e protegido da luz direta e de fontes de calor.
Não é necessário armazená-lo na geladeira. A refrigeração pode deixar sua consistência mais firme.
Para preservar melhor suas características de sabor, textura e aroma, o ideal é evitar a exposição prolongada ao calor e manter o recipiente sempre bem fechado.
De “mel pouco valorizado” a “ouro negro” brasileiro
Poucos alimentos contam uma história tão curiosa quanto a do Melato de Bracatinga.
Durante anos, sua cor escura e seu sabor diferente fizeram com que fosse menos valorizado no próprio território onde era produzido. Enquanto os consumidores brasileiros estavam mais acostumados aos méis florais claros e doces, o Melato seguia uma trajetória discreta nas regiões produtoras do Sul.
Então veio o interesse do mercado europeu.
O que parecia uma característica pouco desejável passou a ser justamente seu diferencial. A cor escura, o sabor intenso, a composição diferenciada e a origem incomum transformaram o Melato em um produto valorizado fora do país.
E é justamente nesse cenário que a Ultramel busca aproximar esse produto do consumidor brasileiro.
A marca trabalha com famílias de apicultores e pequenos lotes, valorizando aquilo que torna o Melato de Bracatinga único: sua origem, suas características naturais e a relação direta com o território onde é produzido.
Mais do que comercializar um mel diferente, a proposta é apresentar ao mercado nacional um produto brasileiro que durante anos encontrou no exterior um público que já reconhecia suas particularidades.
Enquanto grande parte da produção segue para outros países, o Brasil começa a descobrir uma das histórias mais particulares de sua própria apicultura.
