Quando o ambiente de trabalho causa depressão: entenda como reconhecer o problema

Psiquiatra aponta que é fundamental atenção de equipe e gestores para o tratamento adequado de pessoas com depressão no ambiente corporativo

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(Foto: Divulgação)

Cargas muito altas de trabalho podem representar prejuízos para a saúde. A saúde mental no ambiente corporativo tem preocupado gestores dos mais diversos ramos da indústria, principalmente pelo crescente número de pessoas registradas com depressão decorrente do trabalho.

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Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, há, em todo o mundo, cerca de 300 milhões de pessoas com depressão, e o ambiente de trabalho nocivo é apontado como um dos principais causadores de problemas psicológicos e físicos.

Mudar esse cenário é fundamental não somente para o bem-estar pessoal, mas também para o mercado. A depressão gera perda de produtividade e isso, ainda de acordo com a OMS, custa aproximadamente um trilhão de dólares ao ano para a economia global.

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O Movimento Falar Inspira a Vida propõe requalificar a conversa sobre depressão, quebrando estigmas e abordando as diferentes formas da doença. Embora não possamos falar que há uma forma de depressão causada pelo trabalho, o ambiente de trabalho nocivo e uma série de fatores, como excesso de cobrança e jornadas excessivas, pode servir como gatilho ou agravar o quadro de depressão.

Para falar dessas questões, convidamos o Dr. Arthur Guerra, psiquiatra, professor da Faculdade de Medicina da USP e da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental

Quais os primeiros sinais de que o trabalho está causando ou está relacionado à depressão?

O primeiro sinal de que o trabalho pode estar relacionado à depressão é o desajuste da pessoa em relação ao ambiente profissional. Esse sinal deve ser identificado primeiramente pelo supervisor imediato ou líder da equipe.

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Mais do que um psicólogo, um médico do trabalho ou outros colegas, o supervisor imediato é quem consegue saber se aquela pessoa vem apresentando um comportamento diferente, se está mais irritada, se está tendo um rendimento pior da sua função profissional. O supervisor deve ser capaz de notar se aquela pessoa “parece uma outra pessoa” porque, por exemplo, passou a chegar a atrasada, está desanimada, tem pensamentos negativos, está desatenta, com pouca paciência com seus colegas e com os erros que são normais em todo trabalho. Normalmente, esses são sinais de um quadro misto de depressão e ansiedade.

Como os demais funcionários devem abordar a questão com um colega com depressão sem serem invasivos?

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Os colegas devem manter uma postura respeitosa e de empatia. É importante que se coloquem no lugar daquela pessoa que está com depressão e pensar “se fosse comigo, como eu estaria me sentido e como eu esperaria que meus colegas agissem?”

Sobretudo, é indicado que os colegas conversem com o superior imediato ou líder da equipe, que, em geral, são profissionais capazes de fazer a leitura da situação e encaminhar para o tratamento adequado.

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Cabe ao supervisor desmistificar, perante a equipe, a necessidade de tratamento psiquiátrico, falando abertamente e evitando que o funcionário com depressão seja considerado “louco” ou “doente mental” pelos colegas. É determinante mostrar que o tratamento psiquiátrico tem como uma das principais funções evitar que o quadro depressivo se torne crônico.

Considerando que a pessoa com depressão nem sempre percebe-se nessa condição e/ou não sabe como buscar ajuda, é indicado que outros funcionários reportem casos de colegas com depressão ao RH ou aos superiores?

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Sim. Essa conduta é indicada.

Ainda há muitos estigmas em relação à saúde mental e a pessoa com depressão tende a se sentir pouco apoiada e a achar que depressão pode ser considerada uma falta de vontade, como se fosse um problema moral, e não um problema médico, psiquiátrico. Por isso, costuma existir essa resistência inicial em se abordar a questão, o que atrapalha no diagnóstico precoce e no encaminhamento para o tratamento adequado.

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Um papel absolutamente fundamental nessas condições é o do gerente de Recursos Humanos. Quem trabalha em RH consegue, muitas vezes até mais que profissionais da saúde, fazer o diagnóstico inicial, conversar sobre o assunto e encaminhar o funcionário com depressão para que seja tratado da melhor maneira.

É importante que esse time seja treinado para que consigam identificar precocemente quadros de depressão e outros problemas de saúde mental.

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Existe uma forma ideal de os gestores lidarem com funcionários com depressão?

Sim. A forma ideal é abrir o jogo. Quando o diagnóstico já tiver sido feito, é falar “prezada(o) funcionária(o), você tem um problema de saúde, uma doença, e nós precisamos cuidar de você”.

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Os gestores devem demonstrar interesse sincero em cuidar do funcionário com depressão, deixando claro que querem o funcionário bem e com saúde física e mental. Do ponto de vista corporativo é mais rentável e traz mais estabilidade para a empresa manter um funcionário em boas condições de pertencimento.

Nesse sentido, os cuidados devem ser tanto no encaminhamento para o tratamento adequado quanto no modelo de respeito que deve ser adotado por todos da equipe, para que a pessoa com depressão possa ser reintegrada assim que se sentir segura.

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COMO ACOLHER A PESSOA COM DEPRESSÃO NO AMBIENTE DE TRABALHO

O Movimento Falar Inspira a Vida acredita que pequenas mudanças na abordagem sobre depressão podem fazer muita diferença. As pessoas com depressão precisam de acolhimento e escuta para que se sintam seguras para buscar tratamento adequado.

Funcionários com quadro depressivo tendem a apresentar dificuldade de concentração, lapsos de memória, atrasos nas entregas e outros problemas que podem comprometer os resultados e isso pode gerar uma cobrança excessiva, principalmente por parte dos colegas.

Para entender melhor como tornar a conversa sobre depressão mais empática, baixe gratuitamente o guia Depressão: Quando falar e ouvir inspira a vida.