Receber um resultado de pré-diabetes pode causar preocupação, mas ele deve ser entendido principalmente como um sinal de alerta e uma oportunidade de prevenção.
A condição ocorre quando a glicose no sangue está acima do intervalo considerado normal, mas ainda abaixo dos critérios para o diagnóstico de diabetes tipo 2. A progressão não é inevitável: alimentação adequada, atividade física, acompanhamento de saúde e, em alguns casos, tratamento individualizado podem reduzir esse risco.
O tema combina com uma audiência cada vez mais atenta à prevenção. Segundo dados do IBOPE Target Group Index 2025, 67% dos consumidores brasileiros afirmam se preocupar muito consigo mesmos e 53% realizam exames de saúde mesmo quando estão bem.
O que significa um resultado de pré-diabetes?
O diagnóstico é baseado em exames de sangue. De acordo com a linha de cuidado do Ministério da Saúde, os valores de atenção para pré-diabetes são:
- glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dL;
- hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4%;
- glicemia entre 140 e 199 mg/dL duas horas após o teste oral de tolerância à glicose.
Os resultados precisam ser interpretados por médico ou outro profissional habilitado, considerando histórico, medicamentos, fatores de risco e necessidade de repetir ou complementar exames.
1. Descubra qual exame apresentou alteração
Não basta ouvir apenas “a glicose está alta”. Pergunte:
- qual exame ficou alterado;
- qual foi o valor;
- quando ele deverá ser repetido;
- quais fatores de risco precisam ser acompanhados;
- se pressão arterial, colesterol e triglicerídeos também devem ser avaliados.
O Ministério da Saúde orienta acompanhamento periódico para pessoas com pré-diabetes e destaca como fatores de risco histórico familiar, hipertensão, alterações nos lipídios, diabetes gestacional, síndrome dos ovários policísticos, excesso de peso e uso de alguns medicamentos.
2. Comece pelas bebidas do dia a dia
Uma mudança bastante prática é observar o que você bebe.
Refrigerantes, bebidas açucaradas, chás prontos, sucos adoçados e outras opções com açúcar podem passar despercebidos porque não fazem parte do “prato”. A Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda reduzir bebidas com açúcares adicionados ou naturalmente presentes, por sua associação com maior risco de diabetes tipo 2.
Na prática, faça uma troca por vez:
- refrigerante por água;
- bebida adoçada por café ou chá sem açúcar;
- suco frequente pela fruta inteira;
- garrafas açucaradas por água aromatizada com frutas ou ervas.
3. Aumente fibras usando comida de verdade
A recomendação da Sociedade Brasileira de Diabetes para pessoas com pré-diabetes é de aproximadamente 25 a 30 gramas de fibras por dia, com adaptação gradual para evitar desconforto intestinal. A prioridade deve ser obter fibras por alimentos, não apenas por suplementos.
Boas fontes incluem:
- feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico;
- frutas inteiras;
- verduras e legumes;
- aveia;
- sementes;
- cereais integrais.
Uma dica simples é incluir feijão ou outra leguminosa no almoço e no jantar e manter frutas disponíveis para os lanches.
4. Não elimine todos os carboidratos por conta própria
Ter pré-diabetes não significa que arroz, pão, batata ou frutas estejam proibidos.
A estratégia alimentar precisa considerar quantidade, qualidade, combinação e rotina. Cortes radicais podem ser difíceis de manter e não substituem uma orientação individualizada. As diretrizes recomendam uma alimentação variada e equilibrada, adaptada às preferências, limitações e recursos de cada pessoa.
5. Distribua movimento durante a semana
A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada para ajudar a prevenir ou retardar o diabetes tipo 2. Isso pode ser distribuído, por exemplo, em cinco caminhadas de 30 minutos.
Além do exercício planejado, vale interromper longos períodos sentado, caminhar em pequenos deslocamentos e escolher uma atividade possível de manter.
6. Defina metas realistas de peso quando houver indicação
Para pessoas com pré-diabetes e sobrepeso ou obesidade, mudanças de estilo de vida voltadas à redução de peso podem diminuir o risco de progressão. Estudos citados pela Sociedade Brasileira de Diabetes utilizaram metas em torno de 5% a 7% do peso inicial, combinadas com alimentação saudável e atividade física. Essa meta deve ser individualizada e acompanhada por profissionais.
Medicamento é necessário?
Nem toda pessoa com pré-diabetes precisa de medicação.
A Sociedade Brasileira de Diabetes indica que a metformina pode ser considerada em situações específicas de maior risco, como obesidade importante, histórico de diabetes gestacional, síndrome metabólica, hipertensão ou glicemia de jejum mais elevada. A decisão deve ser médica; não é seguro iniciar o medicamento por conta própria.
Quais sintomas merecem avaliação?
O pré-diabetes pode ser identificado durante exames de rotina. Sede excessiva, vontade frequente de urinar, perda de peso sem explicação, visão embaçada, fraqueza ou infecções recorrentes podem estar associados ao diabetes e justificam avaliação de saúde.
O resultado não precisa ser tratado como uma sentença, mas também não deve ser ignorado. Entender o exame e transformar poucas mudanças possíveis em hábitos consistentes costuma ser mais útil do que tentar reformular toda a vida de uma vez.
