Entre os dias 20 e 22 de agosto, Florianópolis recebeu o Simpósio de Oncologia e Hematologia Santa Catarina 2026, promovido pelo Grupo ELORA (centro de pesquisa e ensino), referência nacional na realização de estudos clínicos. O encontro reuniu cerca de 200 médicos e profissionais da saúde convidados para discutir os avanços mais recentes no diagnóstico e tratamento do câncer.
Durante os três dias de evento, a CBN Floripa acompanhou os principais debates por meio do quadro Medicina & Saúde. Conduzida pelo comunicador Mateus Boaventura, a cobertura especial resultou em uma série com oito episódios, reunindo especialistas e convidados do simpósio para aprofundar os temas que estão transformando a medicina.
Os conteúdos estão disponíveis em uma playlist especial no YouTube da CBN Floripa, permitindo que o público acompanhe as discussões sobre inovação, pesquisa clínica, novas terapias e os desafios da oncologia e hematologia.
Todos os dias, novos medicamentos, terapias celulares, inteligência artificial, pesquisa clínica e medicina de precisão transformam a forma como o câncer é diagnosticado e tratado no mundo. O simpósio teve como objetivo aproximar esses avanços científicos da prática clínica, promovendo a troca de conhecimento entre especialistas brasileiros e internacionais.
A programação científica abordou alguns dos temas mais relevantes da prática clínica em oncologia, com painéis dedicados ao câncer de mama, pulmão, tumores gastrointestinais, ginecologia oncológica e uro-oncologia. As discussões envolveram medicina de precisão, imunoterapia, novas estratégias terapêuticas e tomada de decisão baseada em casos clínicos.
Na hematologia, especialistas debateram os avanços no tratamento do mieloma múltiplo, linfomas, leucemias e mielofibrose, além da incorporação de terapias celulares, anticorpos biespecíficos, terapia CAR-T e estratégias de sequenciamento terapêutico. Essas áreas têm transformado o prognóstico de diversas doenças hematológicas em todo o mundo.

Simpósio reuniu hematologista da Universidade do Alabama
Entre os principais nomes internacionais presentes no evento esteve o hematologista Dr. Luciano Costa, professor de Medicina e diretor do Programa de Mieloma Múltiplo da The University of Alabama at Birmingham (UAB), nos Estados Unidos.
Reconhecido mundialmente por sua atuação em mieloma múltiplo, imunoterapias e transplante de medula óssea, ele compartilhou evidências recentes sobre uma das áreas que mais evoluíram na hematologia nas últimas décadas.
Inteligência artificial e inovação na prática clínica
Outro tema de destaque do simpósio foi o uso da Inteligência Artificial na saúde. Para abordar o assunto, o evento contou com a presença do Prof. Dr. Ruben Sciuto, que possui mais de 25 anos de experiência internacional em hospitais de referência e na indústria farmacêutica.
Ele apresentou a palestra “Inteligência Artificial aplicada à Oncologia e à Hematologia: aplicações, desafios e perspectivas para a prática clínica”, abordando como a tecnologia tem apoiado o diagnóstico, a tomada de decisão clínica, a pesquisa e o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas.
Ao longo da programação, o especialista também discutiu os desafios para a incorporação segura e ética da inteligência artificial na prática médica.
Segundo a presidente do Grupo ELORA, Dra. Lucilda Cerqueira Lima, inovação e pesquisa clínica caminham juntas e representam uma oportunidade concreta de ampliar as possibilidades de tratamento para os pacientes.
— A inovação só faz sentido quando chega ao paciente. É justamente esse o papel da pesquisa clínica: transformar descobertas científicas em novas possibilidades de tratamento. Ciência, pesquisa e assistência caminham juntas para oferecer um cuidado cada vez mais preciso e humano — afirma.
Já para o hematologista e vice-presidente do Grupo ELORA, Dr. Jaisson Bortolini, a especialidade vive um momento de profunda transformação.
— A hematologia vive um dos momentos mais promissores da sua história. Novas terapias, medicamentos cada vez mais específicos e tratamentos personalizados têm proporcionado aumento da sobrevida e melhor qualidade de vida para muitos pacientes. O simpósio foi uma oportunidade para discutir essas evidências, compartilhar experiências e analisar como incorporar essas inovações à prática clínica, sempre com o olhar voltado para oferecer melhores resultados aos pacientes — diz.
Santa Catarina é referência em pesquisa clínica
A programação científica do simpósio também evidenciou a importância da pesquisa clínica desenvolvida em Santa Catarina. Atualmente, o Grupo ELORA conduz 15 estudos clínicos com recrutamento aberto e é um dos principais centros de pesquisa clínica em oncologia e hematologia do Estado.
O Centro de Pesquisas participa de estudos multicêntricos internacionais que oferecem aos pacientes acesso antecipado a terapias inovadoras, antes mesmo da incorporação à prática clínica.
Atualmente, os estudos abertos contemplam diferentes tipos de câncer e doenças hematológicas, como câncer de pulmão, próstata, colorretal, ovário, endométrio, mieloma múltiplo, leucemias, linfomas e mielofibrose, envolvendo terapias-alvo, imunoterapias, anticorpos biespecíficos, conjugados anticorpo-droga e outras abordagens inovadoras que buscam ampliar as opções terapêuticas e melhorar os desfechos clínicos.
O Grupo ELORA contribui para o desenvolvimento de novas terapias e amplia o acesso de pacientes a tratamentos gratuitos e inovadores, além de fortalecer Santa Catarina como um importante polo brasileiro de pesquisa clínica em oncologia e hematologia.
