A perda auditiva nem sempre começa com a sensação clara de que alguém “não está ouvindo”. Em muitos casos, a mudança acontece gradualmente e a pessoa adapta a rotina sem perceber: aumenta o volume, observa mais o movimento dos lábios ou evita lugares onde é difícil acompanhar as conversas.
A Organização Mundial da Saúde alerta que a frequência da perda auditiva aumenta com a idade e que mais de 25% das pessoas acima de 60 anos apresentam perda auditiva incapacitante. Exposição frequente a sons altos também pode provocar danos permanentes em pessoas de diferentes idades.
1. Aumentar o volume da televisão ou do celular
Se o volume que antes era confortável parece cada vez mais baixo — ou se outras pessoas reclamam que a televisão está alta — vale prestar atenção.
A necessidade constante de aumentar o som está entre os primeiros sinais associados à perda auditiva, principalmente quando aparece junto com dificuldade para compreender falas.
2. Ouvir a voz, mas não entender as palavras
Uma queixa comum é: “Eu ouço, mas não entendo”.
A pessoa percebe que alguém está falando, mas tem dificuldade para distinguir as palavras. Isso pode acontecer principalmente com sons mais agudos e em frases com pronúncia parecida.
O problema pode ficar mais evidente durante ligações telefônicas ou quando a pessoa não consegue ver o rosto de quem está falando.
3. Pedir para repetirem com frequência
Perguntar “o quê?” ocasionalmente é normal. Mas pedir repetição várias vezes durante a mesma conversa pode ser um sinal de que a compreensão da fala está diminuindo.
Também merece atenção a sensação constante de que as pessoas estão “falando baixo”, “resmungando” ou pronunciando mal as palavras.
4. Ter dificuldade em restaurantes ou reuniões
Ambientes com música, trânsito, várias pessoas falando ou outros ruídos de fundo costumam revelar alterações auditivas antes que elas sejam percebidas em locais silenciosos.
A pessoa pode acompanhar bem uma conversa individual, mas se perder quando há várias vozes ao mesmo tempo. A dificuldade em reuniões, restaurantes e encontros familiares é um dos sinais destacados pela OMS.
5. Sentir zumbido persistente
Chiado, apito ou outro som percebido sem uma fonte externa recebe o nome de zumbido ou tinnitus.
O zumbido pode ter diferentes causas, incluindo exposição a ruídos intensos, envelhecimento, infecções, excesso de cerume e alguns medicamentos. Quando é persistente, recorrente ou afeta o sono e a concentração, deve ser investigado.
6. Evitar conversas e encontros sociais
Dificuldade para ouvir pode fazer com que uma pessoa passe a evitar telefonemas, reuniões ou ambientes movimentados porque acompanhar as conversas exige muito esforço.
Esse afastamento às vezes é interpretado apenas como desinteresse ou mudança de comportamento, quando pode estar relacionado à dificuldade auditiva.
7. Não perceber alarmes, campainhas e sons agudos
Deixar de ouvir o telefone, a campainha, o despertador ou sons como o canto de pássaros também merece atenção. Sons agudos podem ser os primeiros a se tornarem difíceis de perceber em algumas perdas auditivas.
Quando procurar ajuda?
Dificuldades persistentes devem ser avaliadas por otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo. Exames auditivos ajudam a identificar se existe perda, qual é o grau e qual cuidado pode ser indicado.
Perda súbita de audição, principalmente em apenas um ouvido, deve ser tratada como urgência médica. Esperar para ver se o ouvido “volta ao normal” pode atrasar um tratamento importante.
Como proteger a audição no dia a dia
A OMS recomenda manter o volume dos dispositivos abaixo de 60% do máximo, usar fones bem ajustados que reduzam o ruído externo, afastar-se de caixas de som e fazer intervalos em ambientes barulhentos. Em shows, festas e locais de trabalho com muito ruído, protetores auriculares ajudam a diminuir a exposição.
Também não se deve introduzir cotonetes ou outros objetos no canal auditivo. O Ministério da Saúde alerta que eles podem empurrar a cera para dentro e causar lesões em estruturas sensíveis.
Perceber os sinais cedo ajuda a preservar a comunicação, a convivência e a qualidade de vida.
