Teka completa 100 anos de pioneirismo e inovação em Santa Catarina

Fundada em Blumenau pelo imigrante alemão Paul Fritz Kuehnrich, em 1926, marca atravessou gerações, modernizou a produção e se tornou referência no setor têxtil

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Registro da primeira unidade da Teka em Blumenau, inaugurada em 1925. A empresa pioneira no ramo de cama, mesa e banho celebra 100 anos de contribuição para o desenvolvimento econômico catarinense. (Foto: Divulgação)

Com pioneirismo e capacidade empreendedora, o imigrante alemão Paul Fritz Kuehnrich, que ainda muito jovem teve a coragem necessária para seguir rumo a uma terra desconhecida em busca de novos ideais, fundou em 1926, na cidade de Blumenau, a Teka Tecelagem Kuehnrich.

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Paul Fritz chegou a Blumenau em 1924, aos 17 anos, depois de uma viagem de quatro semanas de navio a partir de Hamburgo, na Alemanha. A intenção inicial era seguir para Anitápolis, mas, ao conhecer as possibilidades de desenvolvimento de Blumenau, decidiu permanecer na cidade.

Depois de se casar com Martha Haertel, em agosto de 1925, Paul passou a trabalhar no transporte e encontrou uma oportunidade no mercado de acolchoados. Com o apoio da família da esposa, em 1926, Paul comprou máquinas usadas de uma fábrica de acolchoados e registrou a própria empresa, dando início à história da Teka. Martha teve papel fundamental na produção, enquanto Paul Fritz se dedicava às vendas.

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A empresa enfrentou dificuldades desde os primeiros anos, incluindo problemas com clientes, inadimplência e as grandes enchentes de 1927 e 1928, que causaram prejuízos. Paul Fritz também percebeu que o mercado de edredons era limitado e sazonal. Por isso, decidiu vender as máquinas e passou a fabricar camisas masculinas, conquistando espaço no mercado e fornecendo peças para empresas, escolas e até para a Ação Integralista Brasileira.

No início da década de 1930, com o crescimento da indústria têxtil de Blumenau, Paul Fritz decidiu ampliar os negócios e começar a produção de tecido próprio. Para isso, adquiriu dois antigos teares e alguns equipamentos, dando origem à Tecelagem Kuehnrich. A tecelagem começou a operar em 1932, inicialmente com máquinas rudimentares e produzindo tecidos rústicos.  Como o tecido não era adequado para camisas, a empresa passou a fabricar atoalhados xadrez para toalhas de mesa, panos de copa e aventais. O produto teve boa aceitação e impulsionou o crescimento da empresa. Em 1935, a companhia foi transformada em sociedade anônima e passou a se chamar Companhia Kuehnrich S.A.

Em 1941, quando a empresa passou a se chamar Tecelagem Kuehnrich S.A., adotando a marca TK, foi realizada a primeira exportação da empresa, com destino à Argentina. Durante a Segunda Guerra Mundial a empresa enfrentou as restrições impostas pelo governo brasileiro às empresas dirigidas por pessoas de origem alemã. E em função disso Paul Fritz precisou se afastar formalmente da direção e passou o comando a Arthur Haertel, mas continuou acompanhando de perto os negócios, reunindo-se diariamente com a diretoria para acompanhar a empresa.

Com o fim da guerra, em 1945, Paul Fritz retomou o comando e reorganizou a estrutura comercial. A partir daí, a empresa passou a preparar uma nova fase de crescimento, que também envolveria a entrada da segunda geração da família. Em 1947, Rolf Kuehnrich, filho de Paul Fritz, ingressou na empresa e assumiu a área de vendas. Naquele período, a atuação comercial ganhou força e os pedidos chegaram a superar o estoque disponível e dois meses de produção. Paralelamente, a empresa começou a produzir os próprios fios, utilizando máquinas usadas e adaptadas.

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Em 1948, começou a produzir toalhas de banho felpudas, atendendo a uma demanda crescente do mercado. A boa aceitação fez a empresa ampliar rapidamente a produção, adquirir novos teares e um gerador próprio de energia. No final dos anos 1950, surgiu a marca Teka, formada pela junção dos sons das letras T, de Tecelagem, e K, de Kuehnrich. Em 1966, o nome Teka foi incorporado oficialmente à razão social, consolidando a identidade que a empresa mantém até hoje.

A expansão da produção ganhou novo impulso em 1950 com a chegada de equipamentos mais modernos. Teares Jacquard vindos da Alemanha permitiram a fabricação de artigos de mesa adamascadas, atendendo a uma forte demanda do mercado. Enquanto a produção avançava, a marca também começava a ganhar a identidade que ficaria conhecida no mercado. Teka surgiu da combinação do “T”, de Tecelagem, com o “K”, de Kuehnrich. Em 1966, o nome foi incorporado à razão social.

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Os artigos de banho estampados ganharam espaço nos anos 1960 e passaram a representar o principal produto da empresa. Ao mesmo tempo, a produção se ampliava para os segmentos de cama, mesa e banho. Foi a partir dessa estrutura que a Teka entrou em uma fase de expansão internacional. A empresa abriu o capital, aumentou os investimentos em fiação, tecelagem, acabamento e confecção e passou a participar de feiras internacionais.

Na década de 1970, a produção de tecidos para toalhas aumentou mais de oito vezes entre 1969 e 1979. A companhia também avançou na verticalização, com a aquisição de usinas de beneficiamento de algodão e, em Artur Nogueira/SP, implantou uma unidade voltada também à produção de roupa de cama, que se tornaria um importante segmento da marca.

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A celebração dos 50 anos, em 1976, representou para Paul Fritz a concretização de uma trajetória iniciada com uma pequena fábrica e transformada em uma das maiores indústrias têxteis do país, com presença nacional e internacional. Após cerca de cinco décadas à frente da empresa, Paul Fritz passou a presidência do Conselho de Administração ao filho Rolf, que assumiu como diretor-presidente, marcando a transição para a segunda geração da família.

Sob a liderança de Rolf, a Teka continuou a expansão, adquirindo unidades no Rio Grande do Norte e, em 1983, a Tecelagem e Malharia Indaial. A empresa também investiu em novas tecnologias, ampliou as fábricas e criou uma estrutura cada vez mais especializada para diferentes linhas de produtos. Os anos seguintes mostrariam, mais uma vez, a capacidade de enfrentar períodos adversos. As enchentes de 1983 e 1984 atingiram fortemente a unidade de Blumenau. Funcionários e Rolf participaram da recuperação das máquinas, retiradas poucos dias depois das cheias. Em 1985, a empresa construiu um grande muro de contenção.

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A partir da década de 1980, a Teka entrou em uma nova fase de crescimento e modernização, consolidando os princípios que marcaram a trajetória da empresa desde a fundação por Paul Fritz Kuehnrich: inovação, investimento, qualidade e visão de futuro.

Mesmo após deixar a condução direta da empresa, Paul Fritz permaneceu como uma referência para a cultura empresarial construída ao longo de décadas. “O legado do fundador estava presente na busca constante por evolução tecnológica, na valorização das pessoas e na capacidade da Teka de se adaptar às transformações do mercado”, compartilha Giovani Pedroso dos Santos, coordenador de marketing da Teka.

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Entre 1986 e 1993, cerca de US$ 120 milhões foram investidos em instalações, equipamentos e processos. Em 1993, a receita se aproximava de US$ 200 milhões por ano, enquanto a produção chegava a cerca de 5 milhões de metros de tecido. No mesmo período, a rede de representantes passou de 50 para 120 e a nova gestão deu continuidade ao processo de expansão, mas passou a concentrar esforços também na modernização da área comercial, no relacionamento com os clientes e no aumento da competitividade.

A década de 1990, com a abertura do mercado, a concorrência dos produtos importados, a pressão sobre os preços e problemas de crédito exigiram uma profunda reestruturação na empresa. A Teka criou o programa Proteka, voltado à qualidade e produtividade, reorganizou a atuação comercial e estabeleceu diferentes posicionamentos de marca, com Teka voltada aos públicos B e C e Pettra ao público A.

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Em 2000, a receita chegou a R$ 391,5 milhões, e o resultado operacional voltou a ser positivo, a produção cresceu e as contratações foram retomadas. Naquele momento, 70% das vendas estavam concentradas no mercado nacional e 30% nas exportações. A empresa também começava a mudar a forma de conduzir a gestão. A partir de 2003, os principais cargos executivos passaram a ser ocupados por profissionais externos, enquanto a família Kuehnrich permaneceu no conselho.

Diante do avanço da concorrência asiática, especialmente chinesa, a Teka promoveu uma verdadeira revolução comercial e mercadológica. A companhia reduziu gradualmente a dependência das exportações e passou a adotar um modelo mais flexível, combinando produção própria com a importação estratégica de determinados produtos e tecidos, sempre sob a marca Teka. “Internamente, a produção também foi reorganizada com foco em unidades de negócio, rentabilidade e produtos de maior valor agregado. A área de marketing ganhou papel ainda mais estratégico, buscando compreender os hábitos, desejos e estilos de vida dos consumidores para orientar o desenvolvimento de produtos, coleções, cores, estampas e designs”, destaca o coordenador de marketing.

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A preocupação ambiental também ganhou espaço na estratégia da companhia. A partir de 2006, a Teka implantou projetos para substituir combustíveis fósseis por biomassa nas caldeiras das unidades industriais, buscando reduzir impactos ambientais e tornar os processos mais eficientes. Assim, ao longo desse período, a Teka passou por uma profunda transformação: de uma indústria fortemente orientada à produção e às exportações para uma companhia mais flexível, profissionalizada e orientada pelo consumidor.

Já no século XXI a reinvenção fica marcada pelo foco e ampliação de portfólio e presença no varejo. Além da sede em Blumenau e da unidade industrial em Artur Nogueira/SP, a marca conta hoje com três lojas próprias, nas cidades de Blumenau/SC, Artur Nogueira/SP e Itupeva/SP e um ecommerce próprio, lançado em 2026.

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O grupo reúne atualmente cerca de 2 mil funcionários e mantém atuação nos segmentos de cama, mesa e banho, além da presença no mercado profissional de enxovais. Entre os produtos está a toalha Topázio, de 830 gramas, apresentada pela empresa como a toalha mais pesada do Brasil.

Ao chegar aos 100 anos, a Teka mantém a presença construída ao longo de décadas, mas também segue incorporando novas formas de produzir, administrar e se relacionar com o consumidor. Para o coordenador de marketing da Teka, Giovani Pedroso dos Santos, é justamente nessa capacidade de avançar sem perder a essência que está parte do legado deixado por Paul Fritz Kuehnrich. “Os objetivos da Teka seguem os mesmos deixados pelo nosso fundador, pioneirismo, melhoria contínua, superação e excelência. Sendo esses objetivos aplicados a processos, produtos, gestão e inovação”, completa.