As unhas em gel ganharam espaço pela durabilidade e pela variedade de formatos e acabamentos. Mas o resultado estético não deve ser o único critério: produtos, técnicas de aplicação e forma de remoção também podem afetar a saúde das unhas e da pele ao redor.
O interesse por informação sobre o tema é relevante em Santa Catarina. Segundo dados do IBOPE Target Group Index 2025, 44,2% das mulheres de 30 a 49 anos da Região Metropolitana de Florianópolis pesquisam sobre beleza e estética na internet.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta que produtos e procedimentos em gel podem provocar reações alérgicas, fragilidade, deformidades, manchas e infecções, principalmente quando há aplicação ou remoção agressiva. A entidade adota uma postura de precaução e recomenda evitar unhas em gel ou similares; para quem optar pelo procedimento, orienta procurar profissionais qualificados e verificar os produtos utilizados.
Antes de marcar o horário, confira as perguntas que ajudam a tomar uma decisão mais informada.
1. Qual produto será aplicado?
Peça para ver a embalagem original, em vez de aceitar apenas potes sem identificação. Confira:
- marca e fabricante;
- validade;
- lote;
- lista de ingredientes;
- instruções de aplicação e cura.
Também é possível consultar a situação do produto nos sistemas da Anvisa. O resultado informa se ele está regularizado ou se apresenta alguma irregularidade.
Esse cuidado ganhou ainda mais importância após a Anvisa proibir as substâncias TPO e DMPT, que podiam estar presentes em produtos para unhas e esmaltação em gel. Em 2026, a Agência cancelou mais de 500 registros ou notificações de cosméticos que continham esses componentes; os produtos não podem mais ser comercializados nem utilizados no Brasil.
2. Se houver cola, ela é própria para uso cosmético?
Nunca aceite cola instantânea de uso doméstico para fixar unhas postiças ou extensões.
A Anvisa alerta que esse tipo de cola não é regularizado como cosmético e pode provocar reações alérgicas, queimaduras e outras lesões, pois não foi desenvolvido nem testado para contato com pele e unhas.
3. Como os instrumentos são higienizados?
Pergunte o que é descartável e como alicates, espátulas e outros materiais reutilizáveis são esterilizados.
Lixas e palitos não devem circular entre clientes. A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina também recomenda que cada pessoa tenha o próprio kit de manicure, incluindo alicate, tesoura, espátula e lixa, como medida de proteção contra hepatites B e C.
4. É realmente necessário retirar a cutícula?
A cutícula funciona como uma barreira de proteção da unha. Cortes e retirada excessiva podem facilitar a entrada de bactérias e outros microrganismos.
A American Academy of Dermatology recomenda pedir ao profissional que não corte as cutículas durante a aplicação de unhas artificiais.
5. Quanto da unha natural será lixado?
Pergunte como será feito o preparo da superfície. Lixar em excesso pode retirar camadas da unha natural, deixando-a mais fina, frágil e sensível.
Se houver dor, ardência ou aquecimento intenso durante o lixamento, avise imediatamente. O procedimento não deve ser suportado em silêncio apenas para terminar mais rápido.
6. Qual cabine será usada e qual é o tempo de cura?
O tempo de exposição deve seguir as orientações do fabricante do produto. Camadas muito grossas, equipamentos incompatíveis ou tempos improvisados podem comprometer a cura.
A Academia Americana de Dermatologia recomenda, quando possível, cabines LED em vez das cabines UV tradicionais, pois realizam a cura mais rapidamente e emitem níveis menores de radiação ultravioleta.
7. Como será feita a remoção?
Essa pergunta deve ser feita antes da aplicação, porque o método depende do tipo de produto utilizado.
Pergunte se o gel é removido por imersão apropriada ou se precisa ser lixado. Quando a fórmula permitir, dermatologistas recomendam sistemas removíveis por imersão em vez daqueles que exigem desgaste intenso da superfície.
Nunca puxe, arranque ou raspe o gel. Esses movimentos podem retirar camadas da unha natural. Na remoção doméstica, a AAD orienta seguir um método controlado com acetona e evitar palitos ou raspagem forçada.
8. Quais sinais indicam que devo interromper o uso?
Procure avaliação dermatológica caso apareçam:
- coceira ou ardência;
- vermelhidão e descamação;
- inchaço ao redor dos dedos;
- dor persistente;
- alteração de cor ou textura;
- descolamento da unha;
- secreção ou mau cheiro.
Essas mudanças podem estar relacionadas a alergias, trauma ou infecção e não devem ser simplesmente cobertas com uma nova camada de gel.
Beleza também envolve escolhas seguras
Unhas em gel não devem ser tratadas apenas como uma decisão estética. Saber quais produtos serão utilizados, conferir a higiene, entender a retirada e reconhecer sinais de alerta ajuda a reduzir riscos.
Mais importante do que manter o procedimento sem interrupções é observar como as unhas reagem e permitir períodos sem gel quando houver fragilidade ou alterações.
