A Austrália pode aprontar contra o Brasil nos primeiros compromissos após a Copa do Mundo 2026?

Equipe será o primeiro adversário na caminhada até a Copa do Mundo de 2030

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Australianos conseguiram a segunda colocação do grupo (Foto: REUTERS)

Australianos foram até a segunda fase da Copa do Mundo 2026 (Foto: REUTERS)

*Por José Wálter, correspondente especial da NSC na Austrália

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Por muitos anos, quando se falava em esporte na Austrália, o futebol estava longe de ocupar o primeiro lugar na preferência nacional. Rugby, futebol australiano e críquete sempre tiveram um espaço muito maior no coração dos australianos. Mas, nas últimas décadas, o chamado “soccer” passou por uma transformação que ajudou o país a diminuir a distância para algumas das principais forças do futebol mundial.

Um dos episódios mais curiosos dessa história aconteceu em 2001. Pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, a Austrália aplicou incríveis 31 a 0 sobre a Samoa Americana. Até hoje, a FIFA trata aquele resultado como o recorde de placar em uma partida internacional entre seleções principais. Naquele jogo, Archie Thompson marcou nada menos que 13 vezes.

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Mas aquela goleada também mostrava o contexto em que a Austrália estava inserida. Na época, os Socceroos disputavam as Eliminatórias pela Oceania e conviviam com uma enorme diferença de nível em relação a boa parte dos adversários da região.

O início da transformação do futebol na Austrália

Dentro do país, o futebol também buscava uma nova identidade. A Austrália já possuía uma competição nacional desde a criação da National Soccer League, em 1977, mas foi na década de 2000 que começou uma profunda reestruturação do esporte. A antiga liga chegou ao fim e, em 2005, começou a A-League, construída com uma proposta mais moderna e profissional.

A mudança não ficou restrita ao campeonato nacional. Em 2006, a Austrália deixou a Confederação da Oceania e passou a disputar as competições da Ásia. A decisão colocou os australianos diante de adversários muito mais fortes e abriu uma nova fase para o futebol do país.

Os resultados começaram a aparecer também entre os clubes. Em 2014, apenas dois anos depois de ser criado, o Western Sydney Wanderers conseguiu um feito histórico. O clube derrotou o Al-Hilal, da Arábia Saudita, por 1 a 0 no placar agregado e conquistou a Liga dos Campeões da Ásia. Foi a primeira vez que um clube australiano chegou ao topo do continente.

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No mesmo período, outro movimento chamou a atenção, o Melbourne Heart passou para as mãos do City Football Group e, em 2014, tornou-se Melbourne City. O clube passou a integrar a mesma rede internacional do Manchester City, recebendo investimentos em estrutura, desenvolvimento de jogadores e metodologia. Hoje, o Melbourne City possui uma academia e um centro de treinamento de alto nível e se consolidou entre as principais forças da A-League.

E essa evolução também pode ser percebida olhando para os jogadores que defendem a seleção australiana atualmente.

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Seleção com jogadores espalhados em diversos mercados do futebol

A Austrália que enfrenta o Brasil tem atletas espalhados por diferentes mercados do futebol mundial. Um dos principais nomes é o zagueiro Harry Souttar, do Leicester City, jogador de 1,98 metro e presença constante na seleção. Ao lado dele aparece Alessandro Circati, que atualmente pertence ao Benfica.

No meio-campo, a experiência passa por Jackson Irvine, hoje no Cerezo Osaka, do Japão, além de Riley McGree, do Middlesbrough, e Connor Metcalfe, do St. Pauli, da Alemanha. (Socceroos)

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Mas talvez o nome que mais represente a nova geração australiana seja Nestory Irankunda. Com apenas 20 anos, o atacante já passou pelo Bayern de Munique e hoje pertence ao Sporting, de Portugal. Velocidade, força e capacidade no um contra um fazem dele uma das principais apostas dos Socceroos para os próximos anos. Para esta série contra o Brasil, ele chegou com 19 partidas e seis gols pela seleção principal.

A convocação também mostra que o técnico Tony Popovic está olhando para o futuro. O grupo inicialmente anunciado para enfrentar o Brasil tinha sete jogadores que ainda não haviam estreado pela seleção principal. Depois de alterações por questões médicas, a lista ficou com nomes atuando na Inglaterra, Alemanha, Portugal, França, Japão, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos e outros mercados.

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Na última Copa do Mundo, a Austrália fez uma campanha decente ao se classificar em segundo lugar, apenas ficando atrás do país sede Estados Unidos. Venceu a Turquia por 2 a 0 na estreia, empatou com o Paraguai em um placar sem gols e perdeu para os Estados Unidos por 2 a 0.

Na fase eliminatória, foi derrotado nos pênaltis pelo Egito, que em seguida deu um grande aperto contra a Argentina que ao decorrer na competição terminou como vice-campeão.

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É uma realidade bem diferente daquela encontrada no começo deste século. A Austrália ainda vive em um país onde o futebol precisa dividir espaço com modalidades muito mais populares. Mas construiu uma liga profissional, mudou de confederação, tornou-se campeã asiática de seleções, viu um clube conquistar a Champions League da Ásia e passou a exportar cada vez mais jogadores.

Agora, diante da seleção mais vencedora da história das Copas do Mundo, os Socceroos têm mais uma oportunidade de mostrar até onde essa evolução conseguiu levar o futebol australiano.