De sapatos furados à Bola de Ouro: Conheça a história de Julián Quiñones, atacante naturalizado mexicano que desbancou Cristiano Ronaldo

Atleta superou infância sem saneamento básico, polêmicas com festas antes de brilhar na Copa do Mundo 2026 e virar artilheiro na Arábia Saudita

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Julian Quiñones celebra gol marcado na Copa do Mundo (Foto: Reuters)

A indicação do atacante Julián Quiñones à Bola de Ouro 2026 foi uma das surpresas da premiação. O jogador de 29 anos, que atua pelo Al-Qadsiah, da Arábia Saudita, superou um início de vida cercado pela extrema pobreza e problemas extracampo antes de alcançar a elite do esporte e entrar para a lista dos 30 melhores do mundo.

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Ele se tornou apenas o segundo jogador mexicano indicado ao prêmio na história, igualando o feito de Guillermo Ochoa em 2007. A premiação, que acontece no dia 26 de outubro, em Londres, coroa um ano de marcas impressionantes na carreira do atleta.

A infância de dificuldades na Colômbia

Embora atue pelo México, Quiñones nasceu em Magüí Payán, na Colômbia. Sem a presença do pai, ele cresceu em uma região dominada pela vulnerabilidade social, onde 75% das residências não contam com saneamento básico.

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Em entrevista à BBC Sport, o jogador descreveu o local de origem como “uma vila muito distante, esquecida”. Ao canal Fútbol Picante, da ESPN MX, ele confessou que quase seguiu caminhos errados por conta das más companhias na juventude, creditando à mãe, Glória, a sua salvação: “Minha mãe foi a pessoa que nunca deixou eu chegar ao fundo do poço”. Aos 16 anos, Quiñones viajou para Cali para treinar na academia amadora Fútbol Paz, voltada para jovens carentes.

“Para ser sincero, eu estava com muito medo. Eu nem tinha chuteiras, usava sapatos furados na ponta dos pés”.

O talento sobressaiu rapidamente: ele marcou 50 gols em 38 partidas na categoria sub-17 antes de ser levado para o Tigres, do México.

Noitadas, problemas de comportamento e briga com faca

Apesar de conquistar títulos no Tigres, a juventude de Quiñones no futebol mexicano foi conturbada. Conforme o ge, o atleta conviveu com problemas de alcoolismo no início de sua trajetória, sendo apelidado de “Bêbado” por torcedores adversários pelas constantes aparições na vida noturna de Monterrey.

O episódio mais grave ocorreu em 2017, quando estava emprestado ao Lobos, também do México. Quiñones e o companheiro de equipe William Palacios se envolveram em uma confusão com uso de faca. Palacios foi hospitalizado com ferimentos e Quiñones acabou afastado temporariamente após lesionar a mão durante a briga.

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Sua reabilitação pessoal e profissional aconteceu sob a influência de sua esposa, Ana Gabriela, apontada pelo ge como peça-chave para “ajeitar” a vida do jogador. Em outubro de 2023, mesmo mês do nascimento de sua filha Alanna, Quiñones conseguiu sua naturalização mexicana e optou por defender a seleção do país que o acolheu, recusando convocações da Colômbia.

Artilheiro na Arábia Saudita e recordes na Copa do Mundo

Contratado pelo Al-Qadsiah por 14 milhões de euros (aproximadamente R$ 84 milhões na cotação da época), Quiñones vive uma fase fantástica na Arábia Saudita. Ele se consagrou o artilheiro máximo da Liga Saudita com 33 gols, superando astros do porte de Cristiano Ronaldo e Ivan Toney.

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“Fisicamente ele é um monstro. O time pode estar em um dia ruim, mas bastam duas bolas chegarem até ele para marcar dois gols e garantir a vitória”, afirmou o seu companheiro de equipe, Miguel Carvalho, em depoimento à Fifa.

Na Copa do Mundo de 2026, mesmo com a eliminação mexicana nas oitavas de final, Quiñones quebrou o recorde de Luis Hernández (de 1998) ao se tornar o primeiro atleta mexicano a participar diretamente de cinco gols em um único Mundial. Ele também marcou o primeiro gol do torneio, contra a África do Sul, anotando o gol de abertura mais rápido de uma Copa em 20 anos.

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Foras dos campos, o agora indicado à Bola de Ouro atua como embaixador da Fundación Freedom no combate ao tráfico de pessoas e preside a liga beneficente Banning Pass Little League, que oferece esportes gratuitos para jovens vulneráveis nos Estados Unidos.

*Sob supervisão de Marcos Jordão