Jaguaruna, no Litoral Sul catarinense, será a sede da primeira etapa do torneio mundial de ondas grandes. O lançamento oficial da competição aconteceu nesta quarta-feira (29).
Entitulada como a Capital Nacional da Maior Onda do Brasil, a praia é conhecida como Nazaré Brasileira, devido aos paredões que se formam na Laje da Jagua.
Thiago Jacaré, coordenador do surfe de ondas grandes da Surf Brasil (CBSurf), explica que o evento não tem uma data marcada, pois depende das condições do mar.
— Quando der o dia “X” do swell junto com o site Waves e o Surfguru, e identificar as condições necessárias, que são tamanho de três metros e 13 segundos com direção sul-sudeste, que podem gerar ondas de 10 metros, aí a gente marca o evento — explica Thiago Jacaré.
Na lista de atletas confirmados, estão presentes mais de cinco campeões mundiais, além de brasileiros como Lucas Chumbo, um dos maiores nomes do mundo na modalidade. Outro nome que está garantido é o de Marco Polo, que foi terceiro colocado no Brasileiro de Ondas Grandes na última temporada.
— Eu até disputei o título de maior onda do Brasil com o Lucas Chumbo, mas a dele foi um pouco maior, a minha ficou em segundo lugar. Porém estou acostumado, conheço bem o território — afirma Marco Polo.
Capital nacional das ondas grandes
Jaguaruna fica situada no Litoral Sul de Santa Catarina, e foi reconhecida pelo Governo Federal neste ano como a Capital Nacional da Maior Onda do Brasil. A Lei nº 15.461, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 7 de julho de 2026, confere oficialmente o título ao município catarinense.
A cidade ganhou projeção nacional e internacional no surfe de ondas grandes por causa da Laje da Jagua, formação rochosa submarina localizada a cerca de cinco quilômetros da costa. O local é conhecido como a “Nazaré Brasileira” e já recebeu algumas das maiores ondas surfadas no país.
De acordo com Reinaldo Langer Jaeger, gestor do movimento Big Waves Brasil, a articulação pelo reconhecimento começou a partir de um pedido de uma associação de Jaguaruna, em conjunto com o próprio movimento. A solicitação foi levada à uma deputada federal, com apoio de lideranças da região.
— A gente mandou um relatório com relatos de atletas, matérias, imagens, tudo. Mas pediram para embasar bem com um estudo técnico. Então solicitamos à Prefeitura de Jaguaruna que contratasse um oceanógrafo do Rio de Janeiro, especialista em medição de ondas, para definir de maneira técnica se a Laje da Jagua é ou não a maior onda do Brasil. E esse estudo indicou que sim — disse.
A Laje da Jagua foi palco, em 2025, da maior onda já surfada no Brasil. O feito foi de Lucas Chumbo, que surfou uma onda de 14,82 metros no dia 30 de julho daquele ano, em Jaguaruna. O recorde anterior era de Thiago Jacaré, com 13,7 metros.
Em maio de 2026, a surfista Michaela Fregonese também fez história no local ao surfar uma onda de 12,25 metros, a maior já surfada por uma mulher no Brasil. A marca foi registrada em 11 de maio, após a passagem de um ciclone que levou atletas de diferentes regiões do país à cidade catarinense.
A Laje da Jagua
Localizada na costa de Jaguaruna, a Laje da Jagua é uma formação rochosa submarina com cerca de dois quilômetros de extensão e que foi descoberta por surfistas em 2003.
A característica geográfica do local permite que as ondas aumentem de tamanho ao se aproximarem da costa. De acordo com Argeu Vanz, oceanógrafo da Epagri/Ciram, o processo é semelhante ao que acontece em Nazaré, em Portugal, que também é conhecido pelas ondas gigantescas.
