“Quanto vale a palavra de uma mulher?”: Absolvição de Daniel Alves provoca revolta

Mulheres da política brasileira e espanhola reagiram negativamente à anulação da sentença de Daniel Alves, que foi acusado de estupro

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Daniel Alves durante o julgamento (Foto: Marca, Reprodução)

Daniel Alves durante o julgamento (Foto: Marca, Reprodução)

O ex-jogador da seleção brasileira Daniel Alves, condenado pelo estupro de uma jovem de 23 anos em uma boate de Barcelona, foi absolvido pelo Tribunal de Justiça da Catalunha. Após ter condenado o ex-jogador a 4 anos e 6 meses pelo crime de agressão sexual, a Justiça catalã voltou atrás e anulou a sentença nesta sexta-feira (28).

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Veja fotos de Daniel Alves durante o julgamento

Daniel Alves já estava em liberdade provisória desde o ano passado, quando a Justiça catalã aceitou um recurso da defesa do brasileiro. Segundo informações do ge, o motivo da absolvição de Daniel Alves por parte do Tribunal de Justiça da Catalunha é que o depoimento da denunciante foi “insuficiente para sustentar a condenação”, e anulou a sentença contra o brasileiro.

A absolvição de Daniel Alves, mesmo diante de “indícios muito mais do que suficientes” da existência de crime, de acordo com a juíza Anna Marín, teve reações negativas entre mulheres tanto na Espanha quanto no Brasil.

A ministra da Igualdade na Espanha, Ana Redondo, foi uma das primeiras figuras públicas da política espanhola a se pronunciar sobre o caso. Ela enfatizou que as mulheres precisam saber que suas vozes e palavras são confiáveis.

— A lei respeita, protege e sustenta o que uma mulher diz como verdadeiro e, portanto, acho que devemos ter em mente que a lei mudou, que o consentimento deve ser levado em conta e que [com a decisão desta sexta-feira], infelizmente, podemos estar enviando a mensagem errada aos cidadãos e mulheres deste país — disse a ministra.

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Irene Montero, que assumiu o cargo de ministra da Igualdade na Espanha no mandato anterior ao de Ana, afirmou que a sentença “é um claro exemplo de violência institucional e justiça patriarcal, que deixa as mulheres desprotegidas e, como diz a ONU, mantém a cultura de impunidade dos agressores. Mil vezes: só sim é sim”.

O caso também repercutiu amplamente no Brasil. A jornalista e ex-deputada estadual Manuela d’Ávila (sem partido) se manifestou contra a absolvição no X, antigo Twitter:

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Quanto vale a palavra de uma mulher? Ao decidir anular a sentença que havia condenado Daniel Alves, o Tribunal Superior da Catalunha mostra como o sistema protege homens poderosos. Vale lembrar que antes essa mesma justiça reduziu sua pena após o pagamento de uma multa (com a ajuda financeira de outro jogador…). Havia imagens, houve testemunhas, provas. Ao duvidar da “fiabilidade” de uma mulher, a justiça da Espanha deixa de lado que Daniel Alves também mudou o seu testemunho, no mínimo cinco vezes, quando foi confrontado pela justiça, mas por que somente a palavra da mulher é invalidada? Seguimos em luta por essa mulher e por todas as vítimas que são desacreditadas — escreveu Manuela d’Ávila no X.

A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) lamentou o caso: “Mais uma vez, a justiça, a mesma que reduziu a pena do jogador depois de um belo pagamento, opta pela impunidade do agressor e silenciamento da vítima. Lamentável”.

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“Indícios muito mais do que suficientes” indicam que houve estupro, segundo juíza

A juíza espanhola Anna Marín, responsável pela condenação e julgamento da acusação de que o jogador brasileiro Daniel Alves estuprou uma jovem de 23 anos, afirmou em documento que há “indícios muito mais do que suficientes” para considerar que houve agressão sexual.

O episódio de agressão sexual teria acontecido em 30 de dezembro de 2022. De acordo com a imprensa espanhola, a vítima relatou à Justiça que ela e Daniel Alves dançaram juntos na balada, até o momento que, de acordo com o seu depoimento, ele “levou várias vezes a mão dela até seu pênis, que ela retirou assustada”. Um tempo depois, o ex-jogador a convidou para segui-lo até uma porta, que dava para um banheiro.

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A mulher foi vista por um segurança da balada chorando e logo relatou ao homem o que havia acontecido. Assim, ele imediatamente ligou para a polícia, que foi até a vítima e interditou o local para a coleta de provas. A mulher foi levada ao hospital de ambulância e, devido à rapidez do exame de corpo de delito, muitos indícios puderam ser coletados.

Ela fez um boletim de ocorrência e, no hospital especializado no atendimento de mulheres vítimas de violência, já foi apresentada a uma advogada para que desse início ao processo contra o brasileiro.

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A Polícia da Catalunha encontrou provas de DNA de Daniel Alves em restos de sêmen dentro do corpo da vítima, em suas roupas e no chão do banheiro da boate Sutton.

Segundo os depoimentos dos amigos de Daniel Alves, o grupo estava reunido desde o meio da tarde no restaurante Taberna del Clínic. No começo da madrugada, foram para o bar Nuba e depois emendaram para a boate Sutton, onde teria acontecido o crime, de acordo com o depoimento do Bruno Brasil, que estava com o ex-atleta durante o dia.

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*Lia Capella é estagiária sob a supervisão de Diogo Maçaneiro

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