Foi do desejo de criar coxinhas vegetarianas e, com isso, comprar um cavalo que surgiu a Maria Coxinha, marca catarinense com mais de 10 anos que produz mais de 80 toneladas de salgados mensalmente. O negócio, comandado por Flávia Garcia e Bruna Vanzuita, começou pequeno, mas hoje já se tornou um “império”, com os produtos distribuídos em diversos supermercados da região.
Em conversa com o NSC Total, Flávia, de 43 anos e formada em Design, relembrou o início da trajetória da marca, que agora conta com uma fábrica em São José, na Grande Florianópolis, que produz toneladas de salgadinhos.
“Eu e a Bruna tínhamos nossos empregos e queríamos criar alguma coisa para ter uma renda extra. Na época, nossa brincadeira era: ‘vamos montar um negócio para ganhar uma graninha e conseguir ter um cavalo?’”, relembra.
O fato de ambas também não comerem carne foi importante para impulsionar ainda mais a criação do negócio:
“Eu já não como carne há mais de 20 anos e sempre sentia falta daquele salgadinho de festa, daquela ‘friturinha’ de aniversário, mas era muito difícil encontrar opções sem carne. A Bruna começou então a desenvolver algumas coxinhas em casa, com sabores bem diferentes para a época, como cogumelos e brócolis com gorgonzola. A gente experimentava e pensava: ‘Poxa, isso é muito gostoso. Isso aqui pode virar um negócio’, conta Flávia.
Produção começou em apartamento com venda de 40 coxinhas
Segundo a empreendedora, a produção começou em 2016 dentro de um apartamento de forma manual. Na primeira semana, a dupla vendia em torno de 40 coxinhas por noite.
“Depois foram 80, 120, 200, 500… até chegarmos a aproximadamente mil coxinhas por dia. Ao longo do tempo, criamos uma variedade enorme de sabores e desenvolvemos produtos vegetarianos, veganos, sem glúten, sem lactose e até coxinhas doces‘, explica a empreendedora.
Dupla chegou a ter 15 lojas para venda do quitute
De acordo com Flávia, o crescimento da marca foi orgânico e a procura começou a aumentar gradativamente. Para conseguir atender todas as demandas, a dupla precisou se reinventar.
“Começamos dentro do nosso apartamento e, conforme a procura aumentava, percebemos que aquela estrutura já não comportava mais o volume. Criamos então uma pequena cozinha industrial para produzir e abastecer nossa primeira unidade, na região da pracinha de São José”, diz.
A procura foi tanta que as empresárias investiram em um projeto de expansão, com a primeira filial em Coqueiros, em Florianópolis, e depois em outras unidades como no Campeche, Santo Antônio, Blumenau, Curitiba, Porto Alegre e Chapecó.
“No auge desse modelo, chegamos a ter 15 lojas, e existia um projeto de expansão da marca por meio de franquias para todo o Brasil”, conta Flávia.
Hoje, a marca tem uma fábrica localizada na área industrial de São José, com uma produção média de aproximadamente 80 toneladas de salgados por mês. Porém, o sonho do cavalo não ficou esquecido: hoje o casal tem quatro animais, além de um sítio.
Pandemia e mudanças no negócio
Para Flávia, um dos capítulos mais importantes da história da Maria Coxinha foi a transformação da marca em indústria. Mas a mudança surgiu em meio a desafios.
“Nosso maior desafio foi justamente o período que provocou essa transformação: a pandemia. Nós tínhamos uma operação muito voltada às lojas físicas. Ficamos aproximadamente três meses com unidades fechadas e, quando houve a reabertura, existiam diversas limitações de capacidade. Nosso público era muito formado por famílias, pais e filhos, justamente um público que reduziu bastante as saídas naquele período. Foi um momento extremamente difícil, mas também foi quando tivemos que olhar para o nosso negócio de outra maneira“, recorda Flávia.
Atualmente, 100% das lojas físicas da marca foram encerradas. Segundo Flávia, a mudança foi necessária para atingir o público-alvo da empresa de forma diferente.
“Foi olhando para os supermercados cheios, enquanto nossas unidades estavam fechadas, que percebemos uma oportunidade que mudaria completamente o rumo da empresa. Foi quando pensamos: precisamos estar onde o nosso público está“, completa.
Assim, a empresa começou a realizar uma mudança no modelo de negócio, vendendo os produtos para outras empresas. De acordo com Flávia, não existe um projeto para retorno das lojas físicas da marca.
“A partir dali começamos a crescer dentro do varejo, conquistar novas redes e estruturar a Maria Coxinha cada vez mais como indústria. Hoje somos essencialmente uma indústria de alimentos, com uma produção média de aproximadamente 80 toneladas de salgados por mês. Nosso foco está no fornecimento para supermercados, atacados, postos de combustíveis, cafeterias, restaurantes e outros estabelecimentos. Atualmente atendemos em torno de 350 pontos de venda por mês, contamos com sete distribuidores e estamos presentes em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Estimamos que nossos produtos cheguem diariamente a aproximadamente 15 a 20 mil consumidores“, explica.
Maria Coxinha se reinventou
Atualmente, o portfólio da marca conta com cerca de 20 tipos de produtos, incluindo risoles, enroladinhos de salsicha, espetinhos, pastéis e outros salgados.
“Nosso próximo capítulo é crescer ainda mais como indústria. Queremos ampliar nossa presença e chegar a mercados como São Paulo e Rio de Janeiro, avançando no nosso projeto de expansão nacional”, pontua.
Flávia complementa que a história da Maria Cozinha não terminou, apenas ganhou novo capítulo:
“Não enxergamos o fechamento das lojas simplesmente como o fim de um ciclo. Foi uma transformação. A fachada deixou de existir, mas a Maria Coxinha cresceu para estar em muitos outros lugares. E agora queremos levar essa história ainda mais longe”.






