A bebida que surgiu de uma receita de família, em um bar de Itajaí, litoral de Santa Catarina, e caiu no gosto da população já não é mais apenas uma marca regional e agora conta até com reconhecimento internacional. A Maracutala foi premiada com medalhas de ouro, prata e bronze no Brasil Spirits Cup 2026, evento que reúne produtos de diferentes países e fez parte da programação do Concursos Brasil Cup, realizado em Florianópolis.
Três sabores diferentes da marca itajaiense entraram no pódio dos campeões. O ouro ficou com o coquetel de chocolate branco, enquanto o licor alcoólico de maracujá recebeu a medalha de prata e o de paçoca conquistou o bronze. Os três produtos foram avaliados na categoria de coquetéis prontos não carbonatados.
Para Flávia Fantin, diretora da empresa, o reconhecimento ganha um significado especial por destacar uma marca que nasceu em Itajaí.
Conquistar três medalhas em uma competição desse porte, com avaliação técnica às cegas e produtos de diferentes países, é uma validação muito importante do trabalho que fazemos diariamente. E existe um orgulho ainda maior por levar uma marca que nasceu em Itajaí e ver os nossos sabores ganhando esse reconhecimento.
Maracutala produz diversos sabores
A cerimônia de premiação ocorreu no último sábado (12). Ao todo, a edição 2026 do Concursos Brasil Cup reuniu mais de 2 mil rótulos de sete países, avaliados às cegas por cerca de 80 especialistas brasileiros e estrangeiros. Em toda a programação, foram distribuídas 697 medalhas, sendo 232 de ouro, 238 de prata e 227 de bronze.
Marca quer expandir para outros estados do Brasil
A conquista no Brasil Spirits Cup é a segunda premiação de destaque da Maracutala em 2026. No primeiro semestre, a empresa recebeu medalhas no 15º Concurso New Spirits, com ouro para os sabores paçoca e chocolate branco, prata para o doce de leite e mérito sensorial para o coco.
Os prêmios chegam em um momento de crescimento da Maracutala, que busca ampliar a presença dos produtos em diferentes regiões do país. Para o proprietário, Andro Franzoi, participar de concursos técnicos também permite colocar os produtos à prova e reforçar a marca durante esse processo de expansão.
Receber ouro, prata e bronze mostra que estamos seguindo um caminho consistente e nos dá ainda mais segurança para avançar para novos mercados. A Maracutala nasceu de uma receita de família, dentro de um boteco em Itajaí, e hoje ver esses sabores sendo reconhecidos em competições desse nível mostra o tamanho da evolução que construímos sem perder a nossa essência
Maracutala surgiu em bar de Itajaí
Nicolau Franzoi Neto, o Tala, era cliente de um bar que estava quebrado. Decidiu, então, assumir o ponto e complementar o cardápio com uma receita artesanal e despretensiosa de batida de maracujá, em 1993. Ele não imaginava, mas estava plantando a semente para a empresa que hoje fatura R$ 18 milhões.
A freguesia aprovou a bebida, que começou a virar sinônimo de “esquenta”. O boca a boca funcionou, os pedidos aumentaram, os clientes queriam levar para a casa. Os filhos de Tala notaram que estavam diante de uma oportunidade. Um deles, Andro Franzoi, também é dono de churrascaria e passou a servir a batida no estabelecimento.
A Maracutala — junção entre maracujá e Tala — nasceu em 2014. No início, Andro começou a garimpar pequenos comércios, bares e conveniências de Itajaí, mais tarde expandindo também para cidades vizinhas, como Navegantes, Penha e Piçarras.
Para facilitar a entrada no mercado, a receita teve o teor alcóolico diminuído para 13%. A “original”, feita pelo Tala no fogão do bar, tinha entre 25% e 30%. O prazo de validade também precisou ser ampliado.
O negócio começou a ganhar ainda mais corpo no pós-pandemia e uma consultoria foi contratada para estruturar o crescimento. O portfólio ganhou novos sabores (morango, côco, chocolate, chocolate branco, doce de leite e paçoca) e evoluiu para uma linha de licores. Hoje já são mais de 500 mil garrafas produzidas e distribuídas em 3 mil clientes, entre eles grandes redes varejistas da região Sul do país.
A fábrica de mil metros quadrados, instalada em um galpão alugado, emprega em torno de 20 pessoas, mas já está ficando pequena. Dentro de três anos, estima Andro, a Maracutala quer ter um prédio próprio para suportar o aumento da demanda. A empresa está começando a entrar em novos mercados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás e prepara a diversificação do portfólio, com novos sabores de licor, vinho branco gaseificado e chá gelado.
Com 25 vendedores representantes — número que logo deve ser ampliado —, a empresa projeta superar R$ 20 milhões em faturamento em 2026.











