Nova cafeteria em Blumenau vai além de café com bolo e aposta na criatividade com a pintura em cerâmica

Olibí ocupa uma sala no Centro e aposta em uma combinação pouco comum: café, cerâmica e um tempo longe da tela do celular

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Cafeteria nasceu de um lugar de carinho e da ideia dos proprietários de transformar paixões em empreendimento. (Foto: Arquivo pessoal)

Entre uma xícara de café e uma pincelada, o tempo parece passar de outro jeito. Em uma mesa, alguém escolhe uma caneca branca e começa a desenhar. Na mesa ao lado, uma criança pinta um bichinho em um prato. Mais adiante, amigos conversam enquanto transformam xícaras e pequenas peças em objetos que, depois de prontos, poderão fazer parte da rotina de casa. É assim que funciona o Olibí Café e Cerâmica, um novo espaço no Centro de Blumenau que mistura gastronomia, criatividade e pintura em uma experiência inédita.

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O café fica na Rua Ângelo Dias, aos fundos da Escola Barão do Rio Branco. A proposta é simples de entender, mas diferente do que normalmente se encontra em uma cafeteria. O cliente pode chegar sem reserva, escolher uma peça de cerâmica, pintar enquanto toma um café e, no fim, deixa o objeto no local para passar pelo processo de esmaltação e queima. Cerca de dez dias depois, a peça pode ser buscada e levada para casa.

Conheça a história da cafeteria

A cafeteria Olibí nasceu de um lugar de carinho. Começou em 2025 apenas como um estúdio voltado à cerâmica e workshops. A cafeteria veio depois, em 16 de junho deste ano, quando a proprietária Andressa Valim e o marido, Pedro Braga, decidiram unir duas paixões que já faziam parte da vida do casal. Andressa se aproximou da cerâmica durante a gravidez, inicialmente em busca de um hobby. Pedro, por outro lado, sempre teve interesse por café e gastronomia. A combinação acabou virando um negócio.

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Confira algumas fotos

Quando o casal decidiu realmente colocar o projeto em prática neste ano, o processo foi rápido. Depois de encontrar um imóvel que atendia às necessidades de localização, tamanho e orçamento, eles buscaram fornecedores e colocaram o espaço para funcionar em cerca de 50 dias.

“Olibí nasceu de uma vontade de ter uma flexibilidade maior e ficar mais tempo com a nossa família, fazendo o que a gente gosta”, conta Andressa.

O nome também nasceu dentro de casa. Para a cafeteria, Andressa queria algo fácil de falar, com uma sonoridade agradável e que tivesse relação afetiva com a família. Olibí é uma palavra carinhosa inspirada em Oliver, nome do filho do casal, que celebrará um ano de idade neste domingo (16).

Como funciona a experiência

Não é preciso marcar horário para pintar uma peça ou simplesmente tomar um café. O cliente chega, escolhe um dos modelos disponíveis e leva a peça para a mesa. Os materiais necessários para a pintura já estão incluídos no valor da peça, como corantes, pincéis, moldes e esponjas. A equipe também orienta quem nunca teve contato com a cerâmica e explica como utilizar cada material. Para quem tiver dúvida do que pintar, o Olibí conta até com um Pinterest de inspirações.

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A experiência de pintura leva, em média, uma hora e meia, embora o tempo varie conforme a pessoa e a peça escolhida. Para Andressa, uma das partes mais interessantes é justamente perceber a mudança no comportamento dos clientes durante a experiência.

“Percebo que tem gente que chega super empolgada e tem gente que chega meio receosa, não sabe o que vai pintar e fica com medo. Mas eu sinto que, depois, a coisa flui e a pessoa se entrega ali na hora, não vê o tempo passar e todo mundo sempre elogia essa experiência. Todo mundo gosta de desligar um pouco, sair da tela do celular e pintar, usar a criatividade”, elabora Andressa.

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O catálogo tem peças com preços que começam em R$ 40 e vão até R$ 330. Há utilitários de cozinha, como bowls, canecas, pratos, copos, tábuas e jarras, que passam pela queima de alta temperatura e podem ser utilizados no forno, micro-ondas, máquina de lavar louça e freezer.

Depois que o cliente termina a pintura, a peça permanece no café. Ela passa pela esmaltação e pela queima, um processo que cria uma camada vitrificada sobre a cerâmica e torna o objeto resistente e adequado para o contato com alimentos. Aproximadamente dez dias depois, o cliente retorna e pode levar a peça para casa.

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A proposta também começa a ganhar novas possibilidades. O Olibí está incorporando peças de baixa temperatura ao catálogo, voltadas principalmente à decoração e que não têm a mesma função dos utilitários de cozinha. Porta-joias, porta-anéis, porta-pincéis, bichinhos, galinhas, porquinhos e outras pequenas peças estão entre as novidades.

O espaço comporta aproximadamente 46 pessoas e também pode receber eventos particulares. Aniversários, chás de bebê e encontros de amigas estão entre as possibilidades.

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Um café que quer tirar as pessoas das telas

A proprietária acredita que o crescimento de espaços baseados em experiências está relacionado a uma mudança na maneira como as pessoas procuram ocupar o tempo livre. Conforme as atividades digitais ganharam ainda mais espaço na rotina, fazer alguma coisa manual, longe das telas, passou a ter um significado especial.

“Depois da pandemia, essa questão da experiência está muito em alta e as pessoas buscam ir além de sair para tomar um café, por exemplo. Ela quer passar um tempo diferente, quer conversar, quer aprender e as pessoas estão buscando cada vez mais sair da tela e viver realmente no off”, reflete Andressa.

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Essa resposta também apareceu nos primeiros meses de funcionamento do Olibí. Quando o café abriu, o perfil no Instagram tinha aproximadamente 400 seguidores. Atualmente, já são cerca de três mil. Segundo Andressa, nos primeiros dias, o perfil chegou a ganhar entre 100 e 150 seguidores diariamente. Hoje, o crescimento está em torno de 50 novos seguidores por dia.

A exposição nas redes sociais ajudou a ideia a ganhar velocidade. A proprietária reconhece que a atividade tem um forte apelo visual e considera que esse foi um dos fatores que fizeram o negócio alcançar público rapidamente.

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“Como a gente quer passar mais tempo com a família, a gente também quer que o cliente venha e passe um tempo de qualidade aqui com a gente. O tempo passa de uma forma diferente quando fazemos trabalhos manuais, então a gente quer proporcionar essa experiência para os clientes”, expressa a proprietária.

De uma pintura a uma oficina de aquarela

Embora a pintura de cerâmica seja o centro da experiência, o Olibí também quer funcionar como um espaço de aprendizado. A programação recebe oficinas diferentes ao longo do mês, algumas relacionadas diretamente à cerâmica e outras que exploram diferentes formas de criação artística.

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Já houve oficina de modelagem, em que os participantes produziram as próprias peças, aula de yoga seguida de pintura em cerâmica e atividade de pintura em uma prensa francesa de vidro. A programação também inclui aulas de aquarela e pintura em miniaturas.

Neste mês de agosto, por exemplo, está aberto um encontro para pintura em mini-gatinhos neste sábado (15), uma manhã de aula de Yoga seguida de pintura em cerâmica está marcada para o próximo sábado (22) e uma oficina de aquarela ocorrerá no sábado seguinte (29). Para participar dessas oficinas, é necessário fazer uma inscrição antecipadamente. A pintura livre na cerâmica e o consumo no café, por outro lado, não exigem reserva.

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A intenção é ampliar ainda mais essa programação. O casal já trabalha na chegada de novas peças, oficinas e formatos de atividades, e também considera abrir outras unidades no futuro.

Por enquanto, o Olibí ocupa uma sala no Centro de Blumenau e aposta em uma combinação pouco comum para a cidade: café, cerâmica e algumas horas longe da tela do celular. O espaço abre de terça a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 9h às 16h. A xícara de café acaba, a conversa termina e a hora de ir embora chega, mas a peça de cerâmica decorada fica e passa a ocupar um espaço na estante de casa mais como uma memória em forma de objeto do que outra mera decoração entre tantas outras.