O Aeroporto de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, poderá passar por uma ampla modernização para atender uma demanda estimada de 933 mil passageiros por ano até 2045. O projeto prevê a ampliação da pista de pouso e decolagem, a construção de um novo terminal de passageiros e mudanças na estrutura de apoio para permitir a operação de aeronaves maiores.
A pista, atualmente com 2.060 metros, deverá chegar a 2.200 metros. Com a ampliação, o aeroporto poderá receber aeronaves como o Airbus A321, cuja utilização no local ainda está em análise pelas companhias aéreas.
O projeto também prevê um novo Terminal de Passageiros, com 8 mil metros quadrados, novas posições no pátio para a aviação comercial e geral, além de um edifício-garagem com 754 vagas e estacionamento anexo ao terminal com outras 97 vagas.
A proposta foi discutida nesta quarta-feira (23), durante uma reunião entre representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, do Governo de Santa Catarina, da Prefeitura de Chapecó e da equipe do LabTrans/UFSC.
Projeto pode reduzir custo de desapropriações
Além das obras previstas para o aeroporto, uma revisão no projeto poderá reduzir em aproximadamente R$ 55 milhões os custos estimados com desapropriações.
A nova alternativa reduz de 775 mil metros quadrados para 505 mil metros quadrados a área prevista para desapropriação. O limite patrimonial projetado também diminui de 1,458 milhão de metros quadrados para 1,226 milhão de metros quadrados.
A mudança foi definida após a análise de diferentes cenários para a implantação do projeto e mantém as principais intervenções previstas para a modernização da estrutura.
O prefeito de Chapecó, Valmor Scolari, destacou a participação do município nas discussões e afirmou que a nova proposta reduz a área necessária para implantação sem alterar as obras consideradas essenciais.
O que está previsto
Além da ampliação da pista e do novo terminal, o projeto desenvolvido pelo LabTrans/UFSC prevê novas posições no pátio, condomínio de hangares de 8 mil metros quadrados, com 86 vagas para a aviação geral, e estruturas de apoio ao funcionamento do aeroporto.
Também estão previstas uma Central de Utilidades, Central de Resíduos Sólidos, Casa de Força, Seção Contraincêndio, guarita e um novo acesso viário integrado à área patrimonial.
Estudos avaliam condições de operação
A elaboração do projeto levou em consideração as características do terreno. A topografia acidentada na porção sul exigiu estudos específicos, incluindo um levantamento aéreo com drone realizado pelo LabTrans.
Também foram analisadas as condições necessárias para a ampliação da pista. Consulta ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) apontou a necessidade de ajustes nos parâmetros de operação das cabeceiras 12 e 30, em razão de obstáculos e das características do relevo.
Na cabeceira 12, o gradiente de decolagem deverá passar de 5% para 5,5%. Já na cabeceira 30, o ângulo de aproximação deverá aumentar de 3,2° para 4°. Os ajustes são previstos nos estudos para garantir a segurança e a viabilidade das operações.
As condições meteorológicas da região também foram avaliadas com base em dados de 2021 a 2025. Maio e junho concentraram o maior número de horas com restrições de teto e visibilidade, correspondendo a cerca de 4% das horas anuais. A maior parte dessas ocorrências foi registrada entre 5h e 11h.
Próximos passos
O início do projeto básico e a definição do cronograma das obras dependem da emissão da licença ambiental, além da conclusão dos levantamentos topográficos e das investigações geotécnicas complementares.
Com a validação da nova alternativa, o município deverá manter o Projeto Conceitual dentro do limite patrimonial definido e encaminhar os materiais referentes à Superfície de Interesse Público (SIP) para as tratativas com o DECEA.




