Cidade invadida pelo mar investe mais de R$3 milhões em solução inédita para reduzir impactos de ondas e salvar 34 mil pessoas

Estruturas criam um trecho raso, diminuindo a força das ondas

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Solução cria uma barreira de areia (Foto: Carlos Nogueira, Prefeitura Municipal de Santos)

A cidade de Santos, no litoral paulista, costuma sofrer com grandes ressacas marítimas. Para reduzir os impactos do fenômeno, diversos geotubos submersos de proteção costeira foram instalados na Ponta da Praia, último trecho da orla de Santos.

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As estruturas criam um trecho raso onde a onda sofre uma arrebentação e perde força ao atingir a areia. Isso é particularmente útil durante os períodos de mar mais agitado, como em ressacas, quando a água chega a atravessar muretas e invadir o asfalto na região, segundo a Folha de São Paulo.

O geotubos são grandes sacos feitos um tecido de alta resistência contra o atrito do mar, cheios de areia da própria praia. Os sacos são colocados no mar e formam uma espécie de barreira, que atua contra processos erosivos na areia. As obras são feitas no bairro Ponta da Praia, onde cerca de 34,8 mil pessoas moram, segundo dados divulgados pelo Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

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O projeto-piloto, com pouco mais de 500 metros de extensão, foi implantado na Ponta da Praia, na altura do canal 6 da orla, após um contrato assinado em 2018 entre a Universidade de Campinas (Unicamp) e a Prefeitura do município.

A verba da fase inicial, de cerca de R$ 3 milhões, é resultado de uma compensação ambiental do porto de Santos. O valor também foi utilizado para reforçar a sinalização náutica.

Obra deve ter ampliação

Os geotubos devem ser ampliados para 1,4 quilômetro de barreira, ligando os canais 4 e 6 da praia. O projeto será bancado pela Autoridade Portuária de Santos (APS), empresa pública vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos que gere o maior porto da América Latina.

“Na comparação com ações similares que pesquisamos, entendemos se tratar de uma obra inédita no Brasil”, disse pesquisador Tiago Zenker Gireli à Folha. Gireli também é coordenador do projeto-piloto e docente do departamento de recursos hídricos da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp.

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A Prefeitura de Santos afirmou que segue apoiando e acompanhando o desdobramento das fases. “A barreira submersa em L com mais de 500 metros, entre o Aquário Municipal e a Ponte Edgard Perdigão, faz parte desse projeto-piloto pioneiro no país para conter a erosão e armazenar areia no local.”

Próximos passos

Agora, a intervenção deverá ser custeada e executada pela Autoridade Portuária de Santos (APS) em complemento ao projeto da Unicamp com a prefeitura. Os valores não foram informados até o momento, segundo a Folha de São Paulo.

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A nova fase deve contemplar, além de reforço na estrutura atual, módulos nos bairros vizinhos de Aparecida e Embaré, segundo a APS, para ampliar a capacidade de retenção de sedimentos e reduzir a energia incidente das ondas.

Segundo o órgão, a implantação dos geotubos também contém vantagens em comparação com as soluções tradicionais.

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“As estruturas possuem menor interferência paisagística e permitem adaptações futuras. Por permanecerem submersas, preservam a utilização recreativa das praias e reduzem significativamente os impactos visuais sobre a orla.”

Aturalmente, a implantação do projeto de expansão está em fase de estudo de licenciamento ambiental. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) diz que está em análise “a consulta sobre a necessidade de licenciamento ambiental para a implantação de novos quebra-mares submersos destinados à contenção da erosão costeira”.