A Prefeitura de Florianópolis abriu uma consulta pública, válida até o dia 23 de outubro, e deu mais um passo no projeto de requalificação do centro de Florianópolis, que pretende reorganizar os espaços urbanos a partir das necessidades de quem vive, trabalha e circula pela região.
A iniciativa prevê diretrizes para mobilidade sustentável, áreas públicas mais preparadas para o clima e novos espaços de convivência.
Parte do programa Centro Para Todos: Requalificação do centro histórico de Florianópolis, a proposta foi desenvolvida pelo escritório internacional Gehl Architects, responsável por projetos em cidades como Copenhague e Nova York.
O estudo segue o conceito de “cidade para pessoas”, desenvolvido pelo urbanista Jan Gehl, e coloca a experiência cotidiana da população como referência para as decisões sobre o espaço urbano.
Projeto busca mudar a relação com o centro da cidade
Batizado de “Floripa Centro: Repensando seus espaços públicos para pessoas”, o projeto propõe uma nova maneira de avaliar e planejar a região central. A ideia é tratar as áreas públicas não apenas como locais de passagem, mas como estruturas importantes para encontros, permanência e convivência.
Com a abertura da consulta pública, a população poderá participar e contribuir nessa nova etapa do processo até o dia 23 de outubro.
Segundo a Prefeitura de Florianópolis, o trabalho foi construído com participação de técnicos municipais e representantes de diferentes setores organizados da sociedade.
O processo incluiu um ciclo de oficinas ao longo da elaboração do estudo e buscou incorporar características e demandas locais às propostas desenvolvidas pela equipe responsável pelo projeto.
Quais são os cinco eixos do projeto?
O estudo está estruturado em cinco frentes que orientam as mudanças pensadas para o centro da capital catarinense:
- Mobilidade sustentável: priorização de deslocamentos a pé, por bicicleta e outros modos ativos, além do transporte coletivo.
- Espaços públicos e resiliência climática: combinação entre conforto ambiental e medidas de adaptação às mudanças climáticas.
- Projetar para crianças: utilização das necessidades da infância como um dos parâmetros para avaliar a qualidade dos espaços urbanos.
- Bairros completos: aproximação entre moradia, trabalho e serviços, reduzindo a necessidade de deslocamentos longos.
- Turismo sazonal: criação de estratégias para conciliar a atividade turística com a qualidade de vida durante todo o ano.
A combinação dessas frentes busca modificar a forma como o centro é utilizado e planejado, considerando diferentes públicos e períodos do ano.
Centro mais arborizado e preparação para mudanças climáticas
A questão climática aparece diretamente entre os eixos principais do projeto. A proposta planeja a qualificação dos espaços públicos junto ao conforto ambiental e à capacidade da cidade de responder às mudanças climáticas.
A transformação urbana proposta considera os espaços de circulação e permanência como parte da estratégia para tornar o centro mais adequado à experiência das pessoas.
O que é a “dinamarquização” do centro de Florianópolis?
A referência ao modelo dinamarquês está relacionada ao projeto realizado pelo urbanista Jan Gehl, que coloca em seus trabalhos a relação humana no centro do planejamento das cidades.
O escritório Gehl Architects, responsável pelo estudo, tem entre seus projetos trabalhos realizados em cidades como Copenhague, na Dinamarca, e Nova York, nos Estados Unidos. A metodologia utilizada em Florianópolis parte dessa mesma perspectiva de observar como as pessoas utilizam os espaços antes de definir intervenções urbanas.
Nesse modelo, a cidade é analisada a partir de aspectos como deslocamento, permanência, convivência e acesso aos serviços. O objetivo é fazer com que o planejamento considere o cotidiano da população como elemento central das decisões.







