Exército dos EUA planejou muralha bilionária e com 10 km ao redor de Nova York para lidar com ameaça marítima

Barreira gigante fecharia parte do porto durante tempestades, mas projeto foi redesenhado após críticas e agora avança por etapas menores

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Furacão Sandy expôs a vulnerabilidade da maior cidade dos EUA (Foto: The National Guard / Wikimedia Commons)

Imagine acompanhar um furacão se aproximando de Nova York e, antes que a água alcance Manhattan, ver enormes comportas começarem a fechar as entradas do porto. A proposta parece saída de um filme, mas chegou a integrar um plano estimado em US$ 119 bilhões (cerca de R$ 620 bilhões).

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A versão mais ambiciosa previa uma barreira de quase 10 quilômetros, estendida pela entrada da baía, além de outras estruturas destinadas a impedir que o mar invadisse a cidade. O projeto, porém, mudou profundamente desde então.

Em 2022, o Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos, o USACE, selecionou uma alternativa regional estimada em US$ 52,7 bilhões. Ela combinava 2,2 milhas de barreiras contra marés de tempestade com mais de 50 milhas de proteções costeiras.

Muralha que se abre

Apesar do apelido de “muralha marítima”, a proposta não consistia simplesmente em erguer uma parede diante de Manhattan. O complexo reunia comportas móveis, diques, muros contra inundação e soluções naturais, formando diferentes linhas de defesa pela região.

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Durante dias comuns, as grandes comportas permaneceriam abertas para permitir a circulação das embarcações, da água e das marés. Diante de uma tempestade extrema, elas poderiam fechar canais estratégicos e impedir que a elevação do oceano avançasse pelo porto.

Projeto mudou de escala

Só que proteger Nova York dessa maneira cria outro problema: nem toda inundação vem do oceano. Chuvas intensas, drenagem urbana e marés altas continuariam produzindo riscos, enquanto barreiras gigantes poderiam provocar impactos ambientais.

Após consultas públicas e análises técnicas, o USACE deixou de priorizar o avanço imediato de todo o sistema regional e passou a concentrar esforços em obras menores e executáveis separadamente. A estratégia busca colocar proteções em prática sem esperar décadas pela conclusão de um único megaprojeto.

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Em 6 de julho de 2026, foi assinado o relatório final do chefe de engenheiros do estudo. A primeira recomendação é uma intervenção no East Riser Channel, em Nova Jersey, estimada em US$ 278,3 milhões.

O projeto envolve modificações no canal e substituição de pontes e bueiros. Pelas estimativas oficiais, a intervenção poderia reduzir em cerca de 26% os danos causados por inundações no cenário intermediário de elevação relativa do nível do mar analisado pelo USACE.

Mar continua subindo

Reduzir o tamanho imediato da obra não eliminou o problema que criou a proposta. O Painel da Cidade de Nova York sobre Mudanças Climáticas concluiu que o nível do mar continuará subindo, fenômeno que já ameaça cidades costeiras e amplia o alcance das tempestades e das inundações em marés altas.

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Nas projeções mais extremas analisadas pelo painel, a elevação pode chegar a aproximadamente 1,65 metro até 2100 em relação ao período de referência. Trata-se do limite superior das projeções, sujeito sobretudo às incertezas sobre o comportamento das grandes camadas de gelo.

Enquanto o plano regional é dividido em etapas, Nova York já constrói defesas locais. O projeto East Side Coastal Resiliency, de US$ 1,45 bilhão, combina áreas elevadas, muros e 18 comportas móveis e foi planejado para proteger mais de 110 mil pessoas no lado leste de Manhattan.

A muralha de US$ 119 bilhões, portanto, não está prestes a surgir como uma única parede diante da cidade. Ela virou o símbolo de uma questão que continua aberta: quanto é preciso transformar Nova York para impedir que o oceano transforme Nova York primeiro?

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