Ponte Anita Garibaldi: DNIT esclarece se houve erro em construção em cabos de aço após avarias na BR-101

Departamento responsável pela construção da ponte contesta supostos erros de construção sob investigação da ANTT

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Ponte foi interditada no começo de julho após problemas em cabos (Foto: Secretaria de Turismo e Lazer de Laguna, Reprodução)

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) alega que as diferenças entre as forças registradas nos estais naquele período e as medições realizadas em 2022 e 2025 não constituem, isoladamente, evidência de erro construtivo no trecho estaiado da Ponte Anita Garibaldi, em Laguna, no Sul de Santa Catarina. Supostos problemas na construção estão sob investigação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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Em nota ao NSC Total, o DNIT também informou que, ao menos até a manhã de 26 de agosto, não havia sido oficialmente notificado sobre o procedimento instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF) relacionado à Ponte Anita Garibaldi.

O MPF instaurou o processo para apurar problemas estruturais e o rompimento parcial de cabos na Ponte Anita Garibaldi, no km 316 da BR-101, em Laguna. O tráfego na ponte permanece restrito às duas faixas centrais, com limitação de peso para veículos, depois de ter sido totalmente bloqueada no começo de julho para reparos emergenciais.

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A apuração do órgão pretende identificar as causas das falhas recentes e de outros danos registrados nos últimos anos. O MPF também acompanha as medidas adotadas para garantir a segurança dos motoristas que utilizam a ponte.

Após serem questionadas pelo MPF, a Agência Nacional de Transportes Terrestres e a concessionária Via Costeira confirmaram novas irregularidades no trecho estaiado. Essa parte da estrutura é sustentada por cabos de aço tensionados, chamados de estais, que conectam o tabuleiro da rodovia às torres centrais.

Ao MPF, a ANTT informou que também apura supostos vícios construtivos, posição contestada pelo DNIT, órgão que foi responsável pela construção e entrega da estrutura. À reportagem, a nota afirma que, após a conclusão da obra, em 2015, a estrutura passou por ensaio de prova de carga, que confirmou o desempenho adequado do trecho estaiado.

“O documento aponta ainda que as diferenças entre as forças registradas nos estais naquele período e as medições realizadas em 2022 e 2025 não constituem, isoladamente, evidência de erro construtivo, deficiência de projeto ou inconsistência na documentação da obra”, traz a nota.

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O DNIT afirma ainda que até outubro de 2022 não havia recebido informações que indicavam problemas estruturais relevantes ou vícios ocultos na ponte. Após ser comunicado pela concessionária (que assumiu a estrutura em 2020) sobre a identificação de anomalias, o departamento disse ter passado a fornecer as informações solicitadas e a acompanhar as discussões técnicas sobre o tema.

Ponte Anita Garibaldi entra na mira do MPF

Laudos técnicos identificaram o rompimento parcial dos cabos 4E e 4D no Pilar 35, entre duas seções do vão central. Diante do problema, a concessionária Via Costeira colocou em prática um plano emergencial elaborado por uma empresa especializada.

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Segundo a Via Costeira, uma primeira etapa de reforço estrutural já foi executada. O trabalho incluiu o aumento das forças aplicadas em quatro estais, sendo dois centrais e dois laterais.

A concessionária informou que cada fase da intervenção foi realizada somente após verificações técnicas. A estrutura também permanece sob monitoramento de projetistas especializados.

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A empresa afirmou ainda que realiza inspeções anuais na Ponte Anita Garibaldi.

Estrutura apresentou problemas em 2022

Esta não é a primeira intervenção emergencial realizada na ponte. Em 2022, a concessionária identificou problemas no mesmo pilar, incluindo o rompimento de barras de ligação da laje inferior e risco à estabilidade da estrutura.

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Na ocasião, foram executadas obras de reforço. O tráfego de veículos pesados precisou ser desviado temporariamente para a Ponte de Cabeçuda, também conhecida como Ponte das Laranjeiras. Testes de carga realizados em março de 2023 indicaram que a rigidez da ponte havia sido restabelecida.

Leia a nota do DNIT na íntegra

O DNIT informa que, até a manhã de 26 de agosto, não havia sido oficialmente notificado sobre o procedimento instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF) relacionado à Ponte Anita Garibaldi, no km 313 da BR-101/SC, em Laguna.

Em ofício encaminhado à concessionária responsável pelo trecho, em 6 de agosto, o DNIT esclareceu que, após a conclusão da obra, em 2015, a estrutura passou por ensaio de prova de carga, que confirmou o desempenho adequado do trecho estaiado. O documento aponta ainda que as diferenças entre as forças registradas nos estais naquele período e as medições realizadas em 2022 e 2025 não constituem, isoladamente, evidência de erro construtivo, deficiência de projeto ou inconsistência na documentação da obra.

O DNIT destaca que, após a conclusão da obra, o Projeto As Built, documento que registra como a ponte foi efetivamente construída, estabeleceu recomendações para o acompanhamento da estrutura ao longo de sua vida útil. Posteriormente, foram encaminhados manuais com orientações para inspeção, monitoramento e manutenção dos estais e das juntas de dilatação.

Até outubro de 2022, não haviam sido encaminhadas ao DNIT informações indicando problemas estruturais relevantes ou vícios ocultos na ponte. Após ser comunicado pela concessionária sobre a identificação de anomalias, o Departamento passou a fornecer as informações solicitadas e a acompanhar as discussões técnicas sobre o tema.

O DNIT tem prestado as informações e disponibilizado a documentação técnica solicitada e permanece à disposição dos órgãos competentes para contribuir com os esclarecimentos necessários.