Um dos eixos apontados na quinta edição do projeto SC Ainda Melhor está a infraestrutura para o escoamento da produção. Só em Santa Catarina, são aproximadamente 2.345 quilômetros de rodovias federais, que cortam o Estado de Norte a Sul. Estes trajetos são importantes para ligar o interior ao litoral, possibilitando o escoamento da produção agrícola e industrial.
As principais rodovias do Estado são:
- BR-101: que corta todo o litoral do estado, interligando os portos;
- BR-116: corta a região central catarinense entre Lages e Mafra
- BR 280: que corta a região norte;
- BR-282: conecta a região da capital, a serra e o extremo oeste do estado;
- BR-470: liga o Alto Vale do Itajaí, oeste e meio oeste ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes.
Para o diretor-geral da Udesc/Esag, Leonardo Secchi, o Estado não consegue equilibrar a produção com o transporte da carga.
— Santa Catarina exporta 20% da carga de exportação do Brasil, com uma população que é só 3,7%. Então, a nossa qualidade logística é muito inferior à nossa potencialidade produtiva. Hoje nós temos grandes gargalos, especialmente nas rodovias, especialmente a BR-101, a BR-280, BR-470 e a BR-282. As nossas grandes vias de escoamento e também a questão portuária são dois elementos bem importantes para que a gente possa dar vazão a essa potencialidade exportadora — afirma.
Já Pablo Bittencourt, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), salienta que Santa Catarina é um exemplo de desenvolvimento para os outros estados brasileiros, mas que melhorias devem ser realizadas para facilitar o processo de escoamento.
— Santa Catarina vive um processo de litoralização da atividade que não combina com o modelo catarinense de desenvolvimento. Nós somos esse exemplo, porque somos regionalmente equilibrados. Entretanto, hoje, para transportar mercadorias da região Oeste para a região litorânea, para exportação, nós temos enormes dificuldades. Para isso, precisaria, por exemplo, da duplicação da BR-282 ou até ferrovias que possam transportar essa mercadoria — diz Bittencourt.
Para a Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística no Estado de Santa Catarina (FETRANCESC), responsável por levantar dados cruciais para as políticas públicas de transporte no Estado, uma logística eficiente é uma chance para a competitividade em relação aos demais estados.
— Na verdade, literalmente, a infraestrutura rodoviária é o caminho para o desenvolvimento. E quando a gente olha para a reforma tributária, ela vai trazer impactos para Santa Catarina pela sua reconfiguração. Hoje nós temos uma atratividade por uma questão tributária, através dos portos de Santa Catarina. Essa atratividade fiscal nós vamos perder. Como é que nós vamos competir em relação aos demais estados? Através de uma logística eficiente, mas isso não temos hoje — pontua Dagnor Schneider, presidente da Fetransesc.
Do campo às indústrias, Santa Catarina é um estado rico em sua produção. Mas para que esse trabalho traga resultados, os bens produzidos precisam chegar aos seus destinos finais. Por isso, a infraestrutura é um tópico importante de discussão para os próximos governos.
Custo do transporte ainda é empecilho no Estado
Os portos ficam em três regiões do Estado: Norte, Vale do Itajaí e Sul. Para o representante da FIESC, os portos de Santa Catarina tem grande possibilidade de competir com outros pelo Brasil, mas o custo do transporte ainda é muito alto:
— Os nossos portos ainda tem um certo nível de competitividade, que eu diria que é comparável aos bons portos do Brasil e alguns dos bons portos do mundo […] O problema é que quando sai dos portos, o restante da estrutura não acompanha isso, essa ligação. Se a gente for pensar no potencial logístico, tudo sai bem dos portos, porém custa muito para levar de uma parte do Estado até o porto e também para retirar do porto e levar. Então, nisso a gente sempre vai observar rodovias como um elo frágil e que vai precisar de investimentos muito largos durante muito tempo — disse.
Trens auxiliam na capacidade de transporte de cargas
Outra questão importante de infraestrutura levantada pelas entidades ouvidas é a necessidade de ampliação da malha ferroviária. Atualmente, Santa Catarina possui cerca de 1.373 quilômetros, mas enfrenta uma grande falha logística: apenas cerca de 800 km estão ativos e em operação contínua. O restante está ocioso, com baixa utilização ou abandonado.
Segundo Leonardo Secchi, diretor-geral da Udesc/Esag, SC já teve grande suporte de ferrovias, até mesmo para transporte de passageiros. A utilização de trens otimiza a produção e transporte, aumentando a capacidade exportadora.
— isso precisa ser reinvestido, precisa ser pensado, porque o custo que tem um caminhão para vir lá de Chapecó até Itajaí, para entregar a produção dos seus containers de frango congelado, por exemplo, é muito caro em termos de gasolina diária do caminhoneiro e assim por diante — afirmou.
A infraestrutura precisa ser pensada como um determinante de longo prazo para o desenvolvimento competitivo do Estado e do Brasil. A preocupação com a área deve ser frequente e não apenas em épocas de eleições. O impacto econômico e social dos meios de transporte, impacta todos os cidadãos.
SC ainda melhor
O projeto SC Ainda Melhor retorna nas eleições deste ano. Já consolidada, a iniciativa que guia a cobertura eleitoral da NSC, convida os catarinenses a participarem ativamente da cobertura das eleições de 2026.
Após uma enquete no NSC Total e no g1 SC, os catarinenses apontaram cinco entre 17 temas como aqueles que devem ser prioritários: infraestrutura para o escoamento da produção, gestão e o saneamento básico, segurança e violência contra a mulher, população em situação de rua e educação.
Nos últimos meses, jornalistas da NSC ouviram 75 entidades da sociedade civil sobre as prioridades e, com isso, um documento foi elaborado para ser entregue aos candidatos ao governo de SC e ao Senado, partidos políticos e às instituições dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
*Sob supervisão de Nicoly Souza
