O julgamento que decide a autorização para investigação contra o ministro Alexandre de Moraes terminou em um bate-boca entre os magistrados André Mendonça e Gilmar Mendes e em um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
A tensão ocorreu após uma manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu a palavra para negar qualquer envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O nome dele foi citado em supostas mensagens que envolveriam a participação dele e do filho em um evento em Londres, patrocinado pelo Master.
Após a fala de Gonet, o ministro Gilmar Mendes criticou o fato de o procurador-geral da República precisar fazer esclarecimentos negando envolvimento com o banqueiro.
“É impressionante que uma pessoa da estatura de Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso sim é leviandade. O sujeito investido de um sentimento policialesco, junto com seus delegados. É impressionante a desfaçatez desse sujeito”.
Em reação às falas de Gilmar, André Mendonça elevou a voz e respondeu em seguida.
“A desfaçatez de vossa excelência! Me respeite!”.
Gilmar retrucou:
“Pode chorar”.
Em seguida, André Mendonça respondeu:
“Aqui não tem choro não”.
Assista ao momento da discussão
A discussão foi interrompida por Flávio Dino, que pediu vista para suspender o julgamento e criticou a condução do julgamento por Fachin.
“Ministro Fachin, com todo respeito, se vossa excelência não tomar uma providência, eu vou pedir vista. O poder de polícia desta sessão compete a vossa excelência. Nós estamos em tempos que degradam a imagem do tribunal. Vossa excelência está assistindo a isso há horas, há horas, e está transformando o Supremo nas próximas semanas, quiçá meses, neste debate. Se vossa excelência vai assistir a isso, eu não vou”, reclamou Dino.
Apesar do pedido de vista, o julgamento seguiu para a leitura dos dois últimos votos em uma questão de ordem de Gilmar Mendes, que pede que os julgamentos de Moraes e Mendonça sejam unificados.
Veja fotos do julgamento
Moraes x Vorcaro: o que será decidido pelos ministros do STF
Os contatos sugerem que o banqueiro poderia ter recebido informações sobre eventuais operações em andamento contra o banco e o empresário. Em paralelo, a investigação também mapeou informações de um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Master com o escritório de advocacia da esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Na prática, o STF vai decidir se autoriza a abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes pela suposta relação com Vorcaro e fatos investigados no âmbito do Banco Master. Caso a maioria dos ministros aceite o pedido de Mendonça, um procedimento específico para investigar Moraes deve ser aberto no STF, com pedidos de novas investigações à PF. Se a maioria rejeitar o pedido, a investigação sobre o Banco Master prossegue, mas sem apurar eventual ligação de Moraes com o caso.
Outra possibilidade é um pedido de vista de um dos ministros, o que poderia adiar a decisão. Mesmo neste cenário, no entanto, os ministros podem antecipar o voto, o que já indicaria um possível placar antes mesmo da conclusão oficial do julgamento.

















