Três catarinenses que participaram de uma negociação com policiais civis para liberar um caminhão com 10 toneladas de maconha foram absolvidos do crime de tráfico de drogas. A decisão da Justiça ocorreu na quinta-feira (8). As condenações por associação ao tráfico e corrupção ativa foram mantidas.
Segundo as investigações da Polícia Federal, o trio de Santa Catarina organizou a logística para o transporte e entrega de 10 toneladas de maconha no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Em 8 de agosto de 2023, o caminhão frigorífico que transportava a droga foi abordado na rodovia e escoltado por agentes da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
A droga saiu do Mato Grosso e havia sido encomendada por uma facção carioca. A nota fiscal indicava que o conteúdo transportado pelo caminhão era frango congelado. Após a interceptação e o desvio da carga, Carlos Alberto Koerich, natural de Palhoça, passou a negociar a liberação do caminhão e dos entorpecentes.
Catarinenses negociam propina de R$ 2 milhões e policiais liberam caminhão
As mensagens capturadas revelaram que foi oferecida inicialmente a quantia de R$ 300 mil. As negociações, contudo, elevaram o valor entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões, para garantir a liberação do material sem registro policial.
“Aqui é complexo do Alemão, tem PM que, dentro da favela, nós passa na frente e nem olha, os cara passam com fuzil. Aqui, para eles entrarem, é bravão, pô. Aqui é gigante, cara”, disse Carlos em conversa com sua esposa, Lucinara Koerich, natural de Araquari.

“Os polícia tão pedindo R$ 2 milhão para soltar a mercadoria, eles querem dar R$ 1 milhão e meio, eles estão pedindo dois”, disse Lucinara em um áudio.
Para liberar o caminhão, um policial civil escreveu à mão um resumo da missão, afirmando que “nada foi encontrado” e que o motorista foi liberado. Após a entrega no Complexo do Alemão, o caminhão voltou para o Sul e foi parado novamente.
Desta vez, a Polícia Rodoviária Federal encontrou fragmentos de maconha suficientes para um exame pericial. A investigação resultou na prisão do trio catarinense, dois advogados, um policial militar e cinco policiais civis.
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Entenda o papel dos catarinenses na negociação de propina
- Carlos Alberto Koerich: se deslocou de Santa Catarina para o Rio de Janeiro para receber o carregamento e negociar a distribuição diretamente com lideranças da facção conhecidas como “Pezão” e “Doca”;
- Marcelo Luiz Bertoldo (sogro de Carlos): acompanhou o genro ao Rio de Janeiro para auxiliar no recebimento e atuou como “testador” de qualidade, experimentando amostras de cada lote de maconha que chegava. Marcelo é natural de Balneário Piçarras;
- Lucinara Bertoldo Koerich (esposa de Carlos): permaneceu em Santa Catarina monitorando as negociações em tempo real por aplicativo de mensagens e cedeu sua conta bancária para a movimentação da atividade ilícita
O que a Justiça decidiu
Apesar das evidências sobre o transporte e a negociação das 10 toneladas, o desembargador Luiz Márcio Victor Alves Pereira destacou que a carga principal de entorpecentes não foi apreendida nem periciada. O que a fiscalização obteve foi apenas um resíduo de 1,32 gramas de maconha, insuficiente para comprovar a materialidade do grande carregamento atribuído aos réus.
Contudo, a decisão apontou que a associação para o tráfico é um crime autônomo, bastando a demonstração do vínculo entre os agentes e a organização criminosa. Com isso, as penas foram mantidas da seguinte forma:
- Carlos Alberto Koerich: seis anos e nove meses de reclusão, e 965 dias-multa – associação para o tráfico e corrupção ativa;
- Lucinara Bertoldo Koerich: quatro anos e um mês de reclusão, e 952 dias-multa – por associação para o tráfico;
- Marcelo Luiz Bertoldo: quatro anos e um mês de reclusão, e 952 dias-multa – por associação para o tráfico.
A defesa do trio, representada pelos advogados Matheus Menna e Osvaldo Duncke, afirmou ao NSC Total que se manifestará sobre o caso apenas nos autos do processo.
















