A Air Canada alegou problemas de manutenção para negar indenização a passageiros que tiveram voos cancelados. Registros de aviação, no entanto, indicam que os aviões inicialmente previstos para algumas dessas viagens foram usados em outras rotas.
Uma investigação encontrou quatro casos com esse padrão. Em resposta, a companhia reconheceu que tomou decisões comerciais para remanejar aeronaves em funcionamento e atender voos cujos aviões precisavam de manutenção. Com isso, passageiros de outras rotas ficaram sem o voo previsto.
A empresa sustentou que ajustes operacionais são necessários para reduzir impactos sobre o conjunto de clientes. Defensores dos direitos dos passageiros questionam essa justificativa e afirmam que a manutenção de uma aeronave não deveria, por si só, isentar a companhia de compensar quem foi afetado por uma decisão comercial.
O caso que levou à agência reguladora
Em 2022, Juan Rojas teve um voo de Montreal para Bogotá cancelado. A Air Canada negou o pedido de indenização e informou à Agência Canadense de Transportes que o avião previsto para a viagem havia sido atingido por um caminhão de catering.
Rojas descobriu depois, ao consultar registros públicos de aviação, que o incidente envolvia outra aeronave. A empresa explicou que o avião originalmente designado para o voo dele foi remanejado para substituir o que havia sido danificado.
Em janeiro de 2026, uma responsável pela análise de reclamações da agência determinou que a Air Canada pagasse mil dólares canadenses ao passageiro. A decisão considerou que a troca de aeronaves para priorizar passageiros de outra rota foi uma escolha comercial e, por isso, não eliminava a obrigação de compensar Rojas.
Outros passageiros relataram situações semelhantes. Michael Bociurkiw recebeu, durante um voo, um aviso de que sua conexão de Vancouver para Newark havia sido cancelada por manutenção de segurança. O registro citado pela CBC indicava que a aeronave mencionada era justamente aquela em que ele viajava.
A investigação também encontrou os casos de Carlos Fernandez e Alison Monaghan. Segundo os registros consultados pela emissora, os aviões inicialmente previstos para os voos deles foram usados em outras rotas depois de uma troca de aeronaves.
Regra canadense é alvo de críticas
As normas canadenses de proteção ao passageiro preveem indenização de até mil dólares canadenses em determinadas situações de atraso ou cancelamento. A compensação pode deixar de ser exigida quando o problema está relacionado à segurança e foge ao controle da companhia.
Especialistas ouvidos pela CBC criticaram a possibilidade de empresas usarem justificativas de manutenção para evitar pagamentos. O advogado Gabor Lukacs afirmou que problemas mecânicos precisam ser a causa direta do cancelamento, e não apenas um efeito em cadeia decorrente da reorganização de voos.
A Agência Canadense de Transportes não divulga publicamente todas as decisões sobre reclamações de passageiros. Segundo a CBC, o órgão informou que pretende começar a publicar essas decisões no início de 2027, após tratar de questões de privacidade.
