O homem acusado de tentar matar a ex-namorada com um facão em Rio Negrinho foi condenado a 60 anos, 5 meses e 16 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado. O caso foi julgado nesta sexta-feira (18), pelo Tribunal do Júri na cidade do Planalto Norte catarinense. Na época do crime, Kessya Souza, a vítima, estava em seu trabalho quando foi atacada e precisou amputar uma das mãos.
Além da prisão, ele foi condenado ao pagamento de R$ 200 mil em indenizações às três vítimas: R$ 80 mil para a ex-namorada e R$ 60 mil para outras duas pessoas que também foram alvos das agressões. O crime ocorreu em outubro de 2025. Na ocasião, o homem de 23 anos, armado com um facão, invadiu o mercado onde a ex-namorada trabalhava, agrediu ela e outros dois funcionários que tentaram intervir no ataque.
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A ex-namorada sofreu ferimentos graves, fraturas no crânio e teve a mão direita dilacerada, o que resultou na amputação. Dois colegas que trabalhavam no local tentaram impedir que o homem chegasse até ela e também foram atacados. Um dos funcionários sofreu um ferimento profundo no rosto, que atingiu a região das orelhas. O outro foi atingido no pescoço, antebraço, cabeça e outras partes do corpo.
O acusado foi encontrado em casa pela Polícia Militar e preso em flagrante no mesmo dia. O MPSC o denunciou por tentativa de feminicídio e duas de homicídio, qualificadas por motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas.
Kessya havia ido trabalhar tranquilamente no dia do crime
Na época do ocorrido, Kessya contou ao NSC Total que foi trabalhar tranquilamente, como em qualquer outro dia. Entretanto, ela conta que estava com a mente um pouco atribulada devido às ameaças, pensando se o ex seria capaz de fazer algo contra ela.
“Eu nunca acreditei que ele poderia ser capaz, né? Eu achei que ele só, tipo, ia me espancar ou me bater. Isso nunca passou pela minha cabeça”, disse.
A jovem fala que foi para o seu intervalo, em um momento mensal de confraternização com os colegas de trabalho. Ela relembra que sua amiga, que junto com outro colega também foi atacado, estava um pouco cabisbaixa no dia. Ela retornou ao trabalho e, poucos minutos depois, foi chamar Kessya dizendo que um rapaz tinha uma entrega para ela.
Kessya não reconheceu o nome e pediu para dizer que ela não estava no local. Segundos depois, a jovem ouviu gritos e sua amiga a chamar novamente.
“Nessa hora, eu me levanto e só saio correndo pela porta. E daí consigo ver que eles [os colegas de trabalho] seguram ele [o ex-namorado]. Seguram ele na parede para eu passar. Eles ajudaram muito, porque eles enfrentaram ele, enfrentaram mesmo. Ficaram cara a cara com ele e com o facão. E eu naquela hora passei pela primeira remessa da escada, e daí na segunda ele acabou me golpeando e eu caí. Foi aí que eu tropecei, virei uma “carambola” e fui arrastando pela calçada. Naquele momento ele me pegou”, relata.
Késsya teve graves ferimentos, precisou ser internada na UTI, passou por cirurgia e teve uma das mãos amputadas. Dois colegas de trabalho, que ajudaram a proteger Kessya, também foram agredidos. A mulher de 32 anos, gerente do estabelecimento, foi atingida no rosto. Já um jovem de 19 anos teve ferimentos na nuca e nos braços, conforme o Corpo de Bombeiros Militar da cidade.






