Um homem russo de 32 anos, preso por tráfico internacional de drogas, será transferido da Penitenciária de Florianópolis após decisão da Justiça Federal. A mudança para uma unidade prisional em outro estado foi um pedido da defesa, que alegou maus-tratos, assédio e extorsão. A decisão foi divulgada na terça-feira (15).
O homem foi preso na Operação Moscou, em abril, em uma mansão localizada em Jurerê Internacional. Na ocasião, a Polícia Civil encontrou um laboratório de drogas, como na série “Breaking Bad”. O russo era líder do grupo criminoso que produzia cocaína para a Europa, tendo como destino final a Rússia.
Segundo a defesa, mesmo sendo réu primário e preso provisório, o russo foi colocado na Ala de Segurança Máxima do presídio. Os advogados afirmam que ele vinha sendo mantido em uma cela insalubre de cinco metros quadrados dividida com detentos de alta periculosidade, sem acesso a banho de sol e dormindo no chão.
No pedido da defesa, consta ainda que policiais penais estariam exigindo a quantia de R$ 1,5 milhão de sua mãe, moradora da Rússia, sob ameaças. Além disso, por ser homossexual, a defesa cita que o detento sofria assédio e agressões na cela.
Veja fotos da operação Moscou
Prisão de russo por tráfico gerou disputa na Justiça em SC
Em junho de 2026, o Juízo de Garantias da 7ª Vara Federal de Florianópolis chegou a ordenar a transferência do detento russo para o Presídio Regional de Tijucas ou outra unidade adaptada. Contudo, a administração penitenciária estadual manteve o detento em Florianópolis, alegando falta de vagas e afirmando adotar medidas para resguardar sua integridade.
Em setembro, o Juízo da 1ª Vara Federal negou a transferência ao analisar um vídeo e uma declaração escrita atribuídos ao próprio réu, nos quais ele manifestava o desejo de permanecer na unidade. A defesa contestou os materiais, afirmando que o cliente foi coagido e ameaçado a gravar o depoimento.
Diante dos relatos, o Ministério Público Federal (MPF) começou a investigar os supostos crimes de extorsão e ameaça. Ao examinar o recurso, o desembargador Loraci Flores de Lima destacou a gravidade dos fatos e a necessidade de assegurar a integridade física e moral do detento.
O magistrado ressaltou que a transferência para fora de Santa Catarina se justifica pelo fato do homem não possuir familiares ou amigos no Brasil. Com isso, ele deverá ser levado para uma unidade prisional em outro estado e, no novo local, é necessário que exista estrutura adequada para a população LGBTQIA+, conforme Resolução nº 348/2020 do Conselho Nacional de Justiça.
Como foi a operação Moscou
Segundo a Polícia Civil, a propriedade de luxo, localizada em Jurerê Internacional, servia como fachada para as atividades criminosas. A escolha do local não foi por acaso, já que o bairro possui uma movimentação intensa de pessoas e veículos que não desperta suspeitas, permitindo que o grupo operasse sem chamar atenção, indicou a Polícia Civil.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, as equipes especializadas localizaram um laboratório completo para processamento e refinamento de cocaína, equipado com produtos químicos controlados (ácidos sulfúrico e clorídrico), equipamentos laboratoriais sofisticados (centrífuga, proveta, béqueres), matéria-prima (folhas de coca), quantidades expressivas de cocaína já processada e valores em espécie de diversas nacionalidade que chegam a quase R$ 200 mil.
Posteriormente, desdobramentos da investigação permitiram a prisão de mais dois envolvidos. Um médico e um pedreiro envolvidos no esquema foram detidos.




