Sem advogado, pedreiro faz a própria defesa em tribunal, impressiona juiz e ouve: “Pode mudar de profissão”

Edilson Takahara afirmou ter estudado a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ao se preparar para a sustentação oral; organização e raciocínio lógico foram elogiados por magistrados

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Pedreiro fez a própria defesa em julgamento de processo trabalhista de Manaus e ganhou elogios dos magistrados (Foto: Reprodução, Redes sociais)

O pedreiro Edilson Takahara fez a própria sustentação oral durante o julgamento de um processo trabalhista no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região, que atende Amazonas e Roraima. A fala durou cerca de 10 minutos e rendeu elogios dos magistrados que participaram da sessão. (Veja vídeo abaixo)

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“Primeiramente, excelências, eu gostaria de agradecer o acolhimento e dizer que para mim não é tão fácil, acho que todo mundo sabe disso, porque eu tive que me esforçar para vencer essa barreira de criar coragem e vir aqui, mesmo com todo mundo dizendo que eu não ia saber falar”, afirmou o trabalhador.

Edilson disse que estudou aspectos básicos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para apresentar os argumentos em defesa do reconhecimento de vínculo empregatício com uma empresa para a qual trabalhou durante uma obra em Manaus.

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VÍDEO: Pedreiro faz a própria defesa em tribunal e ganha elogios

A empresa havia recorrido da decisão que reconheceu o vínculo de emprego e alegou que o pedreiro seria trabalhador autônomo ou avulso. O trabalhador apresentou recurso e renovou o pedido relacionado à aplicação da multa prevista no artigo 467 da CLT e alegou má-fé no processo.

Ele afirmou que, após a anulação da primeira sentença, a empresa teve oportunidade de apresentar provas durante a nova instrução do processo, mas não teria apresentado documentos que comprovassem uma contratação por empreitada ou pagamentos por serviços específicos.

Edilson passou então a explicar aos magistrados como era a rotina de trabalho na obra. Ao final da sustentação, o pedreiro pediu que os magistrados negassem o recurso apresentado pela empresa e considerassem o recurso apresentado por ele.

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“Pode mudar de profissão”, diz magistrado após sustentação oral de pedreiro

Depois da fala do pedreiro, o relator Sandro Nahmias Melo fez elogio à sustentação oral do trabalhador. O magistrado afirmou que considerava aquele um momento representativo na história da Justiça do Trabalho, destacando a possibilidade de um trabalhador comparecer ao tribunal e exercer pessoalmente o direito de fazer uma sustentação oral. Ao elogiar a fala de Edilson, o juiz também brincou sobre uma possível mudança de carreira.

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Pode mudar de profissão porque a lógica de argumentos acaba sendo melhor do que muitas sustentações que essa turma tem ouvido.

A votação foi proclamada como unânime, conforme o voto do desembargador relator. No encerramento da sessão, uma magistrada também parabenizou Edilson pela desenvoltura durante a sustentação. Para ela, a fala foi simples, mas apresentou organização e raciocínio lógico. O recurso da empresa foi negado.