Ave selvagem mais velha já identificada foi marcada há quase 70 anos e ainda aparece na ilha onde cientistas a encontraram

Identificada quando já era adulta, ela voltou ao local de reprodução e ajudou cientistas a estudar a longevidade de aves marinhas. 

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Wisdom cuida de seu filhote durante a temporada reprodutiva de fevereiro de 2025. (Foto: Reprodução/USFWS)

Uma pequena anilha colocada na perna de uma ave marinha em 1956 permitiu acompanhar uma história que atravessaria quase sete décadas. Conhecida como Wisdom, uma albatroz-de-laysan considerada a ave selvagem mais velha do mundo, ela continua retornando ao Atol de Midway, no Oceano Pacífico, onde foi identificada pela primeira vez.

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Com aproximadamente 75 anos, Wisdom voltou ao seu tradicional local de reprodução em 18 de novembro de 2025. O registro foi confirmado pelo Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (USFWS), que acompanha a ave há décadas.

A trajetória se tornou uma referência para pesquisadores que investigam a longevidade, a reprodução e os hábitos das aves marinhas.

Uma descoberta em 1956

A história começou em 10 de dezembro de 1956, quando o ornitólogo Chandler Robbins identificou e anilhou a albatroz durante uma expedição ao Atol de Midway.

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Wisdom já havia colocado um ovo, detalhe fundamental para determinar sua idade aproximada. Isso porque os albatrozes-de-laysan normalmente não começam a se reproduzir antes dos cinco anos.

A partir dessa informação, os pesquisadores estimaram que ela tivesse nascido em 1951 ou antes. Portanto, a ave já era adulta quando entrou para os registros científicos.

A identificação foi feita por meio de uma anilha, pequeno dispositivo colocado na perna das aves para permitir o reconhecimento individual ao longo dos anos.

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Wisdom passou a ser reconhecida pela identificação Z333, que tornou possível acompanhar suas aparições e relacionar diferentes registros a ela.

O retorno ao mesmo lugar

Localizado na região norte do arquipélago havaiano, o Atol de Midway abriga uma das maiores concentrações de albatrozes do planeta. Todos os anos, as aves retornam às ilhas para acasalar, construir ninhos e criar seus filhotes.

Wisdom faz parte desse movimento há décadas. Mesmo passando longos períodos no oceano, ela continua aparecendo na região onde os cientistas a identificaram.

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O retorno em novembro de 2025 marcou mais um capítulo dessa trajetória. Naquela temporada, pesquisadores também registraram a presença de seu parceiro mais recente, identificado pela anilha EX25.

O comportamento está relacionado a uma característica dos albatrozes, que costumam manter vínculos duradouros com seus parceiros e retornar aos mesmos locais de reprodução.

Maternidade depois dos 70

A longevidade não é o único aspecto que diferencia Wisdom. A ave também continuou se reproduzindo em uma idade avançada.

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Na temporada de 2024 para 2025, ela colocou um ovo e teve um novo filhote, que nasceu em janeiro de 2025. O nascimento foi registrado pelos responsáveis pelo acompanhamento da colônia.

O filhote, entretanto, não sobreviveu até a fase de deixar o ninho, segundo informações divulgadas pelo Acordo para a Conservação de Albatrozes e Petréis (ACAP).

Ao longo da vida, estima-se que Wisdom tenha produzido entre 50 e 60 ovos, dos quais até 30 resultaram em filhotes que conseguiram deixar o ninho.

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Na temporada de 2025 para 2026, a albatroz voltou a visitar Midway, mas não colocou um novo ovo, conforme atualização oficial divulgada em janeiro de 2026.

Longevidade acompanhada pela ciência

A história de Wisdom também revela a importância de pesquisas desenvolvidas durante várias gerações de cientistas.

Para espécies que podem viver tantas décadas, o monitoramento contínuo permite compreender melhor aspectos que seriam difíceis de observar em estudos de curta duração.

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O interesse pela longevidade na natureza aparece em outros registros, como o de uma araucária centenária de São Joaquim, considerada a maior do Sul do Brasil. No caso de Wisdom, a particularidade está na possibilidade de acompanhar individualmente uma ave que passa grande parte da vida em alto-mar.

A longevidade também depende das condições ambientais encontradas ao longo da vida. Por isso, o acompanhamento das aves marinhas contribui para compreender a importância dos locais de reprodução e dos habitats protegidos.

Uma história ainda acompanhada

O Atol de Midway integra uma área de proteção ambiental dedicada à conservação de aves e outras espécies marinhas.

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Para os pesquisadores, a presença recorrente de Wisdom oferece uma oportunidade rara de observar a história de um único animal ao longo de quase sete décadas.

Sua última temporada documentada, entre 2025 e 2026, mostrou que a ave continuava frequentando o refúgio, mesmo sem colocar um novo ovo.