Uma baleia de 9,5 metros foi encontrada morta no Canto da Praia, em Itapema, nesta segunda-feira (3). Apesar da análise genética ainda não ter sido feita, a equipe do Projeto de Monitoramento de Praias, da Univali, que fez a remoção, acredita se tratar de uma baleia-de-Bryde. A espécie, inclusive, rende debates no meio científico.
Apesar de ser registrada em diversas regiões do mundo, a baleia-de-bryde ainda é considerada um desafio porque há divergências sobre a classificação dela: alguns órgãos internacionais reconhecem uma única espécie, enquanto outros apontam a existência de subespécies ou até duas espécies distintas.
Estudos genéticos mais recentes indicam que as baleias encontradas no Brasil, Peru e Chile pertencem à espécie Balaenoptera brydei.
No país, há registros da espécie desde o Rio Grande do Sul até a Bahia, além de ocorrências no Norte e Nordeste. A presença é mais frequente no Sudeste, principalmente entre a primavera e o outono, quando se aproxima da costa em busca de alimento.
Animal ficou à deriva no fim de semana
A carcaça encontrada no costão nesta segunda era de uma fêmea. O animal já havia sido visto à deriva no sábado (1º) entre os molhes de Itajaí e Navegantes. Devido à localização de difícil acesso, não será possível fazer a necropsia.
No entanto, foram realizadas a biometria e a coleta de amostras para análise genética, que permitirá confirmar a espécie do animal.
Espécie chama atenção por característica única
Diferente da maioria das baleias, que percorrem longas distâncias entre áreas de alimentação e reprodução, a baleia-de-bryde tem um comportamento considerado incomum: não realiza grandes migrações.
Presente nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, a espécie permanece durante todo o ano em águas quentes, onde encontra alimento e condições favoráveis para reprodução. Esse padrão a diferencia de outras baleias, que costumam migrar sazonalmente para regiões mais frias.
Segundo o Projeto Brydes do Brasil, os deslocamentos das populações costeiras estão mais ligados à disponibilidade de presas, como a sardinha-verdadeira, do que a ciclos migratórios longos.
