Doença fatal em bovinos acende alerta no Oeste de SC e mobiliza Cidasc

Estado já contabiliza 26 registros de raiva em animais de produção neste ano; vacinação é a principal forma de prevenção

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Raiva Bovina

Cidasc orienta produtores a notificarem imediatamente casos suspeitos de raiva (Foto: Imagem Ilustrativa, Banco de Imagens, Divulgação)

A confirmação de um caso de raiva em um bovino em Itapiranga, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, reacendeu o alerta para a circulação da doença no Estado e reforçou a importância da vacinação dos rebanhos. O registro, somado a uma nova suspeita em investigação na mesma região, levou a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) a intensificar as orientações aos produtores rurais sobre prevenção, identificação de sintomas e notificação imediata de casos suspeitos.

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Embora o número de ocorrências esteja dentro do esperado para um estado considerado endêmico para a doença, a Cidasc destaca que a presença do vírus exige vigilância permanente, especialmente no Oeste, onde a pecuária tem forte presença econômica.

Segundo a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, a raiva dos herbívoros faz parte da realidade sanitária brasileira porque o vírus circula naturalmente no ambiente silvestre, principalmente por meio dos morcegos hematófagos, conhecidos por se alimentarem de sangue.

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— Tivemos recentemente um caso no Extremo-Oeste e outro está sendo investigado. Não é um número que excede a normalidade, mas é sempre um momento de chamar a atenção para os cuidados. A vacinação continua sendo a melhor forma de prevenir novos casos — afirma.

A presidente explica que, quando um foco é confirmado, a recomendação é que os produtores da propriedade atingida e das áreas vizinhas vacinem imediatamente os animais, já que os morcegos transmissores podem percorrer diferentes propriedades em poucos dias.

— O morcego hematófago vive na região, hoje pode estar em uma propriedade e amanhã em outra. Por isso, além do controle realizado pela Cidasc, é essencial que o produtor mantenha a vacinação em dia — destaca.

Doença também pode atingir seres humanos

Além dos prejuízos para a pecuária, a raiva representa um risco para a saúde pública. A doença é fatal e pode ser transmitida para seres humanos e outros mamíferos.

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Por isso, a orientação é evitar qualquer contato com animais que apresentem sinais neurológicos.

Entre os principais sintomas estão dificuldade para caminhar, salivação intensa, comportamento apático, isolamento do rebanho, perda do apetite e paralisia progressiva. Nos estágios mais avançados, o animal deita, não consegue mais levantar e morre.

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— Não toquem nesses animais e também não permitam que cães e gatos tenham contato com eles. O correto é acionar imediatamente a Cidasc para que um médico-veterinário faça a avaliação clínica e, se necessário, realize a coleta de material para confirmação laboratorial — orienta Celles.

A confirmação da doença ocorre apenas por exame laboratorial realizado a partir do tecido cerebral do animal após a morte.

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Participação do produtor é fundamental

O médico-veterinário Fábio Ferreira, responsável pelo Programa de Controle da Raiva e Encefalopatias Transmissíveis da Cidasc, explica que Santa Catarina convive com a circulação do vírus da raiva e, justamente por isso, depende da atuação conjunta entre o serviço veterinário oficial e os produtores rurais.

— Santa Catarina é considerado um estado endêmico para a raiva. Isso significa que existe circulação viral e, consequentemente, podem ocorrer casos da doença. O controle depende diretamente da participação dos produtores, principalmente por meio da vacinação e da notificação de qualquer suspeita — afirma.

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Segundo ele, a confirmação de casos não significa necessariamente aumento da doença, mas sim que o sistema de vigilância está funcionando.

— Quando um caso é detectado, significa que tanto o produtor quanto a Cidasc fizeram seu papel de identificar rapidamente a suspeita e investigar — explica.

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O veterinário reforça que qualquer animal com sinais neurológicos deve ser comunicado imediatamente ao órgão, mesmo quando houver dúvidas sobre o diagnóstico.

— Se o produtor perceber um animal que deixou de se alimentar, apresenta salivação excessiva, dificuldade para caminhar, isolamento do rebanho ou paralisia progressiva, deve procurar imediatamente o escritório local da Cidasc. Nossa equipe está preparada para avaliar a situação e, se necessário, coletar material para confirmar ou descartar a doença.

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Morcegos hematófagos são principais transmissores

A transmissão da raiva entre bovinos, equinos e outros herbívoros ocorre, principalmente, pela mordida do morcego hematófago (Desmodus rotundus), que se alimenta de sangue durante a noite.

Os produtores também devem comunicar à Cidasc sempre que observarem animais com marcas características de mordidas ou sangue escorrendo pelo local da lesão, sinais que podem indicar a presença desses morcegos na propriedade.

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A partir dessa informação, equipes da companhia realizam ações de monitoramento e controle dos abrigos dos morcegos hematófagos, reduzindo o risco de disseminação da doença.

Oeste registra novos casos em 2026

Com a confirmação em Itapiranga, o Oeste voltou a registrar casos da doença neste ano. Chapecó também aparece entre os municípios com registros em 2026, assim como São José do Cedro, no Extremo-Oeste.

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Ao todo, Santa Catarina contabiliza 26 casos de raiva em animais de produção neste ano. As confirmações ocorreram nos municípios de Angelina, Apiúna, Bocaina do Sul, Caçador, Chapecó, Criciúma, Gravatal, Indaial, Itapiranga, Major Gercino, Orleans, Pescaria Brava, São Francisco do Sul e São José do Cedro.

A maior concentração de ocorrências está na região Sul do Estado, mas a Cidasc alerta que o vírus circula em diferentes regiões catarinenses, tornando indispensáveis a vacinação dos rebanhos, a vigilância permanente e a comunicação imediata de qualquer suspeita.

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Principais sintomas da raiva em bovinos

  • Falta de apetite;
  • Salivação intensa;
  • Dificuldade para caminhar;
  • Isolamento do restante do rebanho;
  • Paralisia progressiva, principalmente das patas traseiras;
  • Animal deita, não consegue mais levantar e morre.

Em caso de suspeita, a orientação é não tocar no animal e comunicar imediatamente a unidade local da Cidasc.