Um morador de Nor Yungas, na Bolívia, encontrou um pequeno felino à beira da estrada e o levou para casa. O animal parecia um gato doméstico estranho, mas, com o passar do tempo em casa, o animal começou a demonstrar comportamentos selvagens.
Depois de um ano, o felino acabou sendo enviado para o refúgio La Senda Verde, próximo a Coroico. Ali recebeu o apelido de Tigrino e foi tratado como um exemplar de Leopardus tigrinus, um gato-do-mato comum na América, mas ele era uma espécie totalmente nova.
Um gato não encaixava
Quando a bióloga boliviana Paola Nogales-Ascarrunz conheceu Tigrino, algo parecia não se encaixar. O animal adulto era pequeno demais para a sua suposta espécie e suas manchas pareciam grandes demais.
Paola começou a investigar essa diferença em 2019, ao comparar fotografias e material genético das espécies. A investigação se uniu ao trabalho de Eduardo Eizirik, da PUCRS, e Jonas Lescroart, da Universidade de Antuérpia, que estudavam a árvore evolutiva desses pequenos felinos sul-americanos.

Os pesquisadores analisaram genes de 38 felinos do gênero Leopardus, incluindo oito exemplares históricos preservados em museus. Após a análise completa, eles perceberam que quase cinco espécies diferentes eram tratadas como uma só, mas Tigrino não estava em nenhuma delas.
O pequenino ocupava um ramo próprio. A linhagem havia se separado de outros pequenos gatos-do-mato há cerca de 1,4 milhão de anos. A equipe batizou a nova espécie de Leopardus tilcayo, preservando o nome usado por gerações de comunidades bolivianas.

Um século de espera
A descoberta, publicada em setembro de 2026 na revista Current Biology, tornou o tilcayo a primeira espécie viva de felino nova em mais de um século. Outras espécies foram reconhecidas no período por reclassificação de animais já conhecidos.

A última nova espécie de gato registrada na história foi o gato-dos-pampas, Leopardus colocola, em 1923.
O tilcayo mede cerca de 46 centímetros de cabeça e corpo e pesa perto de 1,4 quilo, menos que muitos gatos domésticos. A pelagem marrom-clara exibe grandes rosetas escuras e irregulares.
Ainda se sabe pouco sobre o novo felino. Apenas dois indivíduos vivos foram examinados até o momento. Houveram também alguns outros avistamentos em armadilhas fotográficas e vestígios de vezes capazes de inferir uma rotina noturna e predação de roedores.






