O Mont Blanc, pico mais alto dos Alpes e da Europa Ocidental, atingiu 4.807,47 metros em setembro, 1,88 metro a mais do que na última medição, divulgada em 2023. O resultado foi anunciado nesta quarta-feira por especialistas em topografia da França, que ressaltaram que as variações de altitude estão relacionadas às mudanças na camada de neve e gelo que cobre o relevo rochoso.
“O cume está em constante movimento”, afirmou Jean des Garets, presidente da Câmara de Topógrafos Especialistas da Alta Saboia, durante uma coletiva de imprensa em Saint-Gervais. Segundo ele, cada medição isolada não permite tirar conclusões sobre o aquecimento global, mas contribui para a formação de uma série de dados que pode ser analisada ao longo do tempo.
“Cada medição pontual não tem importância em si mesma” no que diz respeito ao aquecimento global, mas “serve para obter dados que serão analisados ao longo do tempo”, ressaltou.
Neve e gelo influenciam a altitude medida
Os especialistas medem a camada de neve e gelo que cobre a estrutura rochosa da montanha. Segundo os cientistas, essa camada está sujeita a fatores variáveis, como acúmulo de neve, precipitações, vento, transporte e redistribuição da neve, temperaturas, insolação e condições meteorológicas dos meses anteriores à medição.
Por enquanto, o cume do Mont Blanc “continua frio e ainda não foi muito afetado pelo clima”, observou Luc Moreau, glaciologista convidado para a conferência. Ele destacou a importância de contar com uma série de medições para acompanhar “a evolução do cume nevado” no futuro.
Os topógrafos especialistas da Alta Saboia iniciaram as campanhas de medição em 2001 e divulgam os resultados a cada dois ou três anos.
Altitude varia ao longo dos anos
Situado na fronteira entre França e Itália, entre a Alta Saboia e a região italiana do Vale de Aosta, o Mont Blanc havia registrado 4.810,40 metros em 2001.
Na cultura popular e nas canetas da marca homônima, a altitude do pico costuma ser arredondada para 4.810 metros. “Há variações de vários metros de um ano para outro. Portanto, arredondar para a dezena não é errado”, afirmou Des Garets.
Os topógrafos concluíram que a altitude mais recente se aproxima do valor histórico obtido no fim do século XIX pelos primos Vallot, alpinistas e cientistas franceses que dedicaram a vida ao estudo do Mont Blanc.
*Com informações da AFP
