Rã perigosa que imita mugido de boi avistada em Florianópolis é associada a fungos que já dizimaram espécies

Rã-touro tem alta resistência aos efeitos dos fungos e se torna um vetor da quitridiomicose

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Rã-touro foi trazida ao Brasil em 1935 (Foto: Márcio Borges-Martins, UFRGS)

Rã-touro foi trazida ao Brasil em 1935 (Foto: Márcio Borges-Martins, UFRGS)

Avistada em Florianópolis novamente nas últimas semanas, a rã-touro (Aquarana catesbeiana), espécie exótica invasora de rã, é considerada uma espécie associada à transmissão de patógenos como o fungo da quitridiomicose e o ranavírus, que já dizimou com espécies de anfíbios pelo mundo.

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A quitridiomicose é causada pelo fungo microscópico quitrídio (Batrachochytrium dendrobatidis), que está presente na água e, segundo estudos publicados ainda neste ano. Nos últimos 50 anos, esse fungo já causou o declínio de mais de 500 espécies de anfíbios. Pelo menos 91 podem ter sido completamente extintas.

No entanto, pelo menos 6,5% das espécies conhecidas de anfíbios sofreram perdas consideradas por causa do fungo. Isso porque esse fungo se instala na pele do animal e aumenta a produção de queratina, o que impede a respiração cutânea e o equilíbrio de líquidos. Dessa forma, o anfíbio entra em parada cardíaca e morre.

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Por outro lado, a rã-touro é considerada resistente aos efeitos do fungo, o que faz com que ela seja um vetor da quitridiomicose. A rã-touro foi trazida ao Brasil em 1935, com origem na América do Norte, para a criação em ranários e o comércio de carne. Ela, no entanto, foi alvo de solturas e escapes após a desativação desses locais, migrando para diferentes regiões do Brasil, como Florianópolis. 

Veja fotos da rã-touro

Novos registros em Florianópolis

Ao NSC Total, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e a Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis afirmaram que receberam novos registros da rã-touro em algumas áreas que já tinham sido mapeadas no bairro Ratones. A pasta e o órgão informaram que os avistamentos foram feitos após as ações de educação ambiental, que estão sendo realizadas desde que a espécie foi vista pela primeira vez na cidade, ainda em outubro de 2025, também no mesmo bairro.

Uma nova vistoria já está programada para acontecer entre o final de setembro e outubro. Essa espécie tem alta capacidade de se reproduzir, com uma dieta que inclui peixes, anfíbios, répteis e mamíferos de pequeno porte. Além disso, ela pode passar de 20 centímetros de comprimento, considerada grande.

“Mugido” da rã-touro

Essa espécie possui um som característico que faz com a população possa identificá-la. Com uma vocalização grave, a rã-touro produz um som semelhante ao mugir de um boi, que dá origem ao nome popular do animal. Por isso, se os moradores identificarem o som, devem acionar a Floram para que a espécie possa ser mapeada.

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Ouça o som da rã-touro

O que fazer se avistar uma rã-touro?

A Floram alerta para que, em caso de avistamento ou identificação do som da espécie, a população não realize o manejo por conta própria. O contato deve ser feito pelo e-mail fdepuc.floram@gmail.com ou pelo número (48) 3237-5660.